Brasileiro/Futebol

Os dados foram jogados e antes mesmo já estavam perdidos. A ética morreu em berço tétrico há muito tempo

Não irei discorrer sobre o retrocesso atroz e absurdo que representa a volta de Dunga ao comando técnico da seleção brasileira. A escolha de Dunga simboliza a geriocracia disparatada da Confederação Brasileira de Futebol (?), carcomida pelo despotismo travestido de modernidade, gestão democrática e uma dose velada de mau-caratismo, evidentemente.

Na verdade, o novo/velho comandante do Brasil é o retrato dos profissionais que a CBF deseja para treinar o time nacional: subserviente, com postura condescendente às mazelas crônicas do futebol brasileiro, cujos sintomas mais graves acabam sempre explicitados dentro das 4 linhas. Na troca dos fantoches, Dunga nada mais é que uma versão autômata e similar de Carlos Alberto Parreira. Só um pouco mais rústico. Não obstante, até a postura ‘austera’ está mudando: a entrevista deliberadamente chapa branca para o Fantástico evidencia tal preocupação.

No entanto, como acreditar no discurso de comprometimento, ética e seriedade com o selecionado nacional e o País se o novo técnico aparece como intermediador de transações em direitos econômicos de um jogador de futebol, como evidencia a ótima matéria da ESPN Brasil (http://espn.uol.com.br/noticia/427838_dunga-nao-explica-negocio-nebuloso-com-jogador)? E o mais grave: um dos casos ocorreu quando Carlos Caetano Bledorn Verri já era treinador do Brasil.

Também não vou escrever sobre um ex-empresário ser nomeado o coordenador de seleções da entidade. Profissional este que ao ser superintendente de futebol do Flamengo entre 1998 e 2000 fez um trabalho mais do que insatisfatório. Não obstante, foi expedito: não saiu de mãos abanando, pois foi ali que iniciou a carreira que deixou há poucos dias. Tanto que sofreu muitas críticas por ter se tornado empresário de jogadores que ajudou a profissionalizar no clube da Gávea, como o atacante Adriano e o zagueiro Juan. Neste país que dá certo, em que a grande referência auspiciosa e o exemplo é a CBF, o último requisito é a competência. O primeiro é o sofismo dos ímpios.

Inclusive, não citarei a perpetuação do lastimável, simbolizada em Marco Polo Del Nero, que honrará os preceitos de José Maria Marin, engendrados por Ricardo Teixeira, sob a bênção de João Havelange.

Não tenho tempo também para lembrar que grande parte deste cenário está na conta dos clubes da Primeira Divisão e nas Federações dos Estados, que elegeram o novo presidente da CBF. Mas quando o ‘ignóbil’ é sinônimo de ‘gestão’ no futebol, como é possível empregar palavras como renovação, reformulação? Parecem tão distantes quanto os grandes momentos históricos e homéricos que já ocorreram nos gramados do Brasil.

Apenas friso que o futebol brasileiro foi levado ao limite. Está sob uma linha tênue, em uma estrada suicida e altamente veloz, sem direção. No Brasil, algumas situações apenas são resolvidas e encaradas com a seriedade que merecem quando o fundo do poço é subestimado e constatado que é possível descer mais um nível. Quando ficarmos fora de uma Copa do Mundo aí sim talvez o milagre da gestão profissional e ética comece a ser disseminada.

Impossível, inimaginável a seleção brasileira não jogar um Mundial? Tomar 7 x 1 em uma semifinal de Mundial também não era, meu chapa?

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