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Bikini Hunters lança CD e agita o cenário Punk-Rock gaúcho

Os fãs do punk-rock podem comemorar a chegada de mais uma banda no cenário nacional. Formada em 2006, em Veranópolis, na serra gaúcha, a Bikini Hunters lança seu primeiro álbum e começa a moldar a personalidade própria da banda, muito influenciada pelo trabalho dos Ramones. “Aquele punk rock ramônico acrescido das novas influências resultaram em um disco descontraído, uma salada de frutas com pimenta, onde se encontram letras que falam desde um improvável encontro com a namorada de Dee Dee Ramone até Hot Rods e noites de diversão”, explica o guitarrista Artur Pirocca, em entrevista exclusiva ao Fut’n’Roll.

Capa do CD Bikini Hunters. Foto: Divulgação

 

A banda é formada hoje por Davi, na batera, Lenon, no baixo, e Pirocca, na guitarra e vocal. Da formação original apenas Pirocca segue até hoje. A Bikini tinha Vini e Gordo completando o trio. Vini, inclusive foi o idealista do nome inusitado para o grupo. “Ele morava nos EUA, trocamos muitos emails e estávamos em uma onda de ouvir bandas do estilo bubblegum… com estas influências surf chegamos a esse nome que carrega uma sem vergonhice e descompromisso que era bem o que queríamos da banda na época, diversão e, claro, algumas queridas”, explica o guitarrista.

 

E se Punk significa atitude, isso não falta ao pessoal da Bikini Hunters. Graças a um email que o Pirocca mandou para agnt, ficamos conhecendo o som dos caras e resolvemos compartilhar com vocês.

 

Acompanhem a entrevista na íntegra e curtam o som que está chegando. No bate-papo também falamos de futebol, da idolatria e o efeito que Tite tem na cidade de Veranópolis e até fomos atrás das origens pentacolores do VEC.

 

Apreciem sem moderação!

 

Fut’n’Roll – Vamos começar do básico. De onde surgiu o nome da banda?

Pirocca – O nome foi coisa minha e do Vini (primeiro baterista da banda). Quando ele morava nos EUA, trocamos muitos emails e estávamos em uma onda de ouvir bandas do estilo bubblegum (quase todas elas são punk rock com um pézinho na surf music). Com estas influências surf (e outras mais diretas, como beach boys e ventures) chegamos a esse nome que achamos engraçado. Ele carrega uma sem vergonhice e descompromisso que era bem o que queríamos da banda na época, diversão e, claro, algumas “queridas”.

 

FnR – Conta um pouco a história musical de cada um dos integrantes.

Pirocca – Bicho, eu toco guitarra desde os nove anos de idade e sempre fui muito influenciado por Ramones, os vocais vieram por consequência. Montei minha primeira banda naquela época e como éramos novos e pouca gente sabia ou tinha vontade de tocar, os outros integrantes da banda me “delegaram” (ou obrigaram) a cantar. Peguei gosto pela coisa e dou meus berros até hoje.

 

O Davi tem uma técnica incrível. Acho ele o maior músico da banda. Mesmo gostando bastante de Ramones, ele também é ligado no hardcore e no rockabilly, acho que isso contribuiu pra ele se tornar bom no que faz. Depois que ele entrou na Bikini ficou meio folgado e adora dizer: “Pirocca, depois que comecei a tocar contigo, minha técnica entrou em declínio eterno.” Hehehehe levo isso como um elogio! Ele aprendeu a tocar rock de verdade, reto e sem muita frescura!

 

O Lenon é o cara das composições. Por ter influências mais pesadas como Motorhead e Nirvana, ele deu uma quebrada no ritmo punk rock da banda, e acho que foi isso que deu a cara que a Bikini precisava para fugir da sombra dos Ramones.

 

O Davi e o Lenon já haviam tocado juntos em outras bandas e fico bastante feliz de atualmente ter esses dois grandes amigos ao meu lado. Se eles não tivessem aparecido na hora certa, com o gás todo, a Bikini nem existiria mais.

foto: Divulgação

 

FnR – Pirocca, você é o único remanescente da formação inicial da banda. O que mudou no som de vocês desde começo até hoje?

Pirocca – Acredito que no início da banda a coisa era bem simples, o som da Bikini naquela época era bastante semelhante ao dos Replicantes (deve ter algumas coisas perdidas pela internet, gravamos, em estúdio, três canções em 45 minutos hehe). Eram três acordes sem pensar muito. Tanto o Davi quanto o Lenon trouxeram influências diferentes para a banda e isso agregou muito para o sons próprios. Hoje caprichamos até o som ficar do jeito que queremos, até buscamos uma força de amigos talentosos e com uma visão de fora da banda. As sugestões são sempre válidas (mesmo que algumas vezes descartadas); o Akiro é uma destas pessoas que contribui com a gente, é um dos melhores guitarristas que conheço e fiz questão de levá-lo junto nas gravações, para me dar confiança e gravar alguns sons junto com a Bikini.

