Copa do Mundo/Futebol

O prêmio final a um trabalho muito bem feito

Foi uma grande final para uma grande Copa. E um grande campeão. A Alemanha coroou um trabalho de mais de dez anos de planejamento e se tornou tetracampeã mundial de futebol após 24 anos.

Foto: Getty Images

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O adversário na final, a Argentina, valorizou ainda mais a conquista germânica. Lionel Messi e seus companheiros fizeram a sua melhor partida no Mundial e jogaram de tal maneira que, se o título fosse para a albiceleste também seria justo.

Com a bola rolando foi um jogo de xadrez. Ciente de que os alemães tem um time melhor tecnicamente, a Argentina deu a bola ao adversário e se protegeu, tentando contra-ataques. Uma tática muito bem sucedida, afinal, a defesa, por incrível que pareça, fez mais uma partida sólida. Ofensivamente, a Alemanha tinha domínio das ações, mas pouco efetiva. A Argentina, nos poucos momentos que pegavam a pelota, eram velozes e perigosos no contragolpe.

Tanto que Higuaín perdeu um gol feito no meio da primeira etapa. E fez um na sequência, mas estava impedido e viu a arbitragem anular o tento. No início do segundo tempo, Messi também perdeu uma grande oportunidade diante de Neuer. Depois disso, o que se viu foi novamente a Alemanha ter mais posse de bola.

Já a Argentina viu seu técnico cometer um erro no intervalo e perdeu boa parte da força ofensiva e de marcação à saída de bola alemã. Tirou Lavezzi, que corria como um cachorro louco, e colocou Aguero, inútil durante toda a Copa, que repetiu a média de suas atuações no mundial nos 75 minutos seguintes. Só apareceu quando deu uma cotovelada em Schweinsteiger durante a prorrogação, que merecia cartão vermelho (já tinha levado amarelo por falta violenta pouco antes).

Pela terceira vez consecutiva, a Copa do Mundo precisava de uma prorrogação para conhecer o seu campeão. No tempo extra, a Alemanha começou mais quente, exigindo boas intervenções de Romero. Mas logo a Argentina recompôs o sistema defensivo e soube acalmar o ímpeto adversário. Chegou a ameaçoa, com uma boa chance desperdiçada por Rodrigo Palacio.

Até os sete minutos do segundo tempo da prorrogação, quando Schürrle recebeu pela ponta esquerda e cruzou no peito de Götze, que matou com a categoria dos grandes craques e concluiu com perfeição na saída de Romero. Fatal.

Foto: Getty Images

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A partir daí, a Argentina estrebuchou como o esperado, mas foi ineficaz quando teve que propor o jogo. Deu trabalho o bastante para honrar ainda mais o justíssimo título alemão. O melhor trabalho, a melhor formação de jogadores, o melhor elenco e um grande técnico (apesar da dieta formada por catota de nariz). E olha que o grande craque do time, Marco Reus, sequer veio ao Brasil, machucado.

O título mundial coroa uma geração que veio ao mundo na Copa de 2006, com Schweinsteiger e Lahn, mas que também tem muitos jovens capazes de credenciar a Alemanha como a grande favorita ao penta em 2018, com Götze, Reus, Müller, Khedira, Kroos, Boateng, entre outros.

Já para a Argentina, o cenário é mais sombrio. Messi estará com 31 anos e dificilmente terá o nível de atuações que teve nesta Copa. De consolo, restou o prêmio (contestável) de melhor jogador do torneio. Outros companheiros que fizeram uma grande Copa, como Mascherano e Demichelis, não estarão na Rússia daqui a quatro anos. Assim como no Brasil, o trabalho na AFA é tão horrível quanto o da CBF, com um ditador no poder desde 1979 e muitos problemas no futebol interno, com clubes quebrados e as categorias de base sem um trabalho decente, já refletido nas péssimas campanhas no sul-americano sub-20 (disputado em casa) e a ausência no mundial da categoria. A perspectiva não é boa também nas margens do Rio da Prata.

Foto: Getty Images

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O futebol não é um esporte justo. Mas nesta Copa do Mundo, foi. A Alemanha, além do trabalho já citado acima e em outros textos neste espaço, também soube se preparar. Com planejamento, seus jogadores não só conseguiram ter capacidade técnica e física para conquistar a Copa, como também curtir o Brasil e mostrar todo o seu carisma ao planeta. Pela primeira vez, uma seleção europeia ganhou o torneio na América. Não é pouca coisa.

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