Brasileiro/Futebol

Centenário da reflexão

Antes que eu seja perseguido por palmeirenses ensandecidos, com tochas esmeraldinas em riste, para ser julgado em um tribunal inquisitório Alviverde, já me explico de antemão: o clube Palmeiras e o torcedor tem que celebrar muito o centenário. Festejar a história palmeirense, repleta de títulos memoráveis, times históricos, personagens formidáveis, momentos inesquecíveis. Uma agremiação que vai muito além do futebol.

Tive a honra, o prazer, o privilégio (e todos os adjetivos possíveis e inimagináveis que possam definir a felicidade) de escrever uma parte do livro oficial do centenário do Palmeiras. Fui convidado pelo Mauro Beting a participar do projeto. Nunca escondi e nem escondo que eu sou palmeirense – sinceramente, acho totalmente ilógico um jornalista esportivo não dizer o seu time e fica pior ainda quando tenta disfarçar com o argumento de que sempre torceu por uma agremiação pequena. Ficar mais próximo da história do meu clube de coração, que esteve tão presente na minha infância e adolescência e que definitivamente influenciou de forma decisiva a minha formação como pessoa, foi uma alegria indescritível. Ali, pude perceber como a história do Palmeiras é rica. Senti mais orgulho de ser palmeirense, de ter herdado esta escolha do meu pai, que já tinha seguido o pai dele (obviamente, o meu avô).

Tal orgulho e alegria são intocáveis, inexpugnáveis, indestrutíveis. O atual momento do Palmeiras no Campeonato Brasileiro passa longe de arranhar esta realidade. A história centenária Alviverde jamais será manchada. Mesmo que a Série B do Brasileirão seja visitada infinitas vezes.

Não obstante, se o legado Alviverde merece celebração e veneração, o presente e o futuro precisam, necessitam, clama por reflexão. Mas é uma revisão completa, que vai além de um choque de gestão – fundamental a curto prazo, diga-se de passagem. Não irei discorrer sobre a falta de planejamento, desorganização, critérios técnicos enviesados e ações atrapalhadas que pautam a atual diretoria, até porque essa nódoa inglória não é privilégio da atual gestão.

Infelizmente, tal cenário virou uma constante. A soberba daqueles que acreditavam que o Palmeiras poderia caminhar com as próprias pernas, sem a necessidade de respeitar o passado e se preparar o futuro, deixaram o clube na atual situação.

O Palmeiras não é um clube grande. É um gigante. E somente com profissionalismo, todo o legado construído em 100 anos poderá ser ampliado e igualmente festejado em 2114. O Palestra Italia conquistou o primeiro título em 1920. Para se tornar o ‘campeão do século’, foram necessários 80 anos. Portanto, fica claro que não será necessário um plano mirabolante para o Palmeiras ser também o ‘campeão do século XXI’. ‘Apenas’ organização.

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