Brasileiro/Futebol

Título com hora marcada

A era Parmalat registrou dérbis inesquecíveis entre Palmeiras e Corinthians. Mas um deles, em uma noite de 1994, sacramentou – antes da hora – o desfecho de um dos períodos mais vitoriosos da história Alviverde.

 

O início da era vitoriosa da parceria Palmeiras-Parmalat trouxe uma felicidade plena há muito tempo não desfrutada pelos palmeirenses, que nem no sonho mais perfeito imaginariam degustar tamanho privilégio etéreo dentro das 4 linhas depois do nefasto período do jejum de títulos. Não obstante, e proporcionalmente, a preocupação e a sensação do báratro futebolístico rondavam torcedores e dirigentes dos times rivais.

Também não era para menos que o paraíso Alviverde remetesse ao calvário transfigurado de chuteiras aos adversários. Em um período de 19 meses, o Palmeiras conquistou 5 títulos: 2 Campeonatos Brasileiros, 2 Campeonatos Paulistas e 1 Torneio Rio-São Paulo. Todos de maneira incontestável, com um futebol técnico e ofensivo, que honrava e celebrava a essência histórica palmeirense. Um ode ao âmago Alviverde e o refinamento instituído pelas duas Academias, ambas regidas por um certo Divino…

Um feito jamais repetido por outra equipe. Dificilmente tal façanha será presenciada novamente, haja vista que atualmente os calendários são mais coerentes, assim como os times, que passam longe da irresponsabilidade antagônica e paradoxal do futebol apresentado por aquele Palmeiras. Os jogadores colocavam sentido no inexplicável. Faziam o impossível ser crível. A bola virava arte irresponsável, com a simetria desmedida que apenas os gênios conseguem delinear com exatidão. Aquela equipe foi simplesmente formidável.

Oficialmente, a derradeira página deste capítulo simplesmente único da história palmeirense foi escrita no Pacaembu, em 18 de dezembro, no 1 x 1 contra o Corinthians, segundo jogo da decisão do Campeonato Brasileiro que selou o bicampeonato Alviverde e o quinto título em 19 meses, iniciado naquele 12 de junho de 1993.

Muitas vezes, se a história não ignora fatos, por um capricho cínico os deixam um tanto esquecidos em páginas repletas de glórias, que por simples detalhes (ou não?) passam despercebidas por mentes e olhos avidamente apaixonados e demasiadamente poucos atentos. Se o domingo de 18 de dezembro de 1994 registrou a foto oficial do título, a celebração que consta nos autos oficiais do êxito imponente, a quinta-feira do dia 15 sentenciou, no mesmo Paulo Machado de Carvalho, o desfecho de um dos maiores times do Palmeiras, com uma despedida à altura do que muitos chegaram a clamar de ‘Terceira Academia’.

PALMEIRAS X CORINTHIANS 1994

A atuação de Edmundo contra o Corinthians no primeiro jogo da final do Brasileirão de 1994 foi uma das melhores do atacante com a camisa do Palmeiras. Foto: Reprodução Globo

Na decisão do Campeonato Brasileiro de 1994, o Palmeiras tinha a vantagem do empate por ter feito melhor campanha do que o Corinthians. A esperança do time de Parque São Jorge, treinado por Jair Pereira, era equilibrar as forças nas duas partidas e tentar se aproveitar de alguma falha de uma equipe que pecava em conquistar títulos históricos. E os comandados de Vanderlei Luxemburgo, naquela noite, passaram longe de se equivocar em algum momento. O Palmeiras esteve perto da perfeição.

Com uma atuação fantástica, principalmente no segundo tempo, o Alviverde demoliu qualquer pretensão de título corintiano com um show particular de Rivaldo e Edmundo. Os minutos entre o segundo gol do Palmeiras, marcado por Rivaldo, e o terceiro, anotado por Edmundo, fazem parte de uma galeria seleta dos momentos que possuem a rubrica do futebol que representa a essência da biografia do Palmeiras.

Eu tinha 11 anos na época e jamais me esquecerei da sequência. Ela foi iniciada com a roubada de bola de um promissor Rivaldo em cima do experiente e campeão do mundo lateral-esquerdo Branco, e finalizado com a genialidade da maior dupla de atacantes da biografia Esmeraldina: Evair, frio, técnico, dominou a bola e desmontou a prolixa área corintiana com um simples passe, que mostrou de cara a resposta para um Edmundo inclemente. O gol que levou o Palmeiras ao bicampeonato Brasileiro antes da hora.

Aquele Dérbi talvez tenha sido a antecedência do merecimento mais acachapante que o futebol já proporcionou.

Ser testemunha da história antes que ela seja sacramentada foi um privilégio. Aquele Palmeiras era tão absurdo que transformava o futuro em presente.

 

Ficha técnica

Data: 15/12/1994
Local: 
Pacaembu
Árbitro: 
Antônio Pereira da Silva
Renda: 
R$ 389.865,00
Público: 
36.409

CORINTHIANS: Ronaldo; Paulo Roberto, Pinga (Gralak), Henrique e Branco; Zé Elias, Luizinho, Marcelinho Paulista (Marques) e Souza; Marcelinho Carioca e Viola. Técnico: Jair Pereira.
PALMEIRAS: Velloso; Cláudio, Antônio Carlos, Cléber e Roberto Carlos; César Sampaio, Flávio Conceição, Zinho e Rivaldo; Edmundo (Amaral) e Evair. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
GOLS: Rivaldo aos 44 minutos do 1º tempo; Rivaldo, aos 18 minutos, Edmundo, aos 21, e Marques aos 23 do 2º tempo.

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