Europeu/Futebol

Barcelona, o maior do século XXI

A Juventus tentou surpreender o Barcelona no começo do jogo deste sábado (06) em Berlim. Adiantou sua marcação para não deixar o adversário jogar e evitar que a bola chegasse ao trio MSN, Messi, Suárez e Neymar.

A aposta foi bem sucedida por míseros três minutos. Foi o tempo para Neymar receber uma bola na esquerda, atrair a marcação e rolar para Iniesta passar pela esquerda da área e chegar livre até a linha de fundo, abandonado por Vidal, que deveria marcá-lo. O craque espanhol cruzou no pé de Rakitic, que fuzilou Buffon e abriu o placar.

Foto: UEFA

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Notícia péssima para a Juventus, que nunca venceu uma final continental em que sofreu o primeiro gol. Além disso, o Barcelona também apertava a marcação na linha de defesa da Juve. Os culés criaram boas chances, com Neymar, Suárez e Dani Alves, que obrigou Buffon a fazer um pequeno milagre. Além de criar chances, o Barcelona não deixava Pirlo pensar o jogo. Uma intensidade absurda, que deixou o time italiano nervoso. Vidal levou cartão amarelo e poderia ser expulso já com 14 minutos, após dura entrada em Neymar.

A Juventus seguiu fazendo o seu jogo, com pressão na defesa barcelonista, mostrando eficiência e até criando algumas chances. Morata teve a melhor delas, mas foi atrapalhado por Alba na hora de finalizar. E equilibrou bem as ações, apesar de não ameaçar muito o gol de Ter Stegen.

Antes do fim da primeira etapa, o Barcelona voltou a pressionar. Suárez criou duas chances, uma rente à trave e outra que parou nas mãos de Buffon.

No segundo tempo, o panorama era o mesmo. A Juventus tentando buscar o ataque, sem muita objetividade. Mas o Barcelona conseguiu encaixar um contra-ataque logo aos três minutos, exigindo mais uma grande defesa de Buffon em chute forte de Suárez.

E Messi? Apareceu aos cinco minutos, concluindo uma bela jogada coletiva do Barcelona por cima do gol. Mas, bem marcado, não estava na sua melhor jornada, apesar de mais participativo na segunda etapa.

Mas quando você imagina que um time italiano está morto, ele ressurge do nada para supreender. Aos dez minutos. Marchisio deu bom passe de calcanhar para o suíço Liechesteiner, que aproveitou o espaço nas costas de Jordi Alba, que cruzou para Tevez. O argentino exigiu grande defesa de Ter Stegen, mas Morata estava lá, como bom centroavante que é (apesar de alguns comentaristas brasileiros não acharem) e empatar o jogo.

Foto: UEFA

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Morata vivia um clássico particular. Revelado nas categorias de base do Real Madrid, era o único homem em campo com chance de ser bicampeão europeu, já que estava em campo na decisão do ano passado, quando o Real venceu o Atlético de Madrid. Além disso, Morata se tornou apenas o quarto homem a marcar gols no Barcelona e no Real Madrid em uma mesma edição de Champions League. O atacante espanhol, que havia marcado contra o ex-clube no jogo de volta da semifinal, se igualou a Jardel, na temporada 1999/2000, e Nedved e Obiorah, em 2002/2003.

Em campo, a Juventus se empolgou após o gol. A vecchia signora passou a acreditar e criar mais, especialmente em jogadas coletivas. O Barcelona assustou. Ter Stegen finalmente começou a trabalhar um pouco, mostrando como o time campeão italiano estava à vontade em campo.

No momento em que era melhor e dono das ações, a Juventus sofreu um duro castigo. Aos 23, Messi puxa um contra-ataque e bate na direção de Buffon, que rebateu. Suárez aproveitou o rebote e fez o segundo do Barcelona.

Foto: UEFA

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O gol recolocou a cabeça do Barcelona no lugar. Com muita objetividade. Dois minutos depois, Neymar fez o terceiro, de cabeça. Mas a bola bateu na mão do brasileiro involuntariamente antes de encontrar as redes e o juiz anulou o lance. Bem anulado, já que sem o desvio na mão, a bola provavelmente iria para fora.

A Juventus seguiu lutando bravamente, mas já não tinha mais forças para reagir. Mas se debateu até o fim, dando trabalho ao Barcelona e perdendo o título com dignidade.

Dignidade que não evitou o terceiro gol, nos acréscimos. De Neymar. Que se tornou o segundo homem a fazer gols em finais de Libertadores (2011) e Champions League, atrás apenas de Crespo, que marcou em 1996, pelo River Plate, e em 2005, pelo Milan. O primeiro a marcar gols nos últimos cinco jogos na competição europeia da história não só do Barcelona, mas do futebol. O primeiro a vencer Libertadores e Champions League fazendo gols na final. O oitavo a ser campeão dos dois torneios, ao lado de Cafu, Dida, Roque Junior, Samuel, Sorín, Tévez e Ronaldinho Gaúcho.

Foto: UEFA

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E que marcou o gol que decretou o apito final. E que colocou Neymar como o artilheiro do torneio com 10 gols, ao lado de Messi e Cristiano Ronaldo. E que provavelmente o colocará ao lado dos dois na disputa de melhor do mundo a partir deste ano.

No fim das contas, um grande jogo. Times com muita vontade de vencer e corajosos, ninguém se acomodou com o placar e ambos buscaram o gol. Quem vencesse, seria merecedor, e quem perdesse, sairia de cabeça erguida.

E o Barcelona chegou ao quinto título europeu, o quarto neste século (2006, 2009, 2011 e 2015, além de 1992). O maior campeão do século XXI. Único time a conseguir duas tríplices coroas (campeão continental, nacional e da copa do país, em 2009 e 2015). Provavelmente com os melhores times do século. Fatalmente com o maior jogador do século.

Foto: UEFA

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Um time que não é apenas Messi, Suárez e Neymar. Não tem como não falar de Iniesta, o primeiro jogador a dar assistências em três finais de Champions League. Ou do multicampeão Xavi, que se despediu do clube com mais um título continental, o seu quarto. Ou de Rakitic, o decisivo, que disputou sua segunda final continental seguida e terminou com o título. Na temporada passada, foi o craque do jogo que deu o título da Europa League ao Sevilla. Um ano depois, decidiu a Champions League para o Barcelona. Faz jus ao fato de vestir a histórica camisa 4 dos culés, que já pertenceu, por exemplo, a Guardiola.

Mesmo a defesa, tão questionada, tem méritos. Daniel Alves, por exemplo, fez grande segunda metade de temporada e merece a renovação de contrato que tanto pede.

E méritos para Luis Enrique. O treinador conseguiu superar os problemas que teve no começo da temporada, quando teve até uma saída especulada após entreveros com Messi e reclamações de Neymar. Conseguiu unir o vestiário e fazer o time crescer demais na hora certa, na hora do mata-mata da Champions e de decidir o campeonato Espanhol. E montou um time que decidiu a Champions League em dois contra-ataques, praticamente uma assinatura do seu trabalho no ano.

Foto: UEFA

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