Futebol/Latinoamericano

MLS – O novo modelo de futebol rentável

* Por Luiz Felipe Corrales

 

A Major League Soccer, principal liga de futebol dos Estados Unidos, será o próximo destino de Kaká e outros grandes craques brasileiros e estrangeiros em um futuro próximo. O New York Red Bulls, clube que já conta conta com dois atletas consagrados, o francês Thierry Henry e o australiano Tim Cahill, negocia também a contratação de Ronaldinho Gaúcho, ex-jogador do Atlético-MG. Robinho também foi cobiçado pelo Orlando City, mesmo time de Kaká, mas foi descartado. A temporada de 2015 do futebol nos EUA terá ainda os reforços de peso do inglês Frank Lampard e do espanhol David Villa contratados pela franquia do Manchester City com sede em Nova York, a tendência é que, ano após ano, cresça o número de grandes jogadores na liga americana. Apesar de criada em 1996 a MLS já é um campeonato popular e rentável e tem planos ambiciosos. Com o impressionante crescimento do ‘soccer’ no país, confirmado durante a campanha da seleção americana na Copa do Mundo no Brasil, a expectativa dos donos dos clubes americanos não é apenas contratar atletas em fim de carreira e lotar estádios, mas competir com as grandes ligas europeias. E, claro, faturar muitos milhões de dólares.

Kaká será a principal estrela do Orlando City em 2015. Foto: Divulgação

 

Atualmente, a Major League Soccer é formada por 19 equipes quer chegar a 24, divididas em duas conferências, em formato semelhante ao da NBA e outras ligas americanas, se adequando as reais necessidades de cada liga, Após os playoffs, a grande final é realizada em dezembro, entre os campeões da costa leste e oeste, em jogo único (como no Super Bowl, a final do futebol americano e evento mais aguardado dos EUA). A média de público do último campeonato foi de 18.608 torcedores por jogo, quase 4.000 a mais que a média do Brasileirão. Desde 2007, a MLS passou a receber também equipes canadenses. O primeiro foi o Toronto FC, clube pelo qual o goleiro brasileiro Júlio César atuou antes da Copa do Mundo deste ano. Posteriormente, o Vancouver Whitecaps e o Montreal Impact também foram aceitos na liga do país vizinho.

Confira a lista de jogadores brasileiros e as novas atuais estrelas da MLS:

Júlio César – Toronto FC

Benny Feilhaber – Sporting Kansas City

Michel – Dallas

Fred da Silva – Philadelphia Unions

Gilberto – Toronto FC

Alex Lima – Chicago Fire

Igor Julião – Sporting Kansas City

Fabinho Alves – Philadelphia Unions

Fábio Pereira – Seattle Sounders

Juninho – Los Angeles Galaxy

Samuel – Los Angeles Galaxy

Felipe Martins – Montreal Impact

Leo Fernandes – Philadelphia Unions

Marcelo Sarvas – Los Angeles Galaxy

Jackson Golcalves – Toronto-FC

Leonardo – Los Angeles Galaxy

Paulo Nagamura -Sporting Kansas City

Pedro Ribeiro – Philadeplhia Unions

David Villa (Espanha) – New York City

Kaká (Brasil) – Orlando City

Frank Lampard (Inglaterra) – New York City

O ex-jogador inglês David Beckham foi um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento recente do futebol no país. Em 2007, ele trocou o Real Madrid pelo Los Angeles Galaxy e, além de expandir ainda mais seu status de popstar mundial, conquistou dois títulos, em 2011 e 2012. A presença do craque galã atraiu patrocinadores e fãs, e também serviu para tirar a impressão de que a MLS é um campeonato voltado apenas a jogadores e torcedores latinos, como nos tempos de Valderrama e Etcheverry, no fim da década de 1990.

Lampard e Villa vão defender o New York City Football. Foto: Divulgação

 

A intenção dos clubes americanos é conquistar não apenas os imigrantes e seus descendentes, mas os americanos e agora os brasileiros. Também por isso, as principais referências da seleção local nas últimas Copas, Clint Dempsey e Landon Donovan, desistiram de aventuras no futebol europeu para assinar contratos milionários com a MLS.

