Brasileiro/Futebol

O futuro do pretérito palmeirense

A nada nobre gestão de Paulo como presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras acabou provando por A mais B (perdoem-me a utilização da tão assombrosa letra), que a sina de administrações conturbadas no clube virou um estigma. E o cenário talvez não mude tão facilmente. Apesar de opiniões divididas entre a torcida e profissionais ligados ao clube, uma das chapas mais fortes para a disputa da eleição presidencial que ocorre no próximo dia 29 de novembro, no Allianz Parque, contando pela primeira vez com os votos de associados, é formada por nomes já conhecidos do torcedor, como Wlademir Pescarmona, com o apoio direto de seu vice, Luiz Gonzaga Belluzzo.

Pescarmona é o nome mais forte da oposição Palmeirense. Foto: Getty Images

Candidato à reeleição, Paulo Nobre, um torcedor apaixonado, prezou pela quitação de dívidas do clube durante seu mandato, aplicando a política do corte de gastos. De acordo com Fernando Razzo Galuppo, jornalista e historiador palmeirense, a atual gestão optou por privilegiar as finanças mas abandonou outros setores importantes. “Nobre abriu mão de investimentos nas áreas sociais e esportivas do clube, a ponto de terminar com alguns departamentos tradicionais do alviverde como o futsal adulto, por exemplo. Aumentou a mensalidade de associados e criou inúmeras taxas para a prática de atividades dentro clube. Acima de tudo, não executou um planejamento para a condução dos rumos do departamento de futebol, tendo culminado com os casos Barcos, Alan Kardec e Henrique, que por inabilidade dos gestores foram cedidos para outros clubes em situações conflituosas, depreciando ativos importantes e gerando um impacto negativo na produção da equipe. Contratou mais de 40 atletas, todos de qualidade técnica duvidosa, e teve quatro treinadores em menos de um ano. Passamos por goleadas humilhantes para o Mirassol e Goiás, e lutamos contra o rebaixamento. Algo inimaginável”, relatou. Galuppo ainda critica a atitude da diretoria atual pela briga com a WTorre na construção do Allianz Parque e as ações pouco expressivas em pleno ano de centenário.

Depois de priorizar as finanças, Paulo Nobre quer a reeleição no clube. Foto: FERNANDO DANTAS / Gazeta Press

Belluzzo, hoje vice da oposição, quando passou pela presidência do alviverde entre 2009 e 2010 acabou afundando o clube em dívidas e não conseguiu nada além de críticas, seja pelas 36 contratações contestadas, ou pela polêmica demissão de Jorginho e a contratação de Muricy Ramalho para treinador, considerada uma das maiores decepções da história do clube. Pois é, coisas que só acontecem no Palmeiras!

O mandato de Nobre talvez fique marcado no Palmeiras como o responsável por um dos piores elencos já vistos na história do clube – olha que a disputa é concorrida. A chapa Pescarmona/Belluzzo, hoje vista como solução e alternativa única para contrapor a atual situação, seria a chance de colocar o alviverde de volta ao caminho de glórias? Claro que é um exagero, porém, única opção viável, de acordo com Galuppo. “Vejo essa chapa com bons olhos e os apoio. Creio que eles possuam um plano de trabalho para o Palmeiras mais condizente com a grandeza e tradição do nosso querido alviverde. O foco total é na ativação dos esportes e fortalecer o futebol, atraindo parceiros e receitas para construir um Palmeiras cada vez mais forte”, explicou.

Porém, nem todos compactuam com a opinião do historiador. Boa parte da torcida aprova as medidas tomadas por Paulo Nobre e acredita que, apesar dos problemas, a intenção sempre foi colocar ‘a casa em ordem’. O palmeirense Bruno Stella Serato, de 23 anos, acredita que a velha oposição daria um passo para trás, justamente por trazer de volta a velha filosofia administrativa. “O Nobre errou muito esse ano mas, com o Pescarmona, o nosso passado, que também não era bom, vai voltar. Eu acho que agora o Paulo Nobre aprendeu com toda essa pressão da torcida. O mais importante que o clube precisa fazer é sanar suas dívidas e se aliar com parceiros importantes, no caso, a união entre Palmeiras, Allianz/AEG e WTorre. Um desses objetivos o Nobre já fez. Tem tudo para virar potência em uns dois anos”, opina o torcedor.

