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Livro conta história centenária e fala do amor pela Seleção Brasileira

Logo mais a seleção brasileira estreia na Copa do Mundo contra a Croácia, na Arena Corinthians, celebrando cem anos de vida, de glórias, de sofrimento, mas acima de tudo de amor. Amor de uma nação, que mesmo tendo momentos de raiva e desilusão, sempre se une e se veste de verde e amarelo para torcer pelos deuses da bola. Amor de um menino que cresceu na favela e conseguiu realizar o sonho de jogar pela seleção mais vitoriosa da história, uma das mais respeitadas e temidas pelos adversários. Essa história centenária é contada em detalhes no livro “Deuses da Bola – 100 Anos da Seleção Brasileira”, dos escritores Eugenio Goussinsky e João Carlos Assumpção, que foi lançado recentemente pela editora DSOP.

Foto: Divulgação

 

“(Ser um Deus da Bola) É o dom de usar a intuição a serviço do futebol. O Brasil, país dos morros, da ginga, dos garotos descalços e dos meninos encantados com a bola, tem na sua essência esse desejo pelo drible, para superar as agruras, brincando com a bola, um pequeno mundo, redondo, lúdico, símbolo da autoestima e esperança. Um Deus do futebol, acima de tudo, ama a bola” explica o autor Eugênio Goussinsky, em entrevista exclusiva ao Fut’n’Roll.

 

A obra conta histórias que marcaram os cem anos da seleção, fala da mística da “amarelinha” e homenageia os craques que vestiram uma das camisas mais importantes do futebol mundial. O livro ainda entra na paixão do torcedor e os autores são categóricos: “o brasileiro continua amando a seleção brasileira. Trata-se da instituição mais nobre do futebol brasileiro. Às vezes, por uma questão de falta de autoestima ou até inveja inconsciente da própria qualidade da seleção, existem posturas contrárias. Mas são a minoria, apesar de serem barulhentas. A grande maioria da população e dos torcedores se une à seleção nos momentos decisivos” destaca Eugênio.

 

Acompanhe a entrevista na íntegra e viaje na história da seleção, antes de vestir sua camisa e torcer para o Brasil começar a Copa com o pé direito…

 

Fut’n’Roll – Quem são os autores?

Eugênio Goussinsky – O livro foi em um parceria entre os jornalistas João Carlos Assumpção e Eugenio Goussinsky. João Carlos Assumpção atuou por alguns anos na Folha de S. Paulo, tendo sido correspondente em Nova York, e posteriormente no Sportv. Atualmente é colunista do jornal Lance. Eugenio Goussinsky atuou em O Estado de S. Paulo, foi repórter do Jornal do Brasil, assessor de imprensa da Secretaria da Educação paulista, escreveu outros livros de crônicas e contos, e atualmente é redator do Portal R7, da Rede Record.

Eugênio e João Carlos durante o lançamento do livro em São Paulo. Foto: Divulgação

 

FnR – Como surgiu a ideia e quanto tempo levou para vocês concluírem a obra, desde as primeiras pesquisas e entrevistas?

E.G. – A ideia surgiu em uma conversa em um bar nos anos 90, quando ambos decidiram contar a história desta instituição apaixonante que é a seleção brasileira. Tínhamos consciência de que se trata de um tema atemporal e que sempre despertará interesse do público. O projeto demorou cerca de dois anos para ser concluído. Depois foi sendo atualizado, de acordo com os jogos do Brasil.

 

FnR – O que o leitor vai encontrar de mais surpreendente no livro?

E.G. – O leitor vai encontrar histórias que são pouco divulgadas, mas foram importantes para a seleção em determinadas épocas. Procuramos respeitar, mas não nos apegar apenas nos chavões, do tipo Zagallo não viu a Holanda ou o Brasil ganharia nove entre 10 partidas contra o Uruguai em 50.

 

FnR – O que faz de um jogador um verdadeiro Deus da Bola?

E.G. – É o dom de usar a intuição a serviço do futebol. O Brasil, país dos morros, da ginga, dos garotos descalços e dos meninos encantados com a bola, tem na sua essência esse desejo pelo drible, para superar as agruras, brincando com a bola, um pequeno mundo, redondo, lúdico, símbolo da autoestima e esperança. Um Deus do futebol, acima de tudo, ama a bola.

 

FnR – Vocês abordam também as questões políticas e de bastidores da CBF? Até que ponto as disputas pelo poder atrapalham o desempenho de uma seleção?

E.G. – Não entramos tanto nesta questão de bastidores, porque a beleza da seleção independe do que acontece fora. Muitas vezes ela predominou mesmo em ambientes pouco propícios, o que mostra que, apesar de lamentáveis, certos períodos recheados de interesses mesquinhos não devem ser atrelados à mística da camisa amarela. Claro que citamos mudanças na esfera de poder e o contexto da CBF em cada época.

