Copa do Mundo/Futebol

A mudança, uma necessidade

O Brasil pariu um pequeno rinoceronte para se classificar às quartas de final da Copa do Mundo. A dificuldade tida contra o Chile no Mineirão precisa ser muito bem aproveitada por Felipão para que a péssima atuação deste sábado (28) não se repita contra Colômbia ou Uruguai.

E não, não creio que seja o caso de mudar o time. O que tinha de ser feito já foi, que foi a saída de Paulinho, em má fase, para a entrada de Fernandinho. No mais, mesmo os questionados Daniel Alves e Fred não tem substitutos que possam melhorar tanto assim a qualidade do futebol apresentado pela seleção. E o também questionado Julio Cesar foi um dos herois da classificação. Não há motivos para mudar os nomes que estão indo a campo. Ou você acha que Jô fará melhor do que Fred está fazendo?

Foto: Getty Images

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Mas há muitos motivos para mudar a mentalidade. A disputa de uma Copa do Mundo causa muita pressão em um jogador de futebol. A disputa de uma Copa do Mundo em seu país causa uma pressão ainda maior em um jogador de futebol. A disputa de uma Copa do Mundo em seu país que venceu o torneio em cinco locais diferentes menos na própria casa é uma pressão que não dá para medir em um jogador de futebol. Após o jogo, com a vaga garantida, Julio Cesar, o mais experiente do grupo, disse uma frase que resume bem isso: “Jogar em casa é quase insuportável”.

E isso se reflete no time que vai a campo. Jovem, com o protagonista de apenas 22 anos tendo o peso da responsabilidade em vencer o mundial em casa. Muitos coadjuvantes estão na mesma faixa etária e na disputa da mesma Copa. Apenas seis atletas do elenco já tiveram uma experiência em outros mundiais. O time é travado, pressionado, não consegue impor o seu jogo, os talentos individuais que vestem a camisa amarela. Na primeira fase, Neymar ainda foi muito bem, mas o resto do time não, apesar das três vitórias.

O desequilíbrio brasileiro já tinha dado as caras na estreia, contra a Croácia. A reação de Marcelo ao marcar um gol contra com pouco mais de dez minutos mostrou bem. Assustado, demorou a entrar novamente no jogo.

Contra o Chile, foi a vez de Hulk. Após o erro de passe que resultou no gol de empate chileno, o camisa 7 sumiu do jogo. Não pelo esforço, afinal, correu ainda mais em busca de uma redenção. Mas claramente estava sem confiança, mais preocupado em não errar de novo do que em fazer o seu jogo. Na hora da cobrança de pênaltis, igual. Bateu com força, mas mal, no meio do gol, nos pés de Bravo.

Mas não foi só Hulk que preocupou. Tirando Julio Cesar, que fez uma defesaça no tempo normal em chute de Aranguíz no segundo tempo, quando o Chile dominava e tinha tudo para virar o jogo (além das duas defesas de pênaltis), ninguém jogou bem. Neymar, Oscar, Fred e Marcelo estavam sumidos, Hulk abalado. Daniel Alves e Fernandinho erravam muito, Luiz Gustavo, David Luiz e Thiago Silva, claramente nervosos.

Ninguém pode reclamar de esforço. Mas faltou inteligência. Faltou personalidade. Refletida nos pequenos detalhes. Ao fim dos 120 minutos, quando a única certeza era a de que a vaga seria decidida nas penalidades máximas, o capitão do time estava isolado ao lado do campo, chorando. Quem puxava o coro e discursava para motivar, dar força ao time, era o agora reserva Paulinho.

A boa notícia é que sobrou sorte. Primeiro no gol contra de Jara, que empurrou para as redes chilenas uma bola que sabe lá Deus se David Luiz iria acertar. Depois, no último lance da prorrogação, quando Pinilla saiu na cara de Julio Cesar e acertou um belíssimo chute, coisa rara na sua não tão brilhante carreira. Mas a bola beijou a trave e o Minerazzo não existiu por uma questão de centímetros.

Foto: Getty Images

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Ainda assim, o mais importante foi conseguido. Julio Cesar pegou dois pênaltis e viu o chute de Jara acertar a trave. A vaga para as quartas de final foi conseguida. Mas, mais do que no time, Felipão precisa mexer com a cabeça dos seus jogadores. Hoje, o time se abalou ao tomar o gol de empate. E se o gol chileno fosse o primeiro do jogo?

Taticamente também é preciso mudar. O Brasil jogou sem meio de campo. Oscar, teoricamente o articulista do time, estava em uma das beiradas, revezando com Hulk. E o Chile dominou o setor o tempo inteiro. Vidal foi um monstro em campo, especialmente no segundo tempo. Os volantes, especialmente Fernandinho, não apareceram bem para ocupar espaços no setor.

Ao Chile, restou sair do torneio de cabeça erguida e a certeza de que merecia sorte melhor na competição. Ao Brasil, há que se controlar os nervos. Se já estão à flor da pele nas oitavas de final, imagina em uma decisão.

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