Brasileiro/Futebol

STJD mais famoso que o Pelé

Ano após ano, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva tem surgido como protagonista no futebol brasileiro.

Há pouco mais de uma semana, foi divulgado um relatório, produzido pela própria entidade, do qual mostra que de 2011 pra cá houve um acréscimo de 37,2% nos processos julgados pela entidade.

Nessa tentativa de se mostrar cada vez mais presente, rígido e sério, o STJD acabou dando um tiro no próprio pé. Em 2014, por exemplo, 62 casos deixaram de ser julgados pelo tribunal; a maioria deles casos relevantes que incluíam perdas de mando de campo, ganchos e até mesmo escalação irregular de jogadores.

É nesse momento em que aparecem os primeiros questionamentos:

O que é prioridade para o STJD?

A entidade tem ‘mão-de-obra’ suficiente, especializada e, principalmente, isenta e autônoma, para essa grande demanda de casos?

Porque esses casos não foram julgados? Talvez por que não eram relevante$?

Digo isso pois ainda temos fresco na memória a incrível virada de mesa de 2013, quando o Fluminense, que nada jogou naquele campeonato, não foi rebaixado; já que a gloriosa Portuguesa escalou o meia Héverton (por burrice, ou intere$$e$) de forma irregular.

Aí, surge outra questão: Por quê esse caso acima foi julgado e o caso de também escalação irregular de jogador, no confronto entre Fortaleza e Ceará, ano passado, não teve um desfecho definitivo?

Ninguém aqui é contra a atuação do STJD, ele é necessário para cumprir as leis e dar ordem ao esporte brasileiro. Mas nunca deveria ser o protagonista, apenas isso.

Não temos, de fato, as respostas para muitas das perguntas que surgem a respeito da atuação do órgão. Mas que, nos últimos anos, o futebol brasileiro está indo ladeira abaixo por conta de algumas decisões estranhas, está. Decisões estas que também têm parcela de culpa da CBF e de seus coronéis pré-históricos.

E a atuação do STJD não tem se resumido a avaliar escalações irregulares. Brigas nos estádios, manifestações (mesmo as pacíficas, com cartazes e bandeiras) das torcidas e punições a jogadores por expulsões e declarações contra o tribunal também ocupam a vida dos procuradores, que cada vez mais gostam do papel de astros do futebol. Papel este que deveria ficar exclusivamente a cargo dos jogadores.

No Brasileirão passado também houve uma nova modalidade de julgamentos: das súmulas alteradas após o jogo. Então é assim: o juiz não vê uma jogada violenta em campo, deixa o lance seguir. Mas chega em casa, tranquilo, abre uma cervejinha e começa a assistir os programas esportivos. Aí percebe que fez uma cagada e muda a súmula oficial da partida. O jogador vai a julgamento e corre o risco de desfalcar o seu time em momentos decisivos. Agora, se um jogador agrediu o adversário e o diretor de televisão não viu o lance, ou preferiu não exibi-lo na transmissão, o árbitro passa ileso…

As punições aos árbitros quando o erro é deles, o que não é nada raro, se limitam ao afastamento de alguns jogos da Série A, ou ao “rebaixamento” à função de pinguim de geladeira que ficam atrás dos gols e não ajudam em nada. O problema aí também é mais embaixo, já que não existe uma profissionalização dos nossos árbitros.

Enfim, fica a reflexão, num momento em que a CBF promete aumentar o rigor da fiscalização sobre as ações do clubes.

Mas, peraí. Quem fiscaliza a CBF e o STJD?

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