Futebol/Seleções

O futebol de resultados de Dunga

A Áustria claramente não é uma seleção do primeiro escalão europeu. Nem tem grandes destaques individuais. Mas o técnico Marcel Koller conseguiu montar um time minimamente sólido e que sabe o que quer em campo.

E, ciente de que tem um time com valores individuais mais fraco do que o Brasil, o treinador austríaco apostou naquilo que podia. Um time bem fechado na defesa, pressionando o adversário na saída de bola e esperando um contra-ataque consagrador.

Para Dunga, técnico da seleção brasileira, isso representou um grande problema. Afinal, fechar bem o time, pressionar a saída de bola adversária e tentar contra-ataques consagradores é a praia dele. E, precisando propor o jogo, os brasileiros ficaram meio perdidos em campo.

Sem espaço para criar e usar a velocidade dos seus meias e a individualidade de Neymar, o Brasil nada criou. Como a proposta da Áustria é parecida, o adversário também não fez muita coisa em campo na primeira etapa. De relevante, apenas a entrada de Thiago Silva em campo após Miranda sentir dores na perna, mostrando que Dunga não guardará rancores do mimimi recente do ex-capitão chorão.

Foto: Bruno Domingos/Mowa Press

Foto: Bruno Domingos/Mowa Press

O segundo tempo começou na mesma toada, então, após quinze minutos, Dunga tentou mudar, colocando Roberto Firmino no lugar de Luiz Adriano e Douglas Costa no lugar de Willian.

Mal deu tempo para as alterações surtirem efeito e David Luiz abriu o placar de cabeça após uma cobrança de escanteio. Tudo bem que o zagueiro cabeludo precisou dar um belo puxão para deslocar o defensor austríaco que o marcava, mas como o juiz não viu, foi para o placar.

Dez minutos depois, em um ataque quase descompromissado, Oscar foi cobrir Filipe Luís na lateral esquerda e fez pênalti em Weimann. O zagueiro Dragovic empatou o jogo. Foi o primeiro gol sofrido pela seleção brasileira nesta nova era Dunga, apenas no sexto jogo.

Quando o jogo parecia fadado a um empate bem sonolento, Roberto Firmino achou um espaço no meio dos defensores austríacos após boa troca de passes curtos na entrada da área e mandou uma paulada no ângulo esquerdo do goleiro Ozcan. Um belo gol para salvar uma partida bem medíocre.

Antes do fim do jogo, um pequeno teatro. Neymar foi substituído aos 46 e, antes de sair, foi até a defesa dar a braçadeira para Thiago Silva. Demonstração de que Dunga não quer confusão no seu elenco e prefere ter um bom zagueiro à disposição do que mostrar autoridade contra a frescura alheia.

No balanço, fica a certeza que Dunga dará um padrão à seleção brasileira. Mas fica claro que precisará criar também alternativas, especialmente contra adversários que virão mais fechados. A sensação que dá é que o Brasil terá boas chances de ganhar de adversários fortes, como Alemanha e Argentina, que gostam de propor o jogo, mas terá muitas dificuldades contra times dispostos a garantir um empate. O ano de 2014 termina com a questão: o treinador será capaz de mudar isso? Seus trabalhos anteriores dizem que não.

Mas ele manteve o 100% de aproveitamento em seis jogos. E é isso que vale, não é mesmo?

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