Blues/Entrevistas/Música

CD solo de Little Will será lançado em agosto

Os fãs de Blues terão um 2015 com muitas novidades, principalmente no cenário nacional. Um dos lançamentos que deve agitar o mercado nesse ano é o CD solo do gaitista e guitarrista Little Will, com as puras influências do Delta Blues. “Estarei indo para Chicago esse ano. Em junho vou descer no Michigan e vou até New Orleans depois até Las Vegas e pegar a Rota 66 e ir até o Grand Canyon, ficar lá um mês para buscar outras referências, conhecer e me inspirar um pouco”, revela o músico em entrevista exclusiva ao Fut’n’Roll.

Com uma carreira que começou como rodie de Vasco Faé, Little Will conviveu e aprendeu muito com os principais gaitistas do País, realizando trabalhos diferenciados, como o Harmonica Duo, um trabalho feito com Marcio Scialis, que já tem um CD gravado, inclusive com a participação especial de Peter Madcat, vencedor do Grammy, que gravou três faixas com a dupla. “Gravamos três faixas, umas delas foi a “Crossover” – uma música de autoria do Marcio Scialis, um blues com muita gaita e o solos de Peter são fenomenais e únicos”, explica Little Will.

 

 

Acompanhe a entrevista na íntegra e curta um pouco mais do trabalho de Little Will.

 

Fut’n’Roll – Como você classifica o movimento blueseiro no País?

Little Will – O Blues no Brasil já tem um cenário de bandas da velha guarda e as novas que estão crescendo aos poucos… É difícil dizer, bandas boas tocando em festivais ao mesmo tempo em bares, vejo bandas novas e músicos competentes. Infelizmente existem os músicos de fim de semana que prejudicam a classe que vive disso; o cara chega cobra um cachê de pinga, diz que é Blues e quando chega um profissional o dono do bar se sente no direito de pagar o mesmo cachê de pinga, é ai que muita gente boa não aparece. É apenas uma visão que tenho.

 

FnR – O que falta para o Blues ter um espaço mais consolidado na grande mídia e poder atingir um público maior?

LW – Os bares deveriam acreditar mais no Blues. Infelizmente o Brasil não tem essa cultura e o que salva são os festivais, SESC, Sesi espaços que consolidam o estilo.

 

FnR – Conta um pouco da sua trajetória no Blues?

LW – Com 17 anos eu estava aprendendo a tocar gaita, tive como professor o meu amigo Vasco Faé e a partir daí comecei a trabalhar de rodie pra ele e fui conhecendo muitas bandas de Blues e gaitistas como: Blues Etílicos, Nasi e os Irmãos do Blues, BlueJeans, Marcio Maresia, Robson Fernandes, Jefferson Gonçalves, Prado Blues Band, Ivan Marcio. Há 12 anos eu faço com o Flávio Guimarães o Encontro Internacional de Harmônicas do Sesc Pompéia, fazendo a produção de palco dos artistas tanto nacionais como internacionais. Me via como gaitista e não como rodie, foi ai que comecei a me aprofundar mais no instrumento e conhecer os músicos tocar com eles e já me via tocando no Encontro Internacional de Harmônicas, que é o maior evento de gaita da América Latina, onde me apresentei umas cinco vezes com os Harmônicos – meu quarteto de gaitas, Harmonica Duo Little Will & Marcio Scialis e show solo.

 

 

FnR – Como surgiu o projeto Harmonica Duo?

LW – No ano de 2004 conheci o Marcio Scialis através de uma amigo, ensaiamos uma vez nesses 10 anos de estrada surgiu um convite do Flávio Guimarães pra eu tocar no Encontro Internacional de Harmônicas e convidei o Marcio Scialis pra fazer e abrimos o show do gaitista Steve Guyguer que tocou com Jimmy Rogers, daí nasceu o nome de Harmônica Duo, porque o Marcio toca gaita cromática e diatônica eu toco violão também. Em algumas das nossas apresentações trocamos de instrumento e isso é um grande diferencial em nossos shows, temos um número em que tocamos “blues a quatro mãos” srsrsrs é uma coisa inusitada…

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Little Will, Peter Madcat e Marcio Scialis nas gravações do CD do Harmonica Duo. Foto: Arquivo Pessoal

 

FnR – Já no seu primeiro disco com a Harmônica Duo, o público é presenteado com participação especial de Peter Madcat, um dos grandes ícones do Blues.  Como foi gravar com ele?

LW – Peter Madcat Ruth é o ganhador de Grammy, pra nós foi um presente mesmo. Gravamos no dia 11 de outubro de 2012 e o convidei para fazer uma gravação no meu disco e ele topou. Ele tinha feito um show no dia anterior no Bourbon Street e a gravação era às 8h da manhã. Peguei ele no hotel e vi ele com um sorriso que ia de orelha a orelha, isso nos deixou muito felizes. Gravamos três faixas, umas delas foi a “Crossover” – uma música de autoria do Marcio Scialis, um blues com muita gaita e o solos de Peter são fenomenais e únicos. Inclusive esse disco foi gravado e mixado pelo Edu Gomes, do Cake Walking Studios, e masterizado pelo Daniel Lanchinho ele faz o P.A do B.B. King quando vem para o Brasil.

 

Harmonica Duo

FnR – O disco foi lançado pela Chico Blues Records, certo?

LW – Apresentei a proposta do CD para o Chico ele nos colocou no seu selo que leva grandes nomes do Blues do Brasil e exterior. Meu disco foi lançado na mesma época do Ivan Marcio e Roger Gutierrez “GOI´N TO DELTA” que é um trabalho muito bom.

 

FnR – Como você vê essa batalha do Chico para promover o Blues por aqui?

LW – O Chico é um pai… srsrs ele gosta de ajudar aqueles que tem um trabalho de Blues. Eu acredito que o selo dele é o único no Brasil. O trabalho dele é reconhecido nos E.U.A e Europa, são 25 anos dedicas ao Blues, e ele se resume em uma frase: Eu não vivo de Blues, eu vivo O BLUES .

 

 

FnR – E agora para 2015, você está preparando um novo disco, certo? Já posso adiantar que se trata de um trabalho solo, com violão gaita e voz, com referências do Delta Blues. Conta os detalhes deste projeto, quais músicas você vai gravar e quando você pretende lançar o disco?

LW – Estarei indo para Chicago esse ano.  Em Junho vou descer no Michigan e vou até New Orleans depois até Las Vegas e pegar a Rota 66 e ir até o Grand Canyon, ficar lá um mês para buscar outras referências, conhecer e me inspirar um pouco. Existem alguns bluesmen que tenho muita referência nesse meu trabalho solo como: John Hammond, Chris Jones, Tom Feldman, Lousiana Reed, Jimmy Reed, Son House, Bukka White, Big Bill Broonzy e entre outros. Estou estudando esses caras e ouvido bastante. Tive a honra de conhecer o John Hammond aqui no Brasil, e o cara é simplesmente simples… um cara muito gente fina.  Pretendo lançar esse disco depois da minha volta para o Brasil, em agosto provavelmente. Tenho algumas músicas que estão já boas para gravar entre elas Mellow Down Easy (Little Walter), Mother in Law Blues (Junior Parker) e famosa Honest, I do (Jimmy Reed).

 

FnR – Pra terminar, qual o maior desafio de um músico que pretende seguir a carreira tocando Blues aqui no Brasil?

LW – O desafio mesmo é estudar procurar lugares bons pra tocar não aceitar qualquer grana para que eu som seja reconhecido é dar valor para trabalho e estilo que nós gostamos muito.

Harmonica Duo. Foto: Divulgação

 

 

 

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