As regras da liga estabelecem um teto salarial para folha de pagamento dos atletas, de quase 4 milhões de dólares anuais em 2015,  segundo o dono do Orlando. Mas cada equipe pode ter até três “jogadores designados”, que podem ter salários bem acima deste valor, como é o caso de Kaká, Lampard, Villa, Henry (salário anual de pouco mais de 4 milhões de dólares em 2014), Tim Cahil (acima dos 3,5 milhões) e Dempsey (mais de 6.5 milhões de dólares com bonificações), entre outros.

 

 

O grande desafio da MLS será realizar uma mudança duradoura, ao contrário do que ocorreu na década de 1970, quando mitos como Pelé, Franz Beckenbauer, Carlos Alberto Torres e Johan Cruyff deram o pontapé inicial para a popularização do esporte no país, mas dentro de uma estrutura e administração frágeis. Desta vez, dinheiro, organização, foco e interesse popular devem empurrar os Estados Unidos para o mapa do futebol mundial com destaque.

A rota dos EUA tem sido frequente em pré – temporada dos clubes europeus, afim de expandirem suas marcas, vendo um mercado emergente, organizado e  totalmente lucrativo. Está nos planos da liga também expandir os participantes da Libertadores com times do ‘soccer’, claro respeitando as questões burocráticas e de logística, em matéria recente para a revista Veja, Flávio Augusto comenta alguns pontos sobre a MLS e seu futuro, confira:

Cultura do esporte – “Aqui nos EUA, é tradicional as crianças praticarem esportes e as famílias investirem nisso. Os pais começam a guardar dinheiro para os estudos dos filhos desde cedo, pois o ensino médio e fundamental são de graça e de boa qualidade, mas o superior é pago e caro. Os pais gastam entre 35.000 e 50.000 dólares por ano. Como as faculdades valorizam o esporte, se o menino tiver habilidade ganha bolsa, às vezes de até 100%. Ou seja, investir em esporte vale a pena nos EUA. É por isso que os americanos ganham tantas medalhas olímpicas, não tem nada a ver com apoio do governo.”

Preferência por modalidade – “Os pais incentivam cada vez mais os filhos a praticar futebol. No futebol americano, os adolescentes levam pancadas na cabeça e podem ter problemas cognitivos. No basquete, se o menino não tem 2 metros de altura, é muito baixo para a NBA, existe a barreira genética. E a nova geração não gosta de beisebol, acha muito chato. Em compensação, o futebol vem crescendo muito, já é o segundo esporte preferido entre as pessoas de 24 anos, atrás só do futebol americano. Entre o público latino, é o primeiro. A tendência é que o futebol se consolide como o segundo esporte em dez anos, e em 20 anos, quem sabe, possa alcançar o futebol americano.”

Concorrência – “A ideia não é concorrer com os outros esportes, mas coexistir. Queremos que o torcedor vá aos jogos de basquete e futebol também, inclusive o ginásio do Orlando Magic, da NBA, é ao lado do nosso estádio. Os valores em torno do futebol se tornarão astronômicos em breve e quando isso acontecer os maiores contratos de jogadores não acontecerão mais na Europa, mas nos Estados Unidos. Imagino que isso comece a acontecer em 2022, quando será feito o novo contrato de direitos de transmissão.”


Torcida –
 “Temos três estratégias para atrair público, uma para os Estados Unidos, uma para o Brasil e outra para o mundo. Nos EUA, podemos ser como jesuítas e catequisar o torcedor, porque ele não tem time. Nós podemos ter 40 milhões de torcedores, mais que Corinthians e Flamengo, só depende de nós. Para isso, teremos de contratar grandes jogadores.”


