Brasileiro/Futebol

Futebol brasileiro à mercê dos empresários

Foi-se o tempo em que os grandes times brasileiros formavam jogadores e tinham em seus elencos a maioria de “pratas da casa”. Há alguns anos essa realidade mudou drasticamente. Com o fim da antiga Lei do Passe, os jogadores ganharam mais liberdade para negociarem seus contratos e gerenciar suas carreiras. O problema é que essas negociações, normalmente, ocorrem com empresários e não com os clubes. Uma minoria deles detém o controle sobre as maiores estrelas do futebol, não só brasileiros, mas pelo mundo todo. Qualquer time de base tem os agenciadores de olho em jovens que podem lhes render rios de dinheiro no futuro.

Os times, por sua vez, preferem gastar com contratações a investir novamente na formação de atletas, justamente porque os meninos logo se amarram em contratos com empresários e podem, a qualquer momento, acionar a justiça para sair do clube – o caso de Oscar na base do São Paulo ilustra bem isso. O jogador, formado pelo tricolor, conseguiu o direito de atuar pelo Inter e depois foi vendido para o exterior.

oscar

No futebol tupiniquim a questão ganha novos capítulos com a crise financeira dos clubes, que devem fortunas, seja em pagamentos atrasados, arrecadação tributária, direitos de imagens, seja com ações trabalhistas. Mesmo os times (poucos) que mantêm altos contratos de patrocínio e direitos de transmissão sofrem hoje com a falta de recursos para se investir em contratações e aí os empresários da bola surgem como super-heróis que vão liberar cifras milionárias para os clubes. Os chamados direitos federativos dos jogadores mais parecem uma pizza de gráfico, com x% para fulano, y% para beltrano, z% cicrano e a menor parte fica para os clubes, que servem apenas de vitrine para o “produto” dos investidores. Lembrando que quem investe quer retorno…

O caso mais recente é do zagueiro Cléber. O jogador que teve passagens pelos modestíssimos Legião-DF (2008), Paulista (2009/10/11), Itumbiara (2011) e Catanduvense (2012), começou a chamar a atenção de grandes clubes após boas apresentações pela Ponte Preta. O Corinthians contratou o jogador com ajuda dos investidores no fim do ano passado. Cléber assumiu a titularidade no Timão depois da saída de Paulo André e vinha começando a se firmar na melhor defesa do Brasileirão, ao lado de Gil. O Timão não exerceu a prioridade de compra de 20% dos direitos do jogador em abril, por falta de recursos, mas na época não foi dada muita atençao ao fato. Acreditava-se que após uma campanha consistente no Brasileirão, Cléber pudesse renovar seu contrato, receber aumento e ter uma fatia da pizza comprada pelo Corinthians, como aconteceu com outros atletas. Mas a vontade dos investidores “parceiros” em ver o lucro sobre o investimento se concretizar logo foi maior e esta semana o zagueiro embarcou para a Alemanha, para assinar com o Hamburgo. O Corinthians não pôde fazer nada, além de promover a estreia de Anderson Martins no time titular e torcer para o novo parceiro se entrosar rapidamente com Gil, com o Brasileiro em andamento.

Cléber fez exatos 31 jogos e 4 gols pelo Corinthians, antes de arrumar as malas para a Alemanha. Foto: Getty Images

Não estou aqui para defender clube nenhum e nem acho que os times sejam reféns, pois sabem desde o início de cada negociação como a banda toca e assumem o risco. Mas quero levantar a discussão sobre o elevado poder que os empresários exercem hoje no futebol. E se queremos modernizar e revolucionar o esporte bretão, essa relação clubes x jogadores x empresários também deve ser repensada.

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