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Exclusivo: Robson Fernandes prepara novo CD para 2015

Com 22 anos de carreira e três CDs lançados (“Sampa Blues”; “Gumbo Blues”; e “Cool”), o gatista Robson Fernandes está em fase de ajustes para gravar seu novo álbum. E para o novo trabalho, ainda sem nome, o músico vai manter a fórmula de sucesso dos anteriores: a inovação e a ousadia. “Estamos trabalhando com ritmos diferentes, vamos fazer algo bem mesclado com Rock, Latino, R&B, Jazz, Funk e Blues tradicional e Blues com pitadas modernas”, explica Robson, em um bate-papo com o Fut’n’Roll.

Foto: Divulgação

 

As dificuldades para se arranjar um patrocinador são um desafio para o músico independente, ainda mais num segmento como o Blues, que apesar de ter um espaço consolidado no cenário musical, ainda sofre com a pouca exposição na grande mídia no País. Mas Robson não desanima e aposta no trabalho para ser bem-sucedido. E com bom humor revela que a inspiração e a criatividade não param, mesmo em período pré-gravação. “Não comecei a gravar meu próximo CD, mas já estou idealizando outro”, revela.

 

Na verdade, um outro contratempo tem atrasado a gravação do CD de Robson – as recentes mudanças em sua banda. Com duas trocas de baixista nos últimos anos, todo o trabalho de produção. Agora, com a formação consolidada, o músico espera fazer o lançamento no primeiro semestre. A Robson Fernandes Blues Band conta hoje com o baterista Victor Busquets, que está mais tempo na parceria com Robson, o guitarrista Danilo Simi e o baixista Marcos Klis. Na entrevista exclusiva, Robson Fernandes fala da carreira, das dificuldades de ser um músico profissional no Brasil, dos novos talentos do Blues brasileiro e dos novos projetos. Acompanhe a íntegra:

 

Fut’n’Roll: Conta como foi a sua trajetória na música. Quando começou a tocar? Porque escolheu o blues? Sempre seguiu essa linha?

Robson Fernandes: Meu primeiro contato com a música se deu quando eu tinha 12 anos, comecei a tocar flauta doce, mas não dei sequencia nos estudos, mas de certa forma ali já fui fisgado. Depois, aos 16 anos, conheci a Gaita diatônica, ouvia um programa de Blues numa rádio toda noite quando chegava da escola, ali comecei a notar um instrumento com timbre diferente, logo em seguida na minha escola vi meu amigo Luiz dos Ode tocando gaita, perguntei onde ele tinha comprado, no outro dia já estava com uma na mão.

Depois de um ano tocando sozinho, resolvi procurar um professor, comecei aula com Flávio Vajman, fiz quatro meses com ele, depois algumas aulas com Sergio Duarte.

De cara já me apaixonei pelo Blues, pelos acordes carregados e as melodias com sua característica intensidade e sempre gostei de Black Music também.

 

FnR: Hoje você é um músico conceituado, mas sabemos que a vida de músico no Brasil é complicada. O cara tem que se multiplicar para (sobre)viver da música aqui, dar aula, tocar em várias bandas, bares. Como você administra essa rotina e quais as principais dificuldades você enfrentou?

RF: Sim é difícil sobreviver de música, principalmente no começo, mas de certa forma é muito gratificante quando você está em cima do palco atinge seu objetivo, aí você troca momentos difíceis por prazer. Mas sim, tem que dar muitas aulas, tocar em vários projetos se possível. Eu já acompanhei alguns artistas, mas no momento faço só meu trabalho. Mas quando aparece um convite para uma participação para acompanhar alguém, aceitamos de coração kkkkkkk – o bolso agradece também.

Essa administração tem que sempre procurar casas novas, inventar casas, já que os lugares para tocar Blues que existiam fecharam, então tem que sempre procurar lugar novo que aceite sua proposta musical, e no meu caso complica um pouco, já que não toco muitos covers e os que eu toco são desconhecidos.

 

FnR: Os primeiros nomes do Blues no Brasil começaram a ganhar força há cerca de 30 anos. Com mais de 20 anos de carreira, você viveu boa parte do crescimento do movimento blueseiro por aqui. O que evolui e o que ainda precisa evoluir na sua opinião?

RF: Sim, na época que comecei a tocar, o Blues tava em alta no Brasil, com vários artistas na mídia, hoje já não está tanto, mas ainda assim tem seu espaço. Já toquei nas principais capitais do Brasil e em todos os Festivais mais importantes do seguimento, mas ainda precisa de um número maior de bares que acolham o Blues e o Jazz em todo Brasil, assim como o espaço na TV, Rádios e Jornais também ajudaria muito. A evolução se dá com o aumento de bandas e artistas que vêm aparecendo de lá pra cá e muitos com nível muito bom.

 

FnR: Particularmente, não faço essa diferenciação, mas existe uma polêmica entre os fãs em relação a letras de blues em português ou inglês. A maioria das suas músicas é em inglês. O que você acha sobre isso?

