Entrevistas/Música/Rock

Não Há Mais Volta – nova banda de punk rock/hardcore chega sem frescura

Guitarras pesadas. Letras duras e críticas. Esses são os princípios que uniram quatro amigos para formar a mais nova banda de punk rock/hardcore do País. Não Há Mais Volta chegou chegando, levantando a bandeira contra as

políticas e os valores distorcidos da sociedade contemporânea. “A principal ideologia da banda é ser contra os políticos corruptos que o Brasil não aguenta mais. Estamos cansados de mentiras de todos os setores políticos do país. Vivemos reféns de uma corja que só pensa nela, infelizmente”, explica o guitarrista e vocalista Ricardo Galano, em entrevista exclusiva ao Fut’n’Roll.

Foto: Roberto Gasparro

 

Contando ainda com os vocais de Fernando Lamb, o baixo de Gustavo Rodrigues e a bateria pesada de Gian Coppola, Não Há Mais Volta lançou um EP no fim ano passado e já prepara o primeiro álbum para o primeiro semestre deste ano, que será lançado pelo selo independente HeartsBleedBlue. Serão 11 músicas falando de temas contemporâneos, como a faixa “Kevin”, que foi escrita após a morte do torcedor boliviano Kevin Spada, vítima de um foguete disparado por torcedores do Corinthians, em jogo da Libertadores de 2013.

 

Se o cartão de visita foi bom, Galano espera que a trajetória do Não Há Mais Volta também seja de consolidação e amadurecimento do trabalho, como já tem acontecido, apesar de a química entre o grupo ter fluído bem desde a primeira apresentação. “O Lamb tem um timbre de voz legal pra caramba, mas no começo teve um pouco de dificuldade em executar linhas mais melódicas… Ele teve que se adaptar e isso leva um tempo. Mas depois de entrarmos em estúdio, o Lamb cresceu muito e já se sente bem mais confortável nesta posição”, explica o guitarrista. Acompanhe a entrevista na íntegra:

 

Foto: Roberto Gasparro

 

Fut’n’Roll – Como surgiu a ideia de criar o “Não Há Mais Volta”?

Ricardo Galano – Na verdade, a ideia veio do nosso amigo Tadeu Dias – do grupo de hardcore Oitão. O Lamb tinha descolado um show no Inferno, na Augusta, onde tocaríamos apenas Rancid por diversão. Fizemos o primeiro show em 2012. O Tadeu viu a apresentação e falou que a gente tinha que ter uma banda com som próprio, já que a química em cima do palco tinha rolado entre nós. Então, eu, o Lamb e o Gustavo nos juntamos e começamos a escrever algumas músicas. O Gian tava atolado de trampo e também já tocava no O Inimigo, então a agenda dele tava cheia. Tivemos que intima-lo para entrar na banda. rs E realmente o Tadeu não tava errado pra nossa sorte e azar dos outros. rs

 

FnR – Qual a ideologia principal da banda?

RG – A principal ideologia da banda é ser contra os políticos corruptos que o Brasil não aguenta mais. Estamos cansados de mentiras de todos os setores políticos do país. Vivemos reféns de uma corja que só pensa nela, infelizmente. Tentamos colocar isso em algumas de nossas músicas. Obviamente cada um de nós tem uma preferência política, mas evitamos colocar qualquer ponto de vista pessoal, e também em caráter partidário, nas letras. Como diz um ditado popular: “Político Bom é Político Morto”.

 

FnR – Quais são as principais influências no trabalho de vocês?

RG – Ouvimos todos os tipos de sons. Mas se pegarmos em relação à sonoridade da nossa banda, as principais referências que tivemos na hora de compor foram o Rancid, Bombshell Rocks, Street Dogs, Bouncing Souls, H2O, The Bones, Swingin’ Utters, Social Distortion, Cock Sparrer e Blind Pigs.

 

FnR – Cada um dos integrantes já passou por outras bandas. Quanto tempo demorou para vocês se sentirem totalmente adaptados aos estilos dos novos companheiros?

RG – Foi instantânea a adaptação da cozinha. Eu já tinha tocado com o Gian, então sabia como era o processo de criação das músicas com ele. Ao mesmo tempo já tinha tocado com o Gustavo umas canções que eu tinha escrito. Então o nosso entrosamento até certo ponto foi rápido, com uma dificuldade aqui e outra ali, o que é normal, pois somos chatos. Já o Lamb, ele tem um timbre de voz legal pra caramba, mas no começo teve um pouco de dificuldade em executar linhas mais melódicas, já que no Chorume, sua ex-banda, ele cantava de forma totalmente diferente. Ele teve que se adaptar e isso leva um tempo. Mas depois de entrarmos em estúdio, o Lamb cresceu muito e já se sente bem mais confortável nesta posição.

Foto: Roberto Gasparro

 

FnR – Fala um pouco sobre esse primeiro EP da banda, quem escreveu as letras, enfim.
RG – Lançamos um EP digital no www.naohamaisvolta.bandcamp.com e nele você pode ouvir 3 músicas que estarão em nosso álbum com 11 sons a ser lançado pela Hearts Bleed Blue http://www.hbbrecords.com/ neste primeiro semestre de 2015. “Nada Pra Nós” e “Kevin” – esta fala sobre o torcedor boliviano Kevin Spada, morto no jogo da Libertadores – foram escritas por mim. Já “A Velha Rua” foi escrita pelo nosso baixista, o Gustavo. São 3 sons de punk rock/hardcore e direto ao ponto. Sem frescura.

 

FnR – O primeiro álbum é o cartão de visita de uma banda. Mas você acha que a primeira impressão é a que fica, ou acredita que a identidade de um grupo vai se consolidando ao longo do tempo?

RG – Eu acho que um pouco dos dois. Existem bandas que se consolidaram na história por conta dos primeiros álbuns, caso dos Ramones. Porém, existem outras bandas que vão melhorando ao longo tempo, caso do Social Distortion. Se compararmos todos os álbuns do SD, vemos uma clara evolução nas composições.

NHMV Zapata Bloco 77 Fest

 

FnR – Vocês já estão negociando shows e turnês para lançar o álbum?

RG – Temos planos de fazer uma tour para o lançamento do álbum, mas também sabemos que não é fácil ter uma banda de rock no Brasil e sair excursionando por aí. Dia 1 de fevereiro tocaremos no Zapata, em São Paulo. Este será o nosso primeiro show do ano. Depois vamos sentar e correr atrás de novas datas. Com o disco na mão – deve sair em abril – será mais fácil apresentarmos o nosso material e tocarmos onde for possível.

 

FnR – Como vocês analisam o movimento punk no Brasil hoje?

RG – O punk rock, como sempre, vive do underground. Temos bandas boas por aí. Posso citar pra você o Faca Preta, The Bombers e o Blind Pigs, que voltou o ano passado depois de um hiato. O movimento Street Punk tem crescido no mundo todo e aqui não é diferente. O Henrike, do Blind Pigs, em conjunto com a HBB, acabou de lançar uma coletânea chamada “Para Incomodar – Street Punk Brasil Volume 1” e isso mostra que tem gente querendo fortalecer este estilo musical por aqui. Valeu pelo espaço Fut’n’Roll.

 

 

 

Curtam mais do trabalho da banda Não Há Mais Volta nos seguintes canais da Internet:

www.naohamaisvolta.bandcamp.com
www.facebook.com/naohamaisvolta
www.instagram.com/naohamaisvolta

https://www.youtube.com/user/naohamaisvolta

 

 

 

 

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