Brasileiro/Futebol

COLINTHIANS

Que a China é uma das potências mundiais, com a economia com crescimento médio anual de 8,5% nos últimos anos, não é novidade.  Graças à abertura de mercado no país mais populoso do mundo, a partir da década de 1990, os chineses têm investido em muitos setores, fazendo frente aos Estados Unidos e à Europa. Recentemente, o Planeta China descobriu o oásis do futebol brasileiro. Seguindo o processo de profissionalização do esporte feito pelo Japão nos anos oitenta, a China aposta nos últimos anos no talento brasileiro para fortalecer sua liga. Ajudada pela enorme desvalorização do real e a economia cambaleante do “país do futebol” (a lenda é melhor que a realidade, já que o Brasil não é mais um celeiro de craques e talentos faz tempo), os times chineses adotam uma tática agressiva para contratar os jogadores que se destacam por aqui: negociam diretamente com os atletas e oferecem salários astronômicos e apenas informam os clubes que será feito o pagamento das multas rescisórias.

Desta forma, conseguiu desmontar os últimos campeões brasileiros. Primeiro foi o Cruzeiro, que perdeu Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, principais nomes do bicampeonato 2013-2014. Agora quem sofre com o desmanche é o Corinthians, que encantou e conquistou com sobra o Brasileirão de 2015. Jadson, Renato Augusto e Ralf, capitão do Hexa, além de Elias, que, pelo menos enquanto o texto é escrito não assinou a transferência para a Ásia, formaram um dos melhores meios-de-campo da história alvinegra, mas aceitaram os milhões para garantir os futuros das próximas gerações de suas famílias, em troca do projeto corinthiano do bi da Libertadores e, até, o sonho de defender a Seleção Brasileira, no caso de Renato e Elias. A desmoralização dos dirigentes da CBF também pesa na decisão de jogadores que teriam chance de disputar a próxima Copa.

Renato Augusto, Jadson e Elias brilharam no Brasileirão. Ralf, outro pilar do meio-campo do Corinthians, também está a caminho da China. Foto: Getty Images

E que os torcedores não venham com o papo de mercenários. Todos honraram a camisa do Timão, se entregaram e conquistaram títulos. Mas sabemos que a carreira de jogadores é curta e conseguir o famoso pé-de-meia é um dos maiores objetivos profissionais deles. Até o fisioterapeuta Bruno Mazziotti trocou a estabilidade e os belos trabalhos realizados no Parque São Jorge por um salário cinco vezes maior para levar seus conhecimentos ao futebol chinês.

O Brasil sempre foi um país exportador de “pé-de-obra”, que conseguiu, enquanto a moeda nacional estava forte, segurar e até repatriar bons jogadores por aqui. Agora a realidade é outra e a situação não deve mudar a curto prazo. Cabe aos clubes, cada vez mais, investirem nas categorias de base, na formação de atletas e no aproveitamento de novos talentos para reformular os rumos do futebol brasileiro. Enquanto isso, com a ajuda da China, a Alemanha comemora mais um gol…

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