RF: Tenho três discos, o primeiro foi instrumental, depois resolvi gravar cantando em inglês, achava que combinava mais com minha proposta musical da época. Meu próximo CD vai ser em inglês também, mas não vejo a hora de gravar um material em Português, quero cantar no meu idioma. Acho tudo válido, não tenho preconceito, cada um canta do jeito que agrada seu coração.

FnR: Como é tocar com os principais nomes do blues internacional?

RF: Eu acho muito massa porque você aprende muita coisa, não tenho uma lista enorme, mas já toquei com algumas figuras.

 

FnR: Quais as diferenças, seja técnica, seja em nível de produção, que você vê ao gravar um disco aqui ou pela Pacific Blues, por exemplo, por onde você lançou seu segundo disco?

RF: As gravações dos meus discos foram independentes, a não ser a do Gumbo Blues que fiz com a gravadora Chico Blues Records e tivemos a distribuição na Europa e USA pela Pacific Blues, mas não entrei nesse mercado a fundo para falar sobre as diferenças que existem.

 

FnR: Os músicos brasileiros já se consolidaram neste mercado externo?

RF: Acho que poucos, mas já temos nomes vendendo CDs e fazendo shows no exterior, creio que Igor Prado seja um dos nomes mais fortes.

 

FnR: Temos acompanhado alguns nomes de talento surgindo no cenário do blues nacional, como a Tiffany Harp e o pessoal do Blues Beatles, por exemplo. Como você vê o momento do blues brasileiro?

RF: Momento bom, aparecendo muita gente boa. A Tiffany toca e leva o Blues a sério, toca gaita pra caramba, já o pessoal da Beatles dispensa comentários, Flavio e Marcelo Naves quebram tudo no Palco, Danilo Simi um dos melhores guitarristas de Blues do Brasil.

 

FnR: Aliás, o Danilo Simi, guitarrista do Blues Beatles, também toca na sua banda. Fala um pouco da formação da Robson Fernandes Blues Band:

RF: kkkkkkk Pois é, fica difícil falar do Danilo Simi, cara toca comigo há oito anos, nesse período pude acompanhar o crescimento e amadurecimento musical, assim como a parte profissional também.

Na Bateria contamos com a presença ilustre de Victor Busquets, “Baterista Artista”, sabe tudo de bateria, toca Jazz, Metal Hardcore, Música Brasileira e muito mais, pra mim Vitão é um monstro, toca comigo há praticamente 10 anos, primeiro integrante da banda, sempre falamos sobre ele ficar livre na bateria e improvisar nos momentos que julgar necessário.

No baixo temos agora Marcos Klis, que também dispensa comentários. Músico de primeira linha, toca e já acompanhou músicos feras do Blues e da música brasileira.

 

FnR: E o novo álbum, quando será lançado? O que vocês estão preparando de novidade para o público? Qual será a gravadora?

RF: Espero gravar e lançar no primeiro semestre de 2015. Vai ser um CD mais ousado, com ritmos diferentes, vamos fazer algo bem mesclado com Rock, Latino, R&B, Jazz, Funk e Blues tradicional e Blues com pitadas modernas. Tenho escutado ótimos comentários de quem já ouviu alguma coisa.

 

FnR: Como é o seu processo de criação? De onde tira as inspirações para as composições e como você idealiza um projeto de um disco até que ele atinja a maturação para ser gravado?

RF: Tenho fases onde crio algumas coisas e deixo gravado, depois de um tempo escuto e escolho aquilo que me agrada para ser gravado, assim como tenho fases que não crio nada. A inspiração não sei de onde vem, já acordei com uma melodia tocando dentro da minha cabeça, aí passo para o instrumento. Essa maturação começa quando termino um disco, já estou com o projeto do próximo CD há alguns anos na cabeça, algumas músicas você desiste, outras você acrescenta no repertório e assim vai. Por exemplo, não comecei a gravar meu próximo CD, mas já estou idealizando outro.

 

FnR: Seu disco mais recente foi lançado em 2008. Porque tanto tempo longe dos estúdios?

RF: Uma das principais razões foi o dinheiro. Não temos patrocínio para meu próximo CD, agora já consegui algumas alternativas para dar início, além das viagens a show. Nosso baixista anterior Renato Limão resolveu sair da banda por motivos pessoais, aí arrumamos outro baixista e começamos os ensaios, aí quando as músicas estavam ficando prontas, o baixista saiu da banda. Agora encontramos Marcos Klis e começamos os ensaios tudo de novo hehehehe. Nessa brincadeira de troca de baixista foram mais ou menos uns dois anos, agora lutamos para acertar a agenda de todo mundo.

 

FnR: E como está a sua agenda de shows?

RF: Não posso reclamar, mas sempre tentando novos bares e novas alternativas para trabalhar, tem mês que temos mais shows, mas estamos sempre na ativa.

 

FnR: Para terminarmos, qual o seu conselho para quem está começando na música?

RF: Pra estudar bastante e se dedicar com seriedade, ter paciência com a música, de certa forma demora um tempo para você doma-la, pensar em ganhar dinheiro também e trabalhar o marketing, mas acima de tudo fazer de coração. Ser músico é uma profissão muito gratificante, porém muito difícil, além de enfrentar os preconceitos da sociedade e até mesmo de dentro de casa.

Foto: Divulgação

 

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