 

FnR – Quais as principais influências nas composições de vocês?

Pirocca – A gente fala um pouco de tudo. O Davi gosta muito de carros antigos e algumas músicas falam disso, o Lenon é um resmungão e temos algumas músicas xingando nossas rotinas e eu gosto de músicas divertidas, que falam desde garotas até noitadas por aí.

 

 

FnR – Fala um pouco do CD que acabaram de lançar (principais músicas, agenda de shows, turnê de lançamento, onde o público de outros estados pode encontrar o trabalho de vocês, etc)

Pirocca – O cd é um orgulho pra nós, ficou muito além do que esperávamos. Foram três dias intensos de gravações e nada mais. Optamos por gravar rápido, sem ficar pimpando ele demais e acabando com um resultado artificial. Cada música tem sua peculiaridade e influência, recomendo ouvir uma por uma, na ordem do disco, vale a pena ver as nuances, dá até para perceber as músicas que foram feitas antigamente e as que são mais recentes.

 

A gente está tocando com bastante frequência em Veranópolis. Como o disco saiu completo só essa semana, apenas agora temos material legal para marcar alguns shows e apresentarmos nosso trabalho da maneira que queremos. Até então, vínhamos tocando só em Veranópolis, mas ao lado de grandes bandas do underground de Porto Alegre (e grandes influências musicais para nós), que conheceram o nosso trabalho depois que divulgamos alguns sons do disco na internet. Motor City Madness e Os Torto foram alguns destes parceiros, sem contar em todas as bandas aqui da região mesmo.

 

Em maio vamos tocar no possível maior festival da história do punk no Rio Grande do Sul, o Morrostock Pampa Punk. Vamos estar ao lado de bandas históricas como Cólera, Flicts, Dzk e até bandas do Uruguai e Israel. O convite veio do nada e nos surpreendeu muito, mas aceitamos de cara, pois vai ser uma experiência incrível e esperamos fazer o nosso show de sempre, repleto de distorção e energia.

 

Pra falar com a gente é só mandar mensagem no Face, várias bandas encontraram a gente lá e agora estamos organizando shows juntos. Sem contar no pessoal que veio bater um papo para adquirir a versão física do disco e acabamos fazendo amizade. Esse contato é muito legal, já temos discos e amigos em vários cantos do país.

 

FnR – Vocês têm contrato com alguma gravadora ou fazem um trabalho independente?

Pirocca – Fizemos toda correria sozinhos. No início não tínhamos muita pretensão e a banda acabou dando várias pausas e com essa formação não foi diferente durante algum tempo. Até que chegou um momento que olhávamos uns para os outros e falávamos “acho que já passou da hora de criarmos vergonha na cara e gravarmos alguma coisa, nem que seja para registro próprio”. E aí juntamos todas as moedinhas, nos largamos pra Porto Alegre e fizemos o disco com o incrível Davi Pacote.

foto: Facebook

 

FnR – Temos falado com muita gente boa do Sul do País. Como vocês analisam o cenário musical no Sul, seja no rock, no punk, no blues?

Pirocca – Acho que o rock é muito forte aqui. Mesmo em Veranópolis (cidade com 22 mil habitantes) existem muitaaasss bandas de rock e não conheço nenhuma de outro estilo. Claro que indo para cidades maiores se encontra todo tipo de música e isso é muito legal! Sou um grande apreciador da música e, por isso, me meto em todos os tipos de buracos (isso vai dar alguma piada com meu nome) que esteja rolando algum som. Gosto de analisar todas as bandas e estilos e analisar o que acho que elas estão fazendo de bom e onde estão errando. Com essa mania, já vi muita coisa boa e também muita coisa supervalorizada (mesmo bandas pequenas, mas com algum destaque na região). Além disso, acredito que a coisa vai muito além das bandas que aparecem na grande mídia, e isso é legal, porque dá para perceber que, atualmente, todas as bandas que fizerem um som honesto terão algum espaço por aí, serão reconhecidas, como agora, vocês dando uma força para uma banda que não conheciam.

 

FnR – Quais os objetivos a longo prazo de uma banda nova no cenário como vocês?

Pirocca – Pode parecer pretencioso, mas gostamos tanto do esquema de gravar o disco que um dos principais assuntos dentro da Bikini é a possibilidade de fazer um segundo álbum. A venda dos discos está indo surpreendentemente bem e assim que conseguirmos vamos gravar coisa nova.

