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“Democracia em Preto e Branco” estreia em SP

Premiado no Festival É Tudo Verdade 2014 e selecionado para festivais no exterior, documentário “Democracia em Preto e Branco” estreia nesta quinta-feira, 13, no Caixa Belas Artes, em São Paulo. Com entrevistas de Lula, FHC, Serginho Groisman, Paulo Miklos, Marcelo Tas, Edgard Scandurra, Frejat e Paulo Miklos, entre outros,  a produção mostra como o esporte, a política e a música se  encontraram para mudar o rumo da história do País nos anos 80.

“A história é contada em ritmo de aventura, com depoimentos de jogadores, músicos, jornalistas e até ex presidentes como Lula e Fernando Henrique Cardoso, rico material de pesquisa e narração de Rita Lee. Um golaço de placa”, dá suas impressões Marcelo Janot n’O Globo, em crítica que rendeu à “Democracia em Preto e Branco”a  cotação máxima do jornal, o “bonequinho aplaudindo de pé”.

O longa, que além da Menção Honrosa no Festival É Tudo Verdade 2014, foi selecionado também para as mostras competitivas do Festival Internacional de Cinema Documentário da Cidade do México, que está acontecendo nesta semana, e o Havana Film Festival, em dezembro.

Jogadores do Corinthians iniciaram movimento inédito pela Democracia. Foto: Divulgação

A música de abertura, “Núcleo Base”, clássico do grupo paulista Ira!, e a locução de Rita Lee dão indícios do que está por vir: “dirigido por Pedro Asbeg, retrata um momento único da história do País: como a Democracia Corinthiana – movimento revolucionário futebolístico do início da década de 80, capitaneado pelos jogadores Sócrates, Casagrande e Wladimir -, o nascimento das bandas de rock brasileiras e a campanha das “Diretas Já” estiveram diretamente ligados entre si na busca por um Brasil mais livre e democrático. Seu lançamento coincide com os 50 anos do golpe militar e 30 anos das “Diretas Já” e as eleições de 2014.

Primeiro longa-mentragem brasileiro parcialmente financiado com crowdfunding, o filme traz entrevistas exclusivas com os protagonistas do movimento, entre elas uma das últimas feitas com Sócrates, além de um luxuoso time de personalidades, como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva, e Marcelo Rubens PaivaMarcelo TasEdgar ScandurraFrejat, Serginho Groisman e Paulo Miklos. Serginho Groisman dá o tom da época – “Para mim estavam colocadas as três principais questões na minha vida: política, futebol e rock´n´roll, não necessariamente nessa ordem.”

Realizado ao longo de quatro anos, conta ainda com emocionantes imagens de arquivo, como as manifestações que reuniram multidões espalhadas pelo Brasil em busca do voto direto para presidente da República, levando o espectador a uma viagem por um singular período de sonhos, conquistas, utopias e desilusões da história do Brasil.

 

Doutor Sócrates foi um dos principais nomes da Democracia Corinthiana. Foto: agência O Globo

 

Sobre a Democracia Corinthiana

No início da década de 80, enquanto estudantes, artistas e intelectuais participavam das campanhas pelo fim da ditadura militar, os jogadores do time paulista contestavam a estrutura autoritária que viviam no clube, sob as rédeas do presidente Vicente Matheus. Entre eles estavam Sócrates, com seu futebol intelectual, cerebral e inovador – “afinal, não é toda hora que um médico resolve ser jogador de futebol”, declara Lula -, Casagrande, centroavante que carregava consigo a rebeldia do rock brasileiro, em franca ebulição, e Wladimir, que, ao contrário dos dois, conhecia de perto a realidade da classe operária do País.

O trio viu a possibilidade de ver os paradigmas mudados com a entrada do diretor Adilson Monteiro Alves, sociólogo, que chegou ao clube oferecendo aos jogadores um modelo de gestão democrática. De início, vieram as escolhas conjuntas sobre os horários de treinos, concentração, contratação de novos jogadores e até uma nova divisão dos ganhos do time, agora também entre seus roupeiros, motoristas e outros funcionários. “Onde há crise, há possibilidade de revolução”, como lembra Sócrates. O “renascimento” transformou completamente a atuação dos jogadores. “Era algo de entrega total. O prazer de estar em campo suplantava qualquer coisa”, conta ele.

Em meio a um País violento e censurado, retratado em músicas como “Estado Violência”, dos Titãs, “Selvagem”, dos Paralamas do Sucesso, e de grupos como Barão Vermelho, Ira! e Ultraje a Rigor, que levavam ao microfone o sentimento geral que borbulhava pedindo mudanças, o time vivia novas relações de liberdade de trabalho que não eram vistas em nenhuma outra grande esfera da sociedade, oficializadas quando entraram em campo com as palavras “Democracia Corinthiana” gravadas nas costas.

Gradativamente, o movimento foi ganhando contornos maiores, mais ambiciosos  e políticos, assim como o que era ouvido na música ao redor. “Era a primeira vez, desde 68, que um jovem de 18 anos cantava para outro jovem de 18 anos”,lembra Frejat. Mas a Democracia Corinthiana tinha muito mais do o público dos shows. Tinha uma torcida inteira nas mãos. Com a aproximação das primeiras eleições para governador desde o golpe, o clube subverteu de vez o status de “pão e circo” do entretenimento de massa ao entrar em campo, dessa vez, com “dia 15 vote” estampado nas camisas.

Sinopse
“Tendo como pano de fundo a lendária Democracia Corinthiana, o nascimento das bandas de rock brasileiras e a campanha das diretas já, “Democracia em Preto e Branco” mostra, com locução de Rita Lee e entrevistas exclusivas de Sócrates, Casagrande, os ex presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso e Marcelo Rubens Paiva, Marcelo Tas, Edgar Scandurra, Frejat, Serginho Groisman e Paulo Miklos, entre outros, como o esporte, a política e a música se encontraram para mudar o rumo da história do País nos anos 80.”

Sobre o diretor Pedro Asbeg

Formado em cinema pela University of Westminster, Pedro Asbeg dirige e edita documentários, tendo recentemente montado os filmes de longa-metragem “Carta para o Futuro”, “Copa Vidigal”, “Enchente”, “Vou rifar meu coração” e “Cidadão Boilesen”, vencedor do festival de documentários “É Tudo Verdade” em 2009. Em 2011 dirigiu seu primeiro longa-metragem, “Mentiras Sinceras”, que estreou na Première Brasil do Festival do Rio. Atualmente produz seu terceiro longa-metragem como diretor, “Geraldinos”.

Ficha Técnica
Direção: Pedro Asbeg
produção executiva: Gustavo Gama Rodrigues e Rodrigo Letier
Locução: Rita Lee
Texto e redação: Arthur Muhlenberg
Edição: Renato Martins, edt.
Direção de fotografia: Rodrigo Graciosa
Som direto: Rene Brasil
Pesquisa: Marcio Selem
Videografismo: Renato Vilarouca e Rico Vilarouca
Identidade visual: Tiago Peregrino
Trilha sonora original: Lucas Marcier e Fabiano Krieger
Edição de som e mixagem: Damião Lopes
Correção de cor: Daniel Canela
Pós-produção: Anna Julia Werneck
Duração: 1h30’

Co produção TV Zero, Miração Filmes e ESPN

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