Entrevistas/Música/Rock

Anthares lança o disco “O Caos da Razão”, resgatando as origens do Thrash Metal nacional

A batera pesada e acelerada, os riffs alucinados, os vocais rasgados e agudos, e letras com temas críticos e de comportamento humano. Tudo isso aliado à paciência possibilitou à banda de Thrash Metal Anthares comemora os 30 anos de sua criação com o lançamento do seu segundo álbum, depois de alguns anos juntando as composições e conciliando a agenda de gravações com os inúmeros shows que fizeram parte da rotina do grupo desde 2008. O trabalho foi intenso e a jornada, extensa, mas o resultado foi sensacional. “O Caos da Razão” é digno dos grandes nomes do metal.

Foto: Divulgação

 

O público pode esperar muita porrada, um Thrash Metal puro, mantendo as raízes dos anos 80, porém ao mesmo tempo sendo bastante atual. O Caos da Razão representa com bastante fidelidade o que foi o Anthares desde o período pós-lançamento do primeiro álbum, No Limite da Força, até hoje, já que conseguiu reunir ideias dos anos 80, 90 e composições recentes”, explica o guitarrista Maurício, em entrevista exclusiva ao Fut’n’Roll.

 

A banda Anthares foi criada em 1985. Dois anos depois lançou seu primeiro disco “No Limite da Força”, que fez muito sucesso no cenário underground paulista. Como acontece em muitas bandas, divergências sobre rumos profissionais e interesses pessoais provocaram algumas mudanças na formação da Anthares. Nos anos 1990, o grupo apostou em músicas em inglês, mas as composições em outra língua não duraram muito e, em 1996, a banda resolveu “dar um tempo”. “(cantar em inglês) foi uma tendência que dominou a cena metal brasileira no final dos anos 80, após a explosão mundial do Sepultura. Nessa época, quase todas as bandas passaram a cantar em inglês. Quando voltamos em 2004, decidimos voltar às origens, cantando em português”, explica Maurício.

 

Depois de oito anos separados, os integrantes da Anthares se reencontraram em 2004. Em 2008, com a chegada do vocalista Diego, a banda Anthares encontrou a formação ideal, que conta ainda com o baterista Júnior, o baixista Pardal e os guitarristas Topperman e Maurício. E desde então “O Caos da Razão” começou a ganhar corpo. O disco, que terá o selo da gravadora Mutilation Records, será lançado em um show em abril, no Hangar, em São Paulo.

Confira a entrevista na íntegra e se prepare para balançar a cabeça ouvindo o som pesado da banda Anthares.

Pardal e Maurício. Foto: Divulgação

               

Fut’n’Roll – A banda foi criada em 1985, mas passou por algumas mudanças até a atual formação. Como foi esse período de transição?

Maurício – A principal mudança foi no final dos anos 80, com a saída do vocalista Poço e dos dois guitarristas (Christian e Aranha). A substituição dos guitarristas foi estável já que o Topperman entrou em 89, eu em 91 e ficamos até hoje. O posto de vocalista teve mais mudanças, já que o Renato ficou de 91 à 96 e o Frank de 2004 a 2006. O Diego entrou no fim de 2008 pra valer, já que se mantém até hoje. A cozinha (bateria Evandro Jr e baixo Pardal) se mantém desde os primórdios.

 

FnR – Depois do sucesso do primeiro disco vocês ficaram quase dez anos afastados. O que motivou a remontagem da banda?

Maurício – Em 2004 recebemos do Frank o convite para fazer uma apresentação única, como na época o último vocalista (Renato) estava morando no exterior, o próprio Frank assumiu os vocais. Essa apresentação no extinto Magic Bus em São Paulo nos motivou a voltar, já que o reconhecimento do público superou nossa expectativa, tanto que entre 2005 e 2006 continuamos fazendo shows. Com a entrada do Diego em 2008, decidimos que deveríamos nos organizar para começar a pensar em um novo álbum.

 

 

FnR – A ideologia da banda é a mesma de 30 anos atrás?

Maurício – Sim, principalmente com relação às letras, já que continuamos abordando sempre temas críticos e de comportamento humano no conteúdo das letras. Além disso, sempre tocamos por prazer, mantemos a banda porque gostamos de tocar e não temos grandes pretensões financeiras, assim como era nos anos 80.

 

FnR – Naturalmente, houve um amadurecimento pessoal e musical de todos. Hoje a banda Anthares vive a sua melhor fase?

