Brasileiro/Futebol

Mais do mesmo. Que não é o mesmo

Há um bom tempo, escrever sobre a situação atual do Palmeiras tem sido um hercúleo exercício repetitivo e enfadonho, assim como o futebol sofrível apresentado pela equipe.

Neste momento de mais uma crise, em que todas as decisões obtusas, amadoras e desorganizadas são novamente criticadas com os iguais argumentos, pontos e contrapontos destacados como já tem sido feito há muitos anos, o que surpreende em alguns aspectos é o enfoque enviesado dado à gravidade da situação do Palmeiras. A mediocridade, muitas vezes, é sinônima de superficialidade.

É inadmissível admitir que diante de tamanha inépcia – de inúmeras gestões e dirigentes – que cerceia e carcome os alicerces Alviverde, chegando ao ponto de criar um báratro personificado no íntimo do torcedor (que já está sendo assombrado pelo fantasma do rebaixamento outra vez), a discussão que norteia o rumo para as respostas de todos os infortúnios sejam a troca do treinador e a qualidade do elenco.

Acredito que este é o momento de uma profunda reflexão. Inclusive daqueles que apontam a trilha para o Palmeiras se portar como Palmeiras novamente. Técnico de ponta e plantel qualificado são soluções a curto prazo num contexto em que a crise delimita e determina o cotidiano de uma agremiação grande. E majoritariamente se transforma mais em ardil do que redenção. A longo prazo, estes fatores são a síntese de organização e planejamento.

No caso palestrino, já passou mais do que da hora de tudo ser encarado com a seriedade dos grandes nomes que escreveram os 100 anos da história palmeirense. E nesta análise, é indiferente se Ricardo Gareca é o técnico ideal, apesar de ser um disparate muitos torcedores já pedirem a cabeça do argentino, assim como já faz também uma parte da imprensa. Aliás, muitos jornalistas também precisam fazer um mea culpa e avaliar as próprias ponderações. A análise sobre a SEP já sai como uma fórmula pronta, e relatada como uma cartilha estratificada num sistema autômato.

Assim como chega a ser um avilte apontar a limitação e a deficiência técnica dos atletas, ou bradar com a cólera a plenos pulmões que a camisa do Palmeiras precisa ser honrada com garra e vontade, pois falta amor à camisa.

Se um contexto adquire ares calamitosos, é mais do que óbvio que a urgência da situação demanda uma compreensão mais abrangente e assaz escrutinadora. Quando isso não ocorre, o profissional está tomando pela incompetência, egocentrismo ou autoindulgência. Muitas vezes, os três agem em conjunto.

A história do Palmeiras merece mais do que isso. Imensamente muito mais. Chegou o momento de a maior parte dos palmeirenses e da imprensa relegar o mais do mesmo ao trivial. A Sociedade Esportiva Palmeiras está longe de ser apontada no panteão dos ordinários. A crise é duradoura e o horizonte, nebuloso. Não obstante, as soluções sugeridas não precisam fazer parte do mesmo time. De limitações, ao palmeirense já basta a equipe que entra em campo atualmente.

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