 

Acho que no mais, é sair tocando em todo o canto que tivermos chance, divulgar o nosso trabalho e nos divertir o máximo possível. As coisas estão acontecendo além do esperado, tem muita gente que é referência para nós e que está elogiando o nosso som, muita gente conhecendo o som (foram dois mil plays em dois meses só no soundcloud e isso que surgimos do nada e fomos lançando as músicas aos poucos), muita gente procurando o disco, então, estamos apenas curtindo todo esse bom momento da banda e seguindo em frente.

 

FnR – Falando um pouco de futebol. Todos os integrantes são torcedores do Veranópolis?

Pirocca – Eu e o Lenon torcemos pro VEC, o Davi não curte muito futebol. Atualmente, eu vou para os jogos que posso, mas fico só na banqueta do estádio comendo amendoin e dando risada das bizarrices que os tiozinhos gritam (talvez eu esteja me tornando um deles! ehhehe). Já o Lenon vai na torcida, canta e apoia o time em todos os jogos. Uma curiosidade legal é que o Lenon entrou na banda no meio de um jogo do VEC! A banda estava parada há um tempo depois da saída do Gordo e como eu fazia parte da torcida também, convidei o Lenon e ele topou… agora o resultado e o jogo, só joey sabe! ehehe

VEC

Uniforme pentacolor do VEC. Foto: Arquivo Pessoal

 

FnR – Uma curiosidade: por que o time resolveu incorporar tantas cores?

Pirocca – Cara, essa tive que pedir para um guru espiritual (tenho um amigo, Cassiano, que é historiador e fanático pelo VEC). Segundo ele, existiam dois times semiprofissionais na cidade, o Dalban e o Veranense. Aí eles se juntaram, mas como já havia a rivalidade e ninguém podia ficar descontente, o presidente da época (Alindo Gastão Giusti) juntou o verde do Dalban com o vermelho e o azul do Veranense. Não bastasse isso, ele botou a cor branca (presente nas duas camisetas) e o amarelo (esse cara não tinha limites bicho!!!), cor da bandeira da cidade. Resumindo, o time virou pentacolor e a torcida parece uma parada gay, mas tá valendo!

 

FnR – O Tite é um dos maiores técnicos da história do Corinthians e foi ele o treinador da conquista da segunda divisão do Gaúcho em 1993, quando o VEC voltou para a elite do futebol no estado. O que representa o Tite para a torcida do Veranópolis?

Pirocca – O Tite foi muito importante para a história do Veranópolis e é bastante querido na cidade. Lembro que quando o Corinthians ganhou o mundial teve passeata em Veranópolis (o goleiro Cássio também é de lá e tem muitos familiares que ainda moram na cidade). Veranópolis é pequena, mas barulhenta, só astros! A Bikini continua sendo apenas barulhenta hehhe.

O legal é que depois que o Tite foi campeão pelo VEC, o time jamais voltou a série B do gauchão (acho que é um dos poucos times que consegue isso até hoje).

Tite, no destaque, comandou o título que levou o VEC à primeira divisão do Campeonato Gaúcho, em 1993. Foto: Getty Images

 

 

Tite comemora título com o Veranópolis em 1993. Na foto à direita, o goleiro Cássio, hoje também no Corinthians, agachado, participa da festa dos jogadores. Foto: Burno Thadeu/UOL

 

FnR – E o que esperar do VEC na atual temporada?

Pirocca – Rapazzz, esse ano está triste. Tem jogador do VEC que não consegue pegar time no meu jogo de quinta-feira à noite que só tem bebuns e gordinhos. Acho que se o VEC me descobre e me contrata eu resolvo a situação lá, porque está feia a coisa! hehehe. Na penúltima rodada saímos da zona de rebaixamento, mas ainda estamos à perigo, mas tudo bem, torcedor é aquela coisa, ainda acredito que o VEC tenha chances até de classificação! Talvez esse ano o time seja campeão do gauchão, ano que vem do brasileiro, no outro da libertadores e mundial…. e os Stones vão abrir um show da Bikini Hunters no estádio Antônio David Farina.

 

FnR – Sensacional! Parabéns pela coragem de correr atrás dos objetivos da banda e obrigado por ter nos procurado para mostrar o trabalho de vocês.

Pirocca – Um obrigadaço ao pessoal do Fut’n’Roll. Ouçam a Bikini Hunters no volume máximo! Entrem em contato com a gente lá no Face, cutam a página e apreciem esse baita blog que tem os assuntos mais fodas do universo. Rock e futebol! VAMOSSSSSSS NÓÓÓÓÓÓÓÓSSSSSSS!

 

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