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Livro sobre trajetória de Oscar Schmidt é lançado em São Paulo

Oscar Schmidt é um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos. Quem teve o prazer de vê-lo jogar ao vivo, como eu, sabe que o cara é diferenciado. E não apenas porque tem um dom divino, mas porque lutou e treinou muito a vida inteira para aperfeiçoar esse dom. A determinação de Oscar nas quadras e fora delas é contagiante. Ele sempre jogou com alegria, sentia prazer no que fazia, seja nos treinamentos, seja nos jogos. Desta forma, construiu uma carreira sólida no esporte, bateu recordes , conquistou títulos, e, principalmente, o respeito e o reconhecimento mundial por tudo o que fez pelo basquete. “A maior lição que aprendi com o Oscar é que sorte não existe! Ele treinava 1000 arremessos por dia e se tornou o maior cestinha do planeta!”, afirma o jornalista Elias Awad, autor do livro “Oscar Schmidt – 14 Motivos para Viver, Vencer e Ser Feliz”, que será lançado nesta quinta-feira em São Paulo, pela editora Novo Século.

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A determinação e a alegria de viver também foram importantíssimos para enfrentar o maior desafio de todos, um tumor no cérebro, detectado em 2011. A descoberta da doença e todas as mudanças na vida de Oscar a partir deste momento também são relatados na obra, que conta ainda com um grande acervo de imagens e depoimentos de personalidades como Pelé sobre Oscar.

 

Conhecido como “Mão Santa”, Oscar é o maior pontