Brasileiro/Futebol

A eterna ignorância do primeiro semestre

Um fato muito curioso se apossa não apenas dos torcedores, mas de parte da crônica esportiva no primeiro semestre. Seja para alavancar a audiência, garantir o bate-boca da semana, polemizar em cima de assuntos natimortos ou por pura e simples inaptidão (que chega a beirar a candura se não fosse sorumbática), uma leva da ‘imprensa especializada’ cria verdades absolutistas ignaras.

Eleva mediocridades ao panteão dos intocáveis e defenestra o resto que não apresenta resultados imediatos.

Santos, Vasco, Botafogo… Apenas para ficar no eixo Rio-São Paulo, estes exemplos sintetizam alguns absurdos bradados aos 4 cantos do jornalismo escrito, falado e assistido. Não sou cego e é óbvio que o time da Baixada realiza a melhor campanha do Paulistão (?) por causa do futebol eficiente apresentado até o momento. Não obstante, apesar do empate contra o São Paulo e da vitória diante do Palmeiras, o Alvinegro praiano possui um elenco limitado. O time é bom, mas excetuando Robinho, Geuvânio, Gabriel (Gabigol deveria ser proibido para um jogador que despontou no profissional há pouco tempo) e Thiago Ribeiro, a mediocridade é uma realidade. Tem um Renato já mais próximo do ocaso da carreira, aos 35 anos, do que perto dos seus melhores momentos – que foram ótimos, diga-se de passagem. Elano, 33 anos, que foi se esconder no futebol indiano, no Club Chennai, e acabou ressuscitado pela diretoria santista, muito pelos problemas financeiros do clube, firmou um contrato válido até o término do Estadual. Assim como o atacante Ricardo Oliveira, perto de completar 35 anos.

Serei justo: os dois tem jogado bem. Mas a efemeridade dos acordos de ambos mostram a confiança dos dirigentes no rendimento da dupla.  Por mais que consigam prolongar o vínculo para o restante da temporada, fica evidente que eles não podem ser encarados, ao lado de Robinho, como a referência técnica e os artífices de uma equipe que enfrentará um longo e difícil Brasileirão, intercalado pela Copa do Brasil. Mas o que é um elenco limitado passou a ser vociferado como um grupo de qualidade e homogêneo por uma parcela dos ‘especialistas’. Tudo por causa da melhor campanha entre todos aqueles que disputam o Paulistinha. É necessário muito mais para um clube da grandeza do Santos, que ficará numa posição intermediária no Brasileirão, no máximo, se não trouxer reforços de qualidade.

O Vasco é mais um expoente da seleta classe de ‘bestiais fugazes’. Bastou uma campanha boa na primeira fase do Carioca para todos os problemas terminarem. O que antes era um conjunto com deficiências, amparado por jogadores rodados – vide o zagueiro Rodrigo, 34 anos – e perto de pendurar as chuteiras – olá, Guiñazú 36 anos –, agora é um esquadrão harmonioso, cuja cereja do bolo foi a chegada do atacante Dagoberto, que compõe a poderosa e mortal dupla ofensiva cruzmaltina ao lado do matador Gilberto. Com o atual plantel, o time de São Januário vai brigar contra o rebaixamento no Nacional.

O Botafogo? O que exprimir quando a dupla de ataque é composta por Jóbson e Bill e a equipe é tratada pela imprensa como a andarilha da redenção após vitórias e goleadas conquistadas contra as perigosas agremiações do interior do Estado fluminense?

Dormir até o começo do Brasileirão tornar-se-á cada vez mais atrativo. Pelo menos neste torneio a ruindade não fica velada e ninguém é enganado. Ou não consegue fingir que é.

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