Futebol/Latinoamericano

Deitado eternamente em berço esplêndido

Foi-se o tempo em que ser eliminado pelo Paraguai era motivo de surpresa. Não só pelo jogo deste sábado (27) em Concepción, pelas quartas de final da Copa América. Nem pelo filme ter sido exatamente o mesmo de 2011, quando o Brasil caiu para o Paraguai nos pênaltis.

Mas quem vê o futebol brasileiro dentro e fora de campo sabe que a tradicional camisa amarela já não mete mais medo em ninguém. A campanha nesta Copa América foi um grande símbolo disso. Uma vitória com as calças na mão sobre o Peru, uma derrota incontestável para a Colômbia, uma vitória sobre a Venezuela tomando pressão no fim do jogo e um empate medíocre contra o Paraguai.

Medíocre mesmo. Tirando a jogada que resultou no gol de Robinho, iniciada por Filipe Luís na esquerda, passando por Robinho e Elias até chegar a Daniel Alves na direita, que cruzou para o próprio Robinho concluir, não houve mais nada de decente praticado pelos comandados de Dunga.

Foto: Leo Correa/Mowa Press

Foto: Leo Correa/Mowa Press

A partir da vantagem, Dunga mostrou sua visão única de futebol. Plantou o time na defesa, preparando a armadilha para um contra-ataque fatal. Que nunca veio. Aliás, muito pelo contrário. O Brasil nunca teve o controle das ações e sofreu com o ataque paraguaio, especialmente pela esquerda, com Benítez.

E o Paraguai, mesmo com o seu time envelhecido, sem criatividade e sem muito talento, cresceu em campo. E chegou ao gol graças a mais uma demonstração de desequilíbrio de Thiago Silva, que colocou a mão na bola de maneira tosca dentro da área, pênalti bem convertido por Derlis González.

Com o empate, a decisão foi para as penalidades máximas. Lá, Everton Ribeiro e Douglas Costa erraram e a eliminação foi sacramentada com a vitória paraguaia por 4 a 3.

Foto: Heuler Andrey/Mowa Press

Foto: Heuler Andrey/Mowa Press

E, sim, a notícia tem que ser dada com muita naturalidade. Porque é consequência do que é feito pelo esporte no país. Não só culpa de Dunga, um técnico com algumas qualidades, mas muito limitado. Dunga não é o problema. É apenas parte dele.

Enquanto o mundo evolui com conceitos de compactação, posse de bola, pressão no adversário, marcação sob pressão, linhas compactas, o Brasil segue com a mesma fórmula de que o talento salva tudo no final.

E nos dias atuais não resolveria nem se Firmino, Douglas Costa, Everton Ribeiro, William e Robinho jogassem 1% do nível do Neymar.

Claro que a direção da CBF tem problemas maiores neste momento, como achar uma maneira de não ir parar na cadeia. Mas podia pensar em algo para mudar essa situação. Tipo criar uma liga de clubes administrada por profissionais. E a contratação de um treinador estrangeiro. Porque só talento ainda resolve, mas é um item complementar, não mais a base de sustentação. Até porque o talento por aqui também está morrendo, sendo trocado por muito suor e pouca inteligência, que é o que vemos nos clubes, nas seleções de base, e, agora, na seleção principal.

O futebol brasileiro está estagnado. Atrasado. E não parece dar sinais de que vai mudar essa situação. Dunga mesmo deu sinais disso, ao culpar uma virose pela eliminação. O Brasil ainda olha para fora quando precisa olhar para dentro para se reinventar e buscar o lugar perdido entre os grandes do futebol mundial.

Ou, nas palavras de Tostão, na Folha: “O futebol brasileiro foi, aos poucos, subtraído e corrompido, dentro e fora de campo. Para recuperar, é preciso também tempo. Não será com um dirigente ou com um técnico revolucionário. Assim como é necessário vacinar a maioria absoluta das pessoas, de tempos em tempos, para evitar o retorno de uma doença infecciosa, é preciso que haja uma limpeza na direção do futebol e que quase todos os treinadores tirem a máscara da arrogância e do corporativismo”.

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