Galuppo acredita que priorizar o futebol deve ser o foco principal dos futuros gestores: “Através do futebol forte e competitivo, conquistaremos receitas, patrimônio, prestígio, títulos e respeitaremos o sentimento do torcedor, que é o maior bem de nossa querida instituição. Hoje isso não ocorre. É justamente o contrário. Priorizam contas, dividas, e todo o resto, com um discurso e uma mentalidade derrotista”.

O fato é que Nobre deixou o futebol de lado e Belluzzo esqueceu que um clube depende de caixa e possui um patrimônio. O Palmeiras já passou por problemas suficientes de modo que eles sejam lembrados e utilizados como exemplo, para que nunca sejam repetidos. Mas será que na prática, o mais do mesmo, ou o novo do já visto resolveria?! Querendo ou não, o legado deixado por Paulo Nobre facilita um pouco o próximo mandato. Apesar de todas as falhas evidentes, pode ter sido a preparação de terreno ideal para os próximos presidentes. Basta ter boa vontade, competência, espírito aguerrido e respeito pela grandeza do clube. Ah sim, e estar preparado para aguentar (MUITA) pressão.

Portanto, a vocês dirigentes do Verdão – independente de quem seja eleito -, reconheçam, respeitem e orgulhem-se de seus torcedores, que mesmo com o cenário assombroso do clube (mais um), ainda acreditam que alguém possa aparecer para ‘salvar’ o Palmeiras do apequenamento encaminhado há anos. Não é de se estranhar que os batizadores de um ‘Divino’, que até já canonizaram um ‘São Marcos’, tenham como maior triunfo o sentimento de fé.

* Bruno Rizzato Rodrigues é jornalista, formado em 2013 pela Universidade Anhembi Morumbi, já trabalhou em redação, assessoria de imprensa e mídias sociais. Apaixonado por futebol e música, em constante busca por um espaço para compartilhar informações.

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7 pensamentos sobre “O futuro do pretérito palmeirense

  1. Pingback: O futuro do pretérito palmeirense | Bruno Rizzato – Jornalista

  2. Mauricio Ramos (ex-Coritiba-PR)
    Danilo (ex-Atlético-PR)
    Cleiton Xavier (ex-Figueirense-SC)
    Willians (ex-Vitória-BA)
    Keirrison (ex-Coritiba-PR)
    Edmilson (ex-Villareal-ESP e Seleção Brasileira)
    Pablo Armero (Colômbia) (ex-America de Cali-COL)
    Souza (Palmeiras sub-20)
    Marquinhos (ex-Vitória-BA)
    Marcão (ex-Inter-RS)
    Ortigoza (Paraguai) (ex-Sol de América-PAR)
    Mozart (ex-Coritiba-PR e Flamengo-RJ)
    Obina (ex-Flamengo-RJ)
    Henrique (ex-Ituano-SP)
    Robert (ex-América-MEX)
    Vagner (ex-CSKA-RUS formado no Palmeiras-B)
    Léo (ex-Grêmio-RS)
    Márcio Araújo (ex-Atlético-MG)
    Eduardo (ex-Guarani-SP)
    Edinho (ex-Lecce-ITA)
    Ivo (ex-Juventude-RS)
    Ewerthon (ex-Real Zaragoza-ESP)
    Lincoln (ex-Galatassaray-TUR)
    Bruno Paulo (ex-Flamengo-RJ)
    Paulo Henrique (ex-Heerenveen-HOL)
    Marcos Assunção (ex-Grêmio Prudente-SP)
    Vitor (ex-Goiás-GO)
    Kléber
    Tadeu (ex-Grêmio Prudente-SP)
    Tinga (ex-Ponte Preta-SP)
    Leandro Amaro (ex-Botafogo-SP)
    Luan (ex-Toulouse-FRA)
    Rivaldo (ex-Avaí-SC)
    Fabrício (ex-Flamengo-RJ)
    Valdivia
    Dinei (ex-Atlético-PR)

    Essa é a relação dos contratados pelo Belluzzo!

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  3. Caracaaa, o parágrafo final arrepiou! Esses safados do poder precisam reconhecer a grandeza do Palmeiras, mesmo. Eu concordo com a opinião do texto, seja quem for, tem uma situação melhor, um palmeiras sem dívidas. Tem q arranjar um patrocínio agora e montar um time foda! Ótimo texto! E o Galuppo é fera, o cara fala o que pensa!!!

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  4. Apenas uma correção na matéria que se faz necessária, pois há um erro de informação. Na gestão do Belluzzo, entre 2009 e 2010, foram contratados 36 atletas para o departamento profissional. E não 80 como foi citado.

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