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Creedence Maniac’s – a banda tributo que honra o legado do Creedence Clearwater Revival

Banda Tributo ou Cover? Essa é a primeira coisa que devemos explicar ao falar de grupos que homenageiam seus ídolos. E a polêmica é simples de se resolver: “O cover precisa ser igual em tudo, cabelo, maquiagem, roupas, instrumentos, enfim, reproduzir ao máximo aquilo que a banda executada fazia… já a banda tributo tem a liberdade de estilos, mas procura executar os sons muito próximos dos originais”, explica o fundador da Creedence Maniac’s, Mauro Proença, em entrevista exclusiva ao Fut’n’Roll. O esclarecimento se faz necessário, já que a trajetória dos dois “Creedences” – o original e os Maniac’s – tem uma forte ligação.

 

O Creedence Clearwater Revival foi uma das bandas de rock de maior sucesso entre os anos de 1960 e 1970. Os californianos, liderados pelo guitarrista e vocalista John Fogerty, conquistaram nove discos de ouro e sete discos de platina. A banda foi criada oficialmente em 1967, mas John, o irmão Tom (guitarra), e os amigos Stu Cook (baixo) e Doug Clifford (bateria) já tocavam juntos desde 1959, com denominações como “The Blue Velvets”, “Tommy Fogerty and The Blue Velvets” e      “The Golliwogs”. Com grandes influências de blues e coutry rock, o Creedence Clearwater Revival foi responsável por criar um repertório quase todo de grandes clássicos do rock. Alguns títulos de maior sucesso são “Susie Q”, “Proudy Mary”, “Have You Ever Seen the Rain”, “I Put a Spell on You”, “Long as I can see the light”, “Rollin’ on the River”, “Green River” entre outros. A banda foi desfeita em 1972 e os integrantes seguiram carreiras solo. Tom Fogerty morreu em 1990, vítima de tuberculose. John Fogerty continua escrevendo sucessos, enquanto Stu e Doug criaram a banda Creedence Clearwater Revisited e se apresentam pelo mundo tocando canções de seu grupo antigo.

Inspirado pelas composições de John Fogerty e os riffs inconfundíveis do Creedence, Mauro Proença, jornalista e músico, decidiu criar uma banda-tributo para homenagear seus ídolos. Nascia assim, em 2012, o Creedence Maniac’s. “Sempre tive o mesmo objetivo: Fazer quem assistir a um show nosso, que possa “fechar os olhos” e ouvir uma coisa muito próxima daquilo que foi o Creedence original… queria algo que “soasse” o mais próximo possível do original, porém, com uma qualidade musical quase perfeita”, explica Mauro.

 

Perfeccionista, Mauro tem atingido com méritos seus objetivos. Prova disso é a agenda da banda, que se apresenta de quatro a cinco vezes por mês, principalmente em motoclubes e bares de rock espalhados por todo o País. Mas ele sabe que os desafios na carreira musical são enormes no Brasil. “Eu diria que fazer música “boa” em nosso país, é tarefa árdua. Fazer cover no Brasil é complicado… em grandes casas de shows, às vezes preferem até “importar” bandas cover da Europa e EUA, pois são “gringas” e chamam mais atenção”, explica.

 

Confira agora a entrevista na íntegra com Mauro Proença, líder da banda Creedence Maniac’s e curta um pouco do som dos caras, que realmente vale a pena! Vale aqui um agradecimento ao amigo Daniel Augusto Jr., que foi quem me apresentou o trabalho dos Maniac´s.

 

Fut’n’Roll – Como surgiu e há quanto tempo existe o Creedence Maniacs?

Creedence Maniac’s – A banda surgiu de um desejo antigo meu sempre fui um fã apaixonado de John Fogerty e Creedence Clearwater Revival, já tive diversas bandas, sempre tocando as mais diversas bandas e estilos. Desde o classic rock, Pop e blues, porém, o desejo de fazer uma banda que homenageasse a carreira do CCR e Fogerty era o principal objetivo.

Após cinco anos de pesquisas sobre quais bandas (cover do Creedence) existiam e a qualidade sonora, cheguei a uma conclusão daquilo que queria fazer, dessa forma, surgiu a Creedence Maniac´s, queria algo que “soasse” o mais próximo possível do original, porém, com uma qualidade musical quase perfeita, isso começou em Junho de 2012.

 

FnR – Quem são os integrantes?

CM – Os atuais integrantes são:

Mauro Proença – Guitarra e vocal principal

Sergio Person – Guitarra e backing vocals

Thiago Martins- Guitarra

Robson Duarte – Contrabaixo

Conrado Soares – Bateria

 

FnR – A formação da banda é a mesma desde o início?

CM – A banda passou por algumas mudanças, foram três desde que fundei a banda.

Foto: Lobão Martins

 

FnR – O que vocês planejam para a banda? Aonde querem chegar?

CM – Desde que pensei em criar uma banda que prestasse um tributo ao Creedence e a John Fogerty, sempre tive o mesmo objetivo: Fazer quem assistir a um show nosso, que possa “fechar os olhos” e ouvir uma coisa muito próxima daquilo que foi o Creedence original. Terem a sensação e satisfação ao nos ver e ouvir, por isso até nos figurinos eu sempre me preocupei, pesquisando e buscando o melhor desempenho no palco. Vejo algumas bandas que se “auto-intitulam” o “melhor cover disso, melhor cover daquilo”, não pretendo ser a melhor só na conversa “pra fora”, mas desejo que a banda seja aquela que sempre esteja tocando e reconhecida (pelo menos nacionalmente), como uma das melhores.

