Brasileiro/Futebol

Oliveira chegou. As mudanças também?

A pergunta acima é atemporal. Poderia muito bem ser usada em dezembro de 2014, quando Paulo Nobre contratou Oswaldo de Oliveira para comandar a reformulação (naquela época, ainda uma promessa) no elenco Alviverde, após o rebaixamento para a Série B do Brasileirão ficar distante por 1 ponto.

Mas como foi elucidado no início, o questionamento vale para junho de 2015. Praticamente um dia após a demissão do treinador que chegou com a missão de construir os alicerces da nova face Esmeraldina, ele cedeu o espaço para outro Oliveira, o Marcelo, bicampeão brasileiro com o Cruzeiro. Oswaldo não era o nome preferido de Alexandre Mattos. Ele era a peça ideal no julgamento de Paulo Nobre, que trouxe o técnico antes da chegada do diretor de futebol.

Os resultados ruins no início do Brasileirão foram a alegação para o bilhete azul, que foi timbrado de uma forma no mínimo questionável. A definição da saída do Oliveira demitido aconteceu logo após a derrota para o Figueirense no domingo. A chegada do Oliveira recém-contratado foi firmada já na segunda-feira. O anúncio oficial do desligamento de Oswaldo ocorreu na terça-feira. A equação é indecifrável para uma ciência humana que pode ser muito exata, mas que definitivamente é persona non grata no futebol: ética.

O.O. não teve o tempo necessário para empregar o seu método de trabalho? Sim. Em contrapartida, para uma equipe que estava sob o seu comando há 6 meses, o mínimo padrão de jogo ainda deixava a desejar. Muito pelo fato de algumas atitudes equivocadas do treinador, que não abria mão de certos conceitos táticos apesar de os resultados mostrarem que o caminho inicialmente imaginado talvez não fosse o mais ideal. Em certos aspectos, Oswaldo lembrou Ricardo Gareca na convicção estratégica, em que a retidão virou uma teimosia prejudicial, de maneira desnecessária.

Oliveira chegou. As mudanças também

A saída é ali? A demissão de Oswaldo de Oliveira é mais um exemplo, entre tantos, da falta de planejamento dos clubes brasileiros. / Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Mas deixando este universo de lado, talvez a disputa mais importante esteja fora de campo. Ao mandar Oliveira (Oswaldo) embora e contratar Oliveira (Marcelo), a gestão Paulo Nobre chega a 5 técnicos em dois anos e meio, sem contar o interino Alberto Valentim. Números que transforam em um castelo de cartas a tão propalada gestão moderna defendida pelo presidente palmeirense e que ele garantia como protagonista inexorável no seu segundo mandato.

Até o momento, Nobre age como qualquer dirigente pressionado por maus resultados. 2014 já tentou ensinar onde o amadorismo pode levar. Como se o Palmeiras precisasse deste tipo de lembrete. Talvez com o preferido de Alexandre Mattos no comando técnico, a situação fique mais estável. O que, no entanto, evidenciaria como Nobre escuta demais o diretor de futebol, fato que pode ser nocivo quando o bom senso é ignorado.

O fato é que Marcelo Oliveira é competente, atual bicampeão brasileiro e tem plenas condições de realizar um excelente trabalho. Mas é uma incógnita. Em 2009, Muricy Ramalho chegou como tricampeão e na sua estreia, na 15ª rodada, colocou o Palmeiras na liderança isolada com 31 pontos, após bater o Fluminense por 1 a 0. Não obstante, o fim do torneio é lembrado por todo palmeirense: título e vaga na Libertadores longes com a quinta colocação.

Mais do que trocar o técnico, é fundamental mudar o conceito na gestão do futebol Alviverde. Se o que é visto como ideal não é um consenso, que se chegue a um denominador comum antes de continuar com o discurso que não existe na prática. No mínimo, isso é constrangedor.

Foto Capa: Gil Leonardi/LANCE!Press

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