Brasil em Orlando –
 “Sou o dono do clube e sou brasileiro, o Kaká é brasileiro e tem chances até de voltar à seleção, o que ajudaria nossa estratégia. Além disso, o clube fica em Orlando, a cidade mais visitada por brasileiros no mundo. Nossa abordagem é essa: queremos que o Orlando City seja o segundo time de todo brasileiro. Um detalhe: a cor da camisa é roxa, porque é uma cor neutra no Brasil. Como não existe nenhum clube com essa cor no Brasil, é bem aceita em todas as torcidas.”


Negócio global –
 “É possível transformar um clube de Orlando em uma marca global. O Manchester City, por exemplo, não era nada até pouco tempo. Manchester, inclusive, é uma cidade pequena, ao contrário de Orlando, que exporta cultura através da Disney e recebe mais de 60 milhões de turistas por ano. A cidade tem vocação para receber turistas e queremos incluir nosso estádio neste circuito.”
Kaká – “Não foi tão difícil trazê-lo, porque ele é um sujeito de visão. Mostramos que a MLS é o mercado do futuro e que ele poderia ter retorno semelhante ao do David Beckham por sua imagem. Além disso, terá a chance de participar da construção do futebol no país, assim como Pelé e Beckham já deram suas contribuições no passado. No momento, ele pode ser o grande nome do esporte nessa região. Pesou também o fato de Orlando ser um lugar bastante agradável para uma pessoa com filhos pequenos. Ele até poderia conseguir contratos melhores, mas na China ou Turquia, lugares bem menos atrativos.”


Craques –
 “O que define a contratação de jogadores é o mercado e qualquer coisa fora disso é aventura. Não vamos pagar 100 milhões de dólares em um jogador, como o Real Madrid fez com James Rodríguez. Quem faz isso é porque recebe 500 milhões de euros por ano em direitos de TV. O perfil de jogadores da MLS hoje é semelhante ao dos grandes times da América do Sul. Nos próximos anos, pagaremos mais que eles, e isso deve atrair outro tipo de jogadores.”


Investimento em jogador –
 “Um mercado muito interessante no momento é o de jogadores jovens, de 18, 19 anos, que jogaram nas categorias de base da seleção mas ainda não tiveram espaço em seus clubes. Em breve vamos anunciar jogadores brasileiros com esse perfil. Não estamos preocupados com a etiqueta, mas com a qualidade dos jogadores.”


Acesso –
 “Chegar à MLS não depende apenas de colocar a bola dentro do gol, infelizmente. Além de um projeto de futebol consistente, que naturalmente passa pela conquista em campo, é preciso um plano de negócio consistente, que justifique para os donos da MLS ter um novo sócio. É preciso agregar algo importante à liga. É um processo de aquisição, pois os donos dos clubes são também os donos da MLS, esse é o modelo. No ano passado, consegui convencer a MLS de que valia a pena ter o Orlando como membro e eu como sócio.”


Público para 2015 –
 “Com oito meses de antecedência, já vendemos mais de 160.000 ingressos para a temporada de 2015. Foram 8.000 pacotes para a temporada. Os ingressos variam entre 450 dólares (cerca de 1.020 reais) até 1.500 dólares (cerca de 3.400 reais) pela temporada regular, que tem vinte jogos em casa. Até a estreia, pretendemos vender cerca de 20.000 season tickets (para toda a temporada), o que já nos garantiria público bem melhor do que a média do Campeonato Brasileiro.”


Libertadores –
 “É inviável unificar a Libertadores com a Liga dos Campeões da Concacaf, não pensamos nisso.  É muito mais interessante jogar o torneio da Concacaf, que também dá vaga para o Mundial de Clubes. As distâncias para a América do Sul são muito grandes. Os mexicanos estão mais perto, por isso jogam, mas há equipes em Montreal e Toronto, por exemplo, que estão tão distantes do Brasil quanto a Europa. Não dá pra fazer 10 horas de viagem para jogar a 3.000 metros de altitude na Bolívia.”

 

*Luiz Felipe Corrales é estudante de Publicidade, Propaganda e Criação

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