Brasileiro/Futebol

Torcida única não é a solução para a violência no futebol

O Dérbi deste domingo pelo Paulistinha 2015 será histórico. Para o bem e para o mal. Será o primeiro duelo entre Palmeiras e Corinthians no Allianz Parque, o reencontro entre os dois técnicos campeões mundiais pelo Timão. Mas também pode ser o primeiro clássico dos maiores rivais do Estado com torcida única no estádio. Pode ser porque o Ministério Público determinou que não sejam liberados ingressos para os corinthianos, mas o time promete recorrer da decisão na Justiça, mas a chance de a nova Arena palmeirense estar repleta da torcida mandante é enorme. A ameaça de brigas marcadas pela Internet e vandalismo no estádio e nos arredores dele colocam as autoridades em alerta e a Federação Paulista de Futebol já estudo tornar a experiência uma regra para todos os clássicos do Estado.

 

Tudo bem que a violência entre os vândalos organizados é grande. As notícias sobre brigas e mortes são constantes. Mas daí a dizer que fazer um jogo com uma torcida é a solução é um absurdo. Na verdade, a determinação é um atestado coletivo de incompetência, seja das autoridades que deveriam oferecer a segurança à população, seja da Federação e dos organizadores do cada vez mais bisonho Campeonato Paulista. A situação também mostra o quão atrasada está a nossa sociedade, que não aceita e não sabe conviver com as diversidades, que é intolerante com o diferente, que não respeita o direito do próximo torcer por um time que não seja o seu. A prática de torcidas únicas nos estádios tem sido adotada em outros lugares. Em Minas Gerais, um jogo é só Cruzeiro e no outro, Galo. Na Argentina, a medida também é regra desde 2013, ano em que foi registrado o maior número de mortes nos estádios. Na Turquia e na Grécia os torcedores não podem mais festejar clássicos e compartilhar as arquibancadas com os adversários. Inicialmente, a ocorrência de brigas dentro dos estádios diminui, mas não acaba, já que existe também a rivalidade entre torcidas do mesmo time. (Oi?!) Lamentavelmente, para alguns bandidos, o que importa não é o futebol, o esporte, torcer por Corinthians, Palmeiras, Boca, River, Galatassaray, Besiktas, Olympiacos ou Panathinaikos. O importante é ser Gaviões ou Camisa 12. Mancha ou TUP, etc.

Eu cresci vendo os clássicos do futebol com estádios divididos. Não cheguei a vivenciar o tempo de meu avô, por exemplo, em que torcedores de times diferentes ficavam lado a lado. Mas era lindo ver um lado da arquibandacada em preto e branco e outro em verde e branco. Existiam brigas, sim, mas as torcidas faziam festas extraordinárias, com bandeirões, rojões, faixas. Era um clássico à parte. Os gritos e cânticos se alternavam. E seria impossível de imaginar o silêncio em um Morumbi com mais de cem mil pessoas após um gol, independentemente de qual fosse a cor da camisa do time. Um Dérbi com torcida única, por exemplo, pode ter nas modernas arenas de hoje um público de 45 mil pessoas, mas com a fúnebre comemoração de um gol. Seja neste domingo, no Allianz Parque, seja no futuro, na Arena Corinthians… R.I.P.

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