Maurício – Eu acredito que sim. Temos feito shows com frequência desde 2008 com a entrada do Diego, o que tem nos trazido bastante entrosamento, e a gravação do disco nos ajudou bastante tecnicamente, pois tivemos que nos preparar bastante para a concretização do álbum o Caos da Razão. Esse amadurecimento também tem nos motivado bastante e já estamos planejando o futuro, pois queremos dar continuidade à história da banda.

 

FnR – Quais são as principais influências no som de vocês?

Maurício – Nossas influências são as principais bandas de Thrash Metal mundial, eu destaco o Exodus e o Slayer como principais bandas que sempre nos influenciaram.

 

FnR – Falando sobre esse novo álbum, o que o público pode esperar? Como foi o processo de composição das letras?

Maurício – O público pode esperar muita porrada, um Thrash Metal puro, mantendo as raízes dos anos 80, porém ao mesmo tempo sendo bastante atual. O Caos da Razão representa com bastante fidelidade o que foi o Anthares desde o período pós-lançamento do primeiro álbum, No Limite da Força, até hoje, já que conseguiu reunir ideias dos anos 80, 90 e composições recentes. As letras são escritas principalmente pelo nosso batera Evandro Júnior, em duas músicas eu ajudei na composição e uma das letras foi escrita pelo antigo vocalista, Henrique Poço, que até hoje é nosso grande amigo e nos apoia bastante. Já a composição das músicas teve a contribuição de todos.

 

FnR – Quantas músicas terá o disco? São todas em português?

Maurício – Serão 10 músicas e todas em português:

Sementes Perdidas

Ócio

O Caos da Razão

No Poço do Obscuro

Dor Imortal

Mercador da Fé

Pesadelo Sul-Americano

Sonho Negro

Corporação do Terror

Canibal

 

FnR – Há quanto tempo vocês estão trabalhando no disco? Vai ser lançado por qual gravadora?

Maurício – Há bastante tempo!!! Quando retomamos as atividades em 2004 não tínhamos grandes pretensões e ainda não estávamos pensando em gravar um álbum, de qualquer forma, naquela época já incluímos 3 músicas do álbum Caos da Razão no nosso setlist de show: Sementes Perdidas, que havia sido composta logo depois do No Limite da Força, e Canibal e Mercador da Fé, que fizeram parte da demo 93 e foram reformuladas para português. Após a entrada do Diego em 2008, começamos aos poucos a compor as músicas e incorporamos duas ideias dos anos 80/90 que foram reformuladas para fazer parte do novo álbum: Sonho Negro e Corporação do Terror. O álbum será lançado pela gravadora Mutilation Records. As gravações começaram em abril de 2013, fomos gravando aos poucos, alternando com os shows, de acordo com nossa disponibilidade de tempo e financeira, dando bastante atenção a todos os detalhes até concluirmos em agosto de 2014.

 

FnR – E já tem uma turnê para esse álbum?

Maurício – Estamos marcando os shows. O show de lançamento do álbum será dia 11/4/15 no Hangar em São Paulo. Depois disso, pretendemos tocar bastante para divulgar o álbum.

 

FnR – Pensam em gravar um DVD?

Maurício – Sim! É uma ideia que sempre conversamos a respeito, temos muito material em vídeo gravado e uma história muito rica que pode ser incluída num DVD, que certamente ficaria bastante interessante. No momento, temos um DVD que foi gravado ao vivo quando tocamos no Festival Visions of Rock em Caruaru/PE em 2012 e que ficou bem legal.

 

FnR – Houve um tempo que a Anthares apostou em músicas em inglês, pensando no mercado externo. Como anda esse projeto de internacionalização?

Maurício – Essa foi uma tendência que dominou a cena metal brasileira no final dos anos 80, após a explosão mundial do Sepultura. Nessa época, quase todas as bandas passaram a cantar em inglês. Quando voltamos em 2004, decidimos voltar às origens, cantando em português, o que é bastante comum hoje em dia. Até pretendemos divulgar o nosso trabalho no exterior, mas continuaremos com as músicas cantadas em português. Acreditamos que a língua não é mais um empecilho para divulgação no exterior e, em alguns casos, pode até ser considerado um diferencial.

 

FnR – Vocês têm feito shows fora do País? Qual a diferença do público daqui e o de fora?

Maurício – Até o momento não fizemos shows no exterior. Quem sabe pode surgir uma oportunidade com o lançamento do novo álbum. Certamente o público é bastante diferente em cada lugar do mundo, com as características próprias de cada país ou continente, mas, com certeza, em qualquer canto do planeta, quem gosta de metal é movido pela paixão, o que faz com que tenhamos afinidade graças ao nosso interesse comum: o metal!!!!

 

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