Copa do Mundo/Futebol

A redenção dos questionados

Primeiro foi o Shaqiri, o Messi suíço, que quase não tocou na bola nas oitavas de final. Depois, o belga Hazard, que teve uma atuação apagada nas quartas de final. Nesta quarta-feira (9), foi a vez de Arjen Robben, um dos melhores, senão o melhor jogador da Copa do Mundo de 2014, ser anulado. Alejandro Sabella, mesmo aos trancos e barrancos, conseguiu cumprir seu objetivo de montar uma equipe que sabe ocupar os espaços.

Contra a Holanda, era necessário fazer isso melhor do que nunca, afinal, a ocupação de espaços dentro de campo está no DNA laranja. E o que se viu por 120 minutos na Arena Corinthians foi um grande jogo de xadrez, especialmente na defesa, quando as duas equipes congestionavam as respectivas zagas para evitar que o forte ataque adversário conseguisse avançar de maneira objetiva.

De um lado, Robben não tinha espaço para mostrar sua velocidade. Do outro, Messi não conseguia ficar sozinho para tentar suas sequências avassaladoras de dribles. Como resultado, poucas chances de gol. Os goleiros trabalharam pouco. Romero se assustou com uma chegada de Robben no fim do tempo normal, quando o chute do craque holandês foi travado por Mascherano. Cillessen se viu diante de Rodrigo Palacio na prorrogação, mas o atacante argentino tentou surpreender e cabeceou fraco, na mão do goleiro adversário.

Foto: Getty Images

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Como consequência, a batalha foi para a cobrança de penalidades máximas. E lá se deu bem quem soube ocupar melhor os espaços sobre a linha do gol. Por incrível que pareça, Sergio Romero reviveu os grandes dias de outro Sergio, o Goycoechea, e pegou duas cobranças. O goleiro, que era muito questionado antes da Copa do Mundo começar, se tornou heroi nacional.

E com muitos méritos. Se não foi exigido com a bola rolando, Romero se mostrou um paredão nas cobranças de Vlaar e, especialmente de Sneijder, quando pulou firme no canto direito para espalmar a bola.

Foto: Getty Images

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Mas a redenção argentina não passa apenas pelas luva de Sergio Romero. Passa por todo um sistema defensivo, que sempre foi tido como um dos piores dos chamados favoritos. Mas, apesar de muitos sustos, a Argentina tomou apenas três gols, a melhor performance entre os quatro semifinalistas. Mascherano, Garay e Demichelis fazem grande Copa do Mundo, com destaque para os dois primeiros, que foram monstruosos contra a Holanda.

Só que o maior desafio ainda está por vir. A Alemanha chega a final após duas atuações muito sólidas, contra França e, especialmente, contra o Brasil no maior massacre entre gigantes visto na história dos mundiais. E uma geração inteira querendo coroar o grande trabalho da Federação Alemã com um título mundial que não vem há 24 anos, exatamente contra a Argentina.

Do outro lado, também há um encontro com a história. Messi provavelmente joga o seu último mundial no auge da forma física e técnica e a Copa do Mundo é o título que lhe falta individualmente. À Argentina, o jejum é ainda maior, são 28 anos sem conquistar o mundo, vencido pela última vez em 1986, exatamente contra a Alemanha.

A história da maior das Copas será finalizada neste domingo com a coroação de um grande campeão.

Um pensamento sobre “A redenção dos questionados

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