 

FnR – O que representam os cem anos da seleção brasileira?

E.G. – Os cem anos da seleção brasileira significam a continuidade de um símbolo que serve como uma referência, um espelho da identidade nacional, mostrando, ao longo da história, momentos de integração do país em meio aos problemas, que serviram para mostrar algo de bom que ele carrega em sua essência. A seleção supera tudo: rivalidades clubísticas, partidos políticos e pode servir como um impulso motivador para o país encarar com mais força suas dificuldades.

 

FnR – Qual o jogo da seleção mais marcante para cada um e por quê?

E.G. – O João Carlos considera a derrota do Brasil para a Itália, em 1982, por, mesmo com o resultado adverso, ter sido um marco na história da seleção brasileira, um símbolo do futebol bem jogado, ao estilo dos Deuses da Bola. Eu já considero a primeira partida, contra o Exeter City, da Inglaterra, que possibilitou a formação de uma seleção onde desfilaram, posteriormente, craques como Preguinho, Friedenreich, Leônidas, Nilton Santos, Garrincha, Pelé, Rivellino, Zico, Romário, Ronaldo e tantos outros.

Sócrates e Zico, um dos deuses da seleção de 1982. Foto: Getty Images

 

FnR – Um dos episódios marcantes nesta trajetória é a Copa de 1950. Na pesquisa que fizeram para o livro, vocês encontraram alguma curiosidade que envolveu aquela final, além do fato de o Uruguai ter jogado mais que o Brasil?

E.G. – Sempre buscamos relacionar os momentos da seleção com o contexto político e social da época. Abordamos a empolgação daquela Copa, a importância que o brasileiro depositou no evento, o excesso de confiança e o fato de o Uruguai já ter ganho do Brasil no início daquele ano, mostrando que a derrota no Maracanã não deveria ter sido assim tão surpreendente, apesar da grande seleção que tínhamos.

 

FnR – Estamos prestes a iniciar a segunda Copa do Mundo em casa. Vocês conseguem traçar um paralelo entre as duas competições?

E.G. – A Copa vai se aproximando e as semelhanças aparecendo. O Brasil, depois de um período de mau humor em relação à Copa, começa a se apropriar do evento da mesma maneira que em 1950. Imagino que uma final contra a Argentina, no Marcanã, seria novamente um momento marcante, de união tão forte ou mais do que em 1950, um momento em que o país também vislumbrava o crescimento.

 

Mais de 60 pessoas devem lotar a Arena Corinthians na abertura da Copa. Foto: Rodrigo Faber/Globoesporte.com

FnR – Apesar dos atrasos, superfaturamentos de obras e o questionável legado da Copa deste ano, o que vocês esperam do mundial?

E.G. – Os atrasos foram lamentáveis, mas, mesmo que não deste tipo, em todas as Copas ocorrem problemas. Mas nem por isso o que é positivo precisa ser deixado de lado e um evento como este sempre traz mais coisas positivas. Claro que os erros precisam servir de aprendizado, mas o país está amadurecendo e as manifestações pacíficas têm sido uma demonstração disso. Elas criticam a corrupção e não a seleção.

 

FnR – Eu vejo a relação da torcida com a seleção muito instável, não é um amor incondicional. O brasileiro hoje realmente ama a seleção ou só gosta de comemorar títulos?

E.G. – O brasileiro continua amando a seleção brasileira. Trata-se da instituição mais nobre do futebol brasileiro. Às vezes, por uma questão de falta de autoestima ou até inveja inconsciente da própria qualidade da seleção, existem posturas contrárias. Mas são a minoria, apesar de serem barulhentas. A grande maioria da população e dos torcedores se une à seleção nos momentos decisivos.

 

FnR – Como essa relação de amor e ódio mudou/amadureceu ao longo de um século?

E.G. – Ela já oscilou em alguns momentos, mas nunca se extinguiu. Na Copa de 90, que inaugurou uma nova era no futebol brasileiro, houve um desestímulo maior, mas que serviu para unir novamente o país em torno do significado da seleção. Os jogadores sentiram isso e o país se sagrou tetracampeão, o que foi motivo de uma grande comemoração popular nos dias seguintes à final contra a Itália.

 

FnR – Para terminar, na seleção de todos os tempos do Brasil, quais seriam os seus deuses da bola?

E.G. – A seleção brasileira de todos os tempos, em nossa opinião, seria formada por: Gylmar; Djalma Santos, Aldair, Domingos da Guia e Nilton Santos; Falcão, Zico, Rivellino e Pelé; Garrincha e Romário; Técnico: Vicente Feola. Os Deuses seriam todos eles, mais os reservas, com Taffarel; Carlos Alberto, Luís Pereira, Mauro Ramos e Júnior; Zito, Didi, Sócrates e Gérson; Neymar (por que não?) e Ronaldo; Técnico: Telê Santana.

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