Música/Rock

Um relacionamento entre pais e filhos que nem Freud explica

O Devachan, banda de heavy metal do interior de São Paulo é formada pelo pai e seus dois filhos. Nada convencional, cotidiano da família inclui sessões de gravações e shows ao vivo.

“Vai cortar esse cabelo!”. “Abaixa esse som, moleque!”. “Quando você vai deixar de ouvir essa música do diabo e procurar um emprego?”.
Essas são expressões que qualquer um que goste de rock e heavy metal ouviu de seus pais em algum momento da vida.

De estranhar seria ouvir de seu pai: “Vamos, meninos, estamos atrasados pro ensaio da nossa banda.” Mas não é que uma situação como essa realmente existe.

A banda de heavy metal paulista Devachan traz em sua formação o pai e baixista, Daniel Dias, e seus dois filhos, Leandro Dias (guitarra) e Gabriel Dias (vocalista). E a relação existente entre eles é tão diferente que nem o pai da psicanálise explicaria.

Daniel Dias e os filhos Leandro (esquerda) e Gabriel (direita) (Foto: Bruno Caresia/Divulgação)

Daniel Dias e os filhos Leandro (esquerda) e Gabriel (direita) (Foto: Bruno Caresia/Divulgação)

Conceitualmente, a Devachan teve origem 30 anos atrás, quando Daniel escreveu suas primeiras letras. O material ficou guardado até 2010 quando Gabriel e Leandro decidiram formar uma banda. A decisão de usar as letras do pai e tê-lo como baixista do grupo foi óbvia, por mais que pareça o contrário. “Um dos motivos de termos criado a Devachan foi o de mostrar essas letras do meu pai que estavam escondidas”, conta o vocalista Gabriel Dias. “Como nosso berço era o heavy metal, mergulhamos nisso de cabeça. Convidamos o nosso pai Daniel para ser o baixista por razões óbvias, mas sobretudo pelo fato de ele ser um ótimo músico e de muita experiência”.

Carinhosamente apelidado pelos filhos e demais companheiros de banda como “Tiozinho”, Daniel relembra como foi receber o convite dos filhos. “Bom, não foi um convite, mas uma intimada. Lembro que meus filhos me falaram: – Chega de cover, vamos tocar músicas próprias, as suas músicas! Aquilo foi genial, me senti voltando no tempo quando eu compunha para bandas de amigos que participavam de festivais. Entrei de cabeça sem pensar se daria certo ou não, pois a alma e o coração já estavam envolvidos. Foi um presente que vai ficar para sempre.”

A rotina de uma família convencional não tem nada a ver com a de uma família como a dos membros do Devachan que incluem compromissos de ensaios, shows e gravações.  “O nosso relacionamento, na banda ou fora dela, nunca foi o convencional de pais e filhos”, diz Daniel. “Sempre os tratei como se fossem meus amigos, algumas vezes ensinando e em outras aprendendo, e hoje colho os frutos dessa educação. A diferença de idade também nunca foi um problema. Enquanto alguns amigos deles nunca quiserem a presença de seus pais em alguns lugares, eles, ao contrário, sempre me quiseram participando de tudo, nunca se sentiram envergonhados com minha presença e vice-versa. Isso incluiu os momentos de backstage e de festa que rolam após os shows da banda”.

Leandro Dias, guitarrista da banda, confirma a eficácia do modelo de educação recebido pelo pai (e amigo) Daniel. “Meu pai sempre foi muito mais como um amigo mesmo. Nunca julgou nossas ações, sempre resolvemos as coisas na conversa. Foi tudo sempre uma troca de conhecimento e experiências. Isso inclui a parte musical da banda também.”

Bruno Caresia (bateria) e Michael Veríssimo (teclados) completam a formação do Devachan. Para Bruno, tocar numa banda formada por pai e filhos é como conviver em família. Literalmente. “O Daniel basicamente nos adotou também. Tenho por ele o mesmo respeito que tenho com o meu próprio pai”.

Empolgados com os resultados, Daniel, seus dois filhos, além de Bruno e Michael já estão em processo de pré-produção daquele que será o disco oficial de estreia do Devachan. Ainda sem título definido, o trabalho deverá reunir 10 faixas inéditas, todas cantadas em português, entre elas “Regeneração” e “Eis A Questão”.

O disco está previsto para ser lançado no primeiro semestre de 2015. Sem atrasos, sob ameaça de vários puxões de orelha do Tiozinho.

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