 

FnR – Como é a rotina de ensaios e shows de vocês? Tem uma casa que costumam se apresentar com frequência?

CM – Os ensaios são feitos mensalmente, pois na verdade tocamos em média de 4 a 5 shows por mês, e isso nos possibilita sempre um bom entrosamento diretamente no palco.

O público que mais ama o som que nós fazemos (Creedence) são os motociclistas, então é natural nos encontrar sempre em festas de motoclubes, além de bares de rock em geral. Sempre viajamos pelo Brasil e interior de São Paulo.

Um dos locais mais comuns para tocarmos é o Pepe Rock Bar, na Mooca, esse bar é sede do Pepe Legal Motoclube e o proprietário (Ricardinho) é um grande amigo da banda. Fora que o público de lá (Pepe Rock Bar), adora nosso som, é certeza de casa cheia!

 

FnR – Muita gente diz que ter uma banda cover te limita a “apenas” reproduzir versões dos originais e não permite a criação de novas composições. O que você pensa sobre isso?

CM – No nosso caso, cabe esclarecer que não somos uma banda cover, somos um tributo ao Creedence. Existe uma diferença entre o cover e o tributo.

Nesse caso, temos a liberdade de executar os sons do CCR numa “pegada” mais pesada, bem próximo daquilo que o fundador e líder do Creedence, John Fogerty, faz atualmente.

O cover precisa ser igual em tudo, cabelo, maquiagem, roupas, instrumentos, enfim, reproduzir ao máximo aquilo que a banda executada fazia isso demanda muita coisa, sendo assim, optei em ser mesmo um tributo.

Mas quero deixar bem claro que, apesar de sermos tributo, conseguimos ser quase tão iguais que muita gente nos chama de “Creedence cover”, pois tocamos bem igual, usamos figurinos parecidos, instrumentos. Porém, algumas diferenças são notadas, tais como: Ao invés de quatro integrantes (conforme o CCR original), somos cinco, além disso, o meu baixista e baterista, por exemplo, teriam que usar peruca, seria muito caricato!

Sobre fazer novas composições, eu sempre desejei, mas infelizmente a “cena” do rock brasileiro não é muito propicia a isso, mas se eu tivesse que escrever algo e musicar, seria algo mais influenciado pelo southern rock e country music.

Mauro Proença, líder do Creedence Maniac´s. Foto: Divulgação

 

FnR – Existem algumas bandas de cover que inovaram e desenvolveram um estilo próprio dentro do repertório original, umas foram muito bem-sucedidas e outras, nem tanto. Pelo o que eu acompanhei do trabalho de vocês, a ideia é manter o mais próximo do original possível. É isso mesmo? Cover é cover ou dá pra fazer variações sem que o público reclame?

CM – Olha… Você já respondeu a essa pergunta, porém, devo acrescentar que uma pessoa que vai a um show nosso, deseja ver e ouvir algo bem próximo daquilo que o Creedence fazia, sendo assim, é difícil tentar “inventar” algo, o que eu procuro colocar de “pessoal” nisso tudo, são os papos ao vivo com o público (eu conto fatos marcantes sobre o CCR as efemérides, por exemplo), e nosso posicionamento em palco.

 

 

FnR – Quais os principais desafios que os músicos que fazem cover enfrentam na carreira?

CM – Os desafios são vários, porém, um que vejo como o principal e mais cruel é recorrente. Tratam-se dos músicos que vivem única e exclusivamente da música, e que por conta disso criam inúmeras bandas, eu explico:

Comummente encontramos músicos que têm em sua rotina diversas bandas cover, um cara que toca Led e faz um cover de Purple e Kiss, pois a “linhas” são um tanto próximas. Já vi guitarristas que tem covers de Doors, Beatles e Creedence, ou seja, o cara vende três shows a um preço módico, já que tanto integrantes quanto equipamentos serão um só. Isso é uma concorrência desleal, pois eu me concentro somente em fazer o tributo ao CCR, porém, alguns bares ou casa de shows se tronam “cúmplices” desse tipo de postura.

Enfim, eu faço o que amo com a alma e o coração, tem um preço às vezes mais caro, porém, a qualidade é muito superior.

 

FnR – No Brasil, onde viver de música é uma tarefa árdua, é mais complicado fazer covers ou ter uma banda nova com composições próprias?

CM – Eu diria que fazer música “boa” em nosso país, é tarefa árdua, fazer cover no Brasil é complicado em grandes casas de shows, às vezes preferem até “importar” bandas cover da Europa e EUA, pois são “gringas” e chamam mais atenção!Geralmente em bares menores a galera quer mesmo é ouvir os covers de suas bandas prediletas, uma banda autoral nesses bares sofre por demais.

 

Agenda Creedence Maniac’s – Maio 2015:

09/05 – 22HS – Esqueletos MC – Vegas Beer – Franco da Rocha – SP
23/05 – 21HS – Pepe Legal MC – SP
24/05 – 17HS – Dorme Suju´s – SP
30/05 – 21HS – Friend Bikers – Anápolis – Goiás

 

 

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Um pensamento sobre “Creedence Maniac’s – a banda tributo que honra o legado do Creedence Clearwater Revival

  1. eu sempre falei que o trabalho de vocês, está bem próximo do original.e agora comparei esse: i put spell on you e olha!! pasmei com a semelhança.achei vocês até um pouquinho mais ousados.parabéns Mauro Proença Sérgio Person Thiago Martins Robson Duarte Conrado Soares.vocês são de mais:

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