Futebol/Latinoamericano

A inesquecível primeira vez do Chile

Após mais de cem anos de história, o Chile finalmente pode gritar que é campeão. E o primeiro título veio de forma incontestável, com a melhor campanha, sobre um grande rival, para premiar a melhor geração da história do futebol chileno.

Foto: AP/La Tercera

Foto: AP/La Tercera

Mais do que isso, um prêmio para o treinador que melhor trabalha no continente. Jorge Sampaoli já vinha de um grande trabalho na Universidad do Chile, ao montar um time que encantou o continente, mas só levou a Copa Sul Americana em 2011.

Ainda assim, foi alçado à seleção nacional, em crise após a saída de Cláudio Borghi. Sampaoli soube entender os jogadores que tinha em mãos e aproveitou todo o potencial de cada um, com alguns jogando mais na seleção do que nos próprios clubes.

A primeira amostra de bom trabalho veio na Copa de 2014, quando passou para as oitavas em um grupo com Holanda e Espanha, eliminando justamente os campeões de 2010. E, se não fosse a trave, teria eliminado o anfitrião Brasil já nas oitavas. Perdeu a vaga nas penalidades.

Penalidades que deram a consagração da geração de Vidal, Sanchez, Aránguiz, Bravo, Medel e Valdivia um ano depois. Apesar de a vitória ter vindo apenas desta maneira, o domínio dos chilenos durante os 90 minutos já fora incontestável.

Especialmente na inteligência do seu treinador, que armou um time para pressionar a Argentina e não deixar os craques albicelestes jogarem o seu futebol. Especialmente Messi, que não teve espaço para pegar a bola em momento algum.

Quer dizer, apenas uma vez. Já no fim do tempo normal, em um contra-ataque, Messi se livrou de dois marcadores e tocou para Lavezzi na esquerda, que cruzou para Higuain, meio sem ângulo, chutar na rede pelo lado de fora.

No mais, foi uma aula de intensidade, marcação sob pressão, movimentação e posicionamento dos comandados de Sampaoli. Medel foi um gigante na defesa, Aránguiz foi o motor no meio de campo, Vidal era o coração da equipe, Valdivia o cérebro criativo. Faltou Alexis Sanchez ser o finalizador, mas a fase não estava boa. Ainda assim, foi o atacante do Arsenal quem garantiu o título, batendo o pênalti decisivo com a frieza dos gigantes do esportes.

E é isso o que falta ao Chile. Um finalizador, como os grandes Zamorano e Salas, por exemplo. Tivessem ameaçado um pouco o gol de Romero, os chilenos poderiam ter vencido já nos noventa minutos.

Mas a torcida que lotou o estádio Nacional de Santiago precisou esperar Higuain e Banega baterem seus pênaltis de maneira horrível para celebrar o primeiro título de sua história, graças aos acertos de Fernandez, Vidal, Aránguiz e Sanchez.

E Cláudio Bravo, um dos símbolos dessa geração, ergueu a primeira taça da história do futebol chileno. A Copa América premiou o time que joga o melhor futebol do continente na atualidade. Se o Chile, desde a era Bielsa, já era uma equipe ousada, agora com Sampaoli não teme mais ninguém no futebol mundial. Não olha mais ninguém de baixo, olha todos no olho, mesmo nas derrotas. E é assim que deve ser.

Foto: La Tercera

Foto: La Tercera

À Argentina, resta a dor de mais um vice-campeonato. E a fila de 22 anos ficará ainda maior. Como maior também será a pressão sobre Messi, campeão de tudo várias vezes pelo Barcelona, mas ainda virgem com a seleção principal de seu país. Tata Martino não é tão brilhante como o conterrâneo Sampaoli, mas fez a Argentina jogar grande futebol em alguns momentos, como nas quartas contra a Colômbia, quando foi parado por Ospina, e na semifinal contra o Paraguai, premiado com uma grande goleada por 6 a 1.

O problema é que Martino parece não achar alternativas quando se vê diante de um rival melhor em campo. E em um mundo com técnicos cada vez mais estudiosos, pode ficar para trás. E desperdiçar mais uma grande geração argentina, além do maior jogador que já vestiu a albiceleste depois de Maradona.

Foto: La Tercera

Foto: La Tercera

A pressão será cada vez maior pelas bandas do Rio da Prata.

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