Brasileiro/Futebol

A última rodada do Brasileirão coloca a ética no esporte em xeque

O Brasileirão 2014 termina esse fim de semana, com pouca coisa em jogo. Pelo menos dentro de campo, porque fora dele, muitas dúvidas rondam as cabeças dos torcedores. Nas quatro linhas, apenas 5 jogos realmente valem alguma coisa. No sábado, Corinthians e Internacional escreverão mais um capítulo da rivalidade entre os clubes na disputa pela última vaga direta na fase de grupos da Libertadores do ano que vem. E no domingo, Palmeiras, Vitória e Bahia brigam pela permanência na Série A em 2015.

Um assunto que sempre é levantado nas últimas rodadas de cada campeonato é sobre a ajuda financeira de um time para incentivar a vitória do outro. A questão é ampla. Se uma instituição paga a outra para vencer, a chamada mala branca, vale. Mas se paga para perder, a chamada mala preta, aí é crime. Na verdade, nenhum dos casos deveria ser considerado normal. Cada time tem a sua folha salarial e os atletas já têm a responsabilidade de vencer e representar a sua torcida da melhor maneira possível. Claro que existem abismos financeiros entre os times no País, mas mesmo uma equipe da quinta divisão que pague um salário mínimo que seja a seus funcionários tem a mesma responsabilidade com a vitória e com a desportividade, ou seja, com o resultado produzido dentro do campo. Nesses momentos decisivos a imprensa bate na questão, jogadores admitem que já receberam dinheiro em algum momento da carreira para vencer e tudo é visto com normalidade.

O que eu sempre me perguntei é: “Poque esses caras não levantam essas dúvidas no começo do campeonato?” Afinal de contas, se o Brasileirão é disputado no formato de pontos corridos, a primeira rodada tem a mesma importância da última. Então “comprar”, ou tentar comprar um resultado no começo pode? Realmente não entendo. E a ética do esporte, principalmente do futebol, parece cada vez mais uma palavra vaga.

Em 2014, os casos envolvendo malas brancas, pretas, pardas, amarelas, ou seja lá qual cor, voltam à tona. E os boatos são os mais variados: o Corinthians, que está em crise financeira, teria enviado uma mala para o Figueirense vencer o Internacional. Do mesmo jeito que o Colorado teria prometido dinheiro ao rebaixado Criciúma para arrancar pontos importantes do alvinegro em plena Arena Corinthians. Na luta pela sobrevivência na primeira divisão, o negócio é mais pesado. O Atlético Paranaense, por meio do presidente Mário Celso Petraglia, admitiu facilitar o jogo contra o Palmeiras para prejudicar o Vitória, por pendências financeiras entre os rubro-negros. Não fosse o Verdão no meio da disputa, o clássico Ba-Vi seria disputado com malas, as do Bahia indo para o Santos e as do Vitória, para o Coritiba.

Em meio às especulações, prefiro acreditar ainda no esporte e na sua imprevisibilidade. Que Palmeiras honre suas tradições e consiga a vitória sobre o Atlético dentro das quatro linhas. Ou que perca e aceite o terceiro rebaixamento.  Que o Colorado garanta sua vaga na Libertadores. Ou que o Corinthians consiga reverter a vantagem dos gaúchos e fuja do fantasma da Pré e do grupo da morte. Que o Bahia estrague a despedida de Alex e cale o Couto Pereira, mas ensurdeça Salvador com a permanência na Série A. Ou que o camisa 10 do COxa brilhe em seu último jogo e rebaixe o tricolor baiano. Que o Vitória sufoque o Santos no Baradão. Ou que o Peixe mostre que merecia mais do que o meio da tabela. Mas que seja limpo, sem a interferência externa.

 

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