Brasileiro/Futebol/Latinoamericano

Sheik, o Libertador

04 de julho de 2012. Émerson Sheik tem atuação de gala, marca dois gols, provoca os adversários, chama a responsabilidade e ajuda o Corinthians a conquistar sua primeira Libertadores. Depois desta data, o futebol do atacante caiu drasticamente e ele nunca mais teve havia repetido uma partida quase perfeita como aquela. Pelo menos até o dia 04 de fevereiro de 2015. Nesta quarta-feira, Sheik resolveu sair do purgatório e mostrou mais uma vez que jogo decisivo é com ele. Como se tivesse permanecido num limbo nos últimos dois anos e meio, renasceu das cinzas e, aos 36 anos de idade, foi fundamental para o Corinthians ficar muito perto da vaga na fase de grupos da mesma Libertadores este ano. Contestado, afastado, emprestado. Assim era visto o camisa 11 até o ano passado, quando teve o contrato com o Botafogo rescindido por indisciplina. Tite, quando reassumiu o Corinthians, disse que contava com o futebol do atacante. E precisando mostrar serviço para ter o contrato com o Timão renovado (vence em julho), Émerson foi pro pau e teve atuação de destaque na goleada do alvinegro sobre o Once Caldas por 4 a 0, pela primeira fase da competição continental.

Sheik comemora o primeiro gol do Timão, marcado com menos de um minuto de jogo. Foto: Getty Images

 

O ambiente na Arena Corinthians antes do jogo era de confiança e apreensão. A lembrança da eliminação contra o Tolima, outro time colombiano, na chamada Pré-Libertadores de 2011 ainda estava viva. Uma vitória contra o Once Caldas era o único resultado aceitável. Um empate remeteria ao 0 a 0 no Pacaembu quatro anos atrás e seria um peso a mais para o jogo de volta na altitude de Manizales.

O jogo começou em alta velocidade e Sheik, aos 35 segundos, marcou um golaço por cobertura, após jogada pela esquerda. O gol colocou mais fogo na torcida e o calderião de Itaquera estava em ebulição. Na seuência o Corinthians criou duas boas jogadas, com Fágner e Guerrero, mas pararam no goleiro colombiano. Até aquele momento, o Once Caldas só se preocupava em marcar e em irritar o camisa 9 alvinegro. Guerrero sofreu um rodízio de faltas duras e, quando revidou, o juiz viu e o expulsou corretamente. Com um a menos, o Corinthians deixou de atacar. O Once Caldas tinha mais domínio de bola e arriscava muitos chutes de fora da área, exigindo o goleiro Cássio a fazer pelo menos duas defesas difíceis. Em uma cobrança de falta lateral, os colombianos empataram, mas a arbitragem anulou, marcando o impedimento do atacante. Depois de reequilibrar a marcação e o abalo inicial pela perda de Guerrero o Corinthians voltou a frequentar a intermediária ofensiva, mas sem efetividade. Até que Sheik, aos 45 minutos, bateu colocado de longe e quase marcou outro golaço, mas a bola explodiu no travessão. Foi o último lance antes do intervalo.

Renato Augusto foi o cérebro do time. Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com

 

No segundo tempo Tite não fez nenhuma substituição, mas reorganizou o time – que teve uma disciplina tática exemplar – adiantando Elias e fixando Renato Augusto como centroavante. O Once Caldas voltou mais disposto a jogar bola do que bater e quase empatou o jogo logo nos primeiros minutos. Em jogada pela esquerda, o ponta colombiano cruzou na área e o atacante, sozinho, cabeceou para fora. Pouco depois, o Corinthians ampliou. O zagueiro Felipe, contestado pela torcida, subiu de cabeça e fez após cobrança de escanteio. O gol deu mais tranquilidade ao time e confiança ao zagueiro, que virou um monstro nos desarmes e fez sua melhor partida com a camisa do Corinthians. A partir daí, Renato Augusto, Sheik e Elias fizeram a diferença. O trio tabelou, criou, pressionou os adversários. E após uma jogada linda de Sheik, Renato Augusto recebeu na entrada da área e tocou para Elias marcar. O Timão ainda fez mais um com o lateral Fágner, após nova troca de passes envolvente.

O resultado de 4 a 0 é importantíssimo para o o Corinthians, mas lembrando o vexame contra o Galo na Copa do Brasil do ano passado, o time precisa jogar com seriedade e sem pensar apenas em se defender na partida de volta contra o Once Caldas para seguir na competição. E em se confirmando a classificação, o primeiro desafio na fase de grupos será o clássico contra o São Paulo, no Morumbi.

E para quem não viu, acompanhe o gol de Sheik. A gravação foi feita pelo leitor Leonardo Vagner Charrone Martins, que nos cedeu o vídeo.

 

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2 pensamentos sobre “Sheik, o Libertador

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