Brasileiro/Futebol

De óbvio a obtuso

Antes do início, o prólogo: a derrota para o Atlético-MG não é surpreendente. Fato que o clube mineiro vem de uma semifinal desgastante (e simplesmente sensacional) contra o Flamengo, tanto fisicamente quanto emocionalmente, e que os titulares não entraram em campo. Assim como é igualmente real que o time escalado por Levir Culpi pode fazer frente ao Palmeiras, que teve uma clara oportunidade de abrir o placar com Henrique no primeiro tempo, quando o placar ainda estava intocado.

Não acredito que o Palmeiras será rebaixado. Na minha ótica, a atual situação do Alviverde no Brasileirão retrata o que o elenco pode atingir e oferecer à torcida em um campeonato de pontos corridos. O desempenho palestrino, inclusive, evidencia as carências e limitações do plantel em uma competição nivelada pelo baixo nível técnico. Um contexto centenas de anos luz longe do que os palmeirenses merecem. Um infinito mais do que distante para honrar a história e grandeza do Palmeiras. Mas que é a realidade inquestionavelmente pungente do eterno Palestra que sempre foi muito mais do que Itália.

Interessante como o status quo desperta opiniões diversas e incita reações plurais, o que é totalmente normal. O problema é quando a contradição é a grande força motriz do nosso cotidiano. E isso pode acontecer por diversas razões, como inexperiência, falta de percepção e má índole, entre tantos motivos. Entre estes também estão à incompetência e o desequilíbrio profissional.

Acredito que certas realidades incutem em algumas pessoas o pré-conceito do inconsciente coletivo, que eu enxergo como uma fórmula pré-moldada, sempre acionada para discorrer sobre uma situação já presenciada incontáveis vezes. Ultimamente, criticar o Palmeiras dentro e fora de campo tem sido uma realidade corrente e recorrente. O que obviamente possui total fundamento. A SEP tem sido refém da miríade de maculas que os dirigentes têm infringido na história recente do clube.

O grande revés é quando todo e qualquer ato relacionado ao Palmeiras já é tachado negativamente pela categoria da qual faço parte. Apontar os erros é mais do que obrigação dos jornalistas. O preocupante é quando o clube é visto e tratado como a referência, o modelo de toda e qualquer crítica dirigida à gerência do futebol brasileiro.

Já adianto que não estou querendo eximir os responsáveis pela péssima situação que a SEP enfrenta nos últimos anos. Tudo isso é fruto de gestões incompetentes e amadoras, que priorizam picuinhas crônicas e políticas entre dirigentes e negligenciam o clube Palmeiras e o legado do campeão do Século XX.

Não obstante, é impossível assentir      quando alguns colegas de profissão têm a coragem de afirmar que o elenco pode sofrer um desmanche em 2015, já que podem sair jogadores como Marcelo Oliveira, Juninho e Wesley. Primeiro fato a ser destacado: desmanche, na minha ótica, ocorre quando um elenco é campeão ou realizou uma ótima temporada. Na atual conjuntura, é fundamental ocorrer uma reformulação no Palmeiras. O conceito inicial está correto. Caso os atletas substitutos não sejam de um nível técnico superior, aí a crítica será merecedora. Outro detalhe curioso é que os atletas citados logo acima não seriam unanimidades em nenhum clube brasileiro. Quiçá do mundo. Se fossem fundamentais em qualquer equipe, não estariam saindo do Palmeiras sem grande alarde ou contestados. A análise fica ainda mais interessante ao lembrar que aqueles que vociferam contra o viperino desmanche palmeirense são os mesmos que criticaram as chegadas dos que estão na iminência de deixar o clube.

Segundo ponto merecedor de atenção: só podem ser classificados como obtusos, no mínimo, os estimados colegas de profissão que criticam a eleição presidencial do Palmeiras, que pela primeira vez será realizada neste mês, o que já possibilita a organização da temporada de 2015. Antes, a crítica totalmente pertinente era de que o pleito efetuado no começo do ano, quando a temporada já tinha sido iniciada, prejudicava o planejamento. Agora, o contratempo para certos nichos da mídia é que todas as decisões serão tomadas após a escolha do novo presidente.

Os pontos citados por mim passam longe de um desabafo de palmeirense (e jamais escondi que realmente torço para o Alviverde) e muito menos foram suscitados para defender a diretoria do Palmeiras, que cometeu erros crassos nos dois anos da gestão de Paulo Nobre. E muitos menos servem para subliminarmente sugerir que Wlademir Pescarmona é o nome ideal para ser o novo mandatário do Palmeiras.

Quero atentar para o descaso de parte da imprensa esportiva, que por interesses profissionais e pessoais passam a ser complacentes com determinados clubes e mais assertivos com outras agremiações. O jornalista, primordialmente, tem um compromisso com a informação e prestação de serviço. Quando isso é preterido pelo profissional, ele não só violenta a si próprio como se transforma no arauto do acinte mais grave do jornalismo: o de ceifar o direito do público de ter acesso à informação honesta e isenta, para que o próprio tire as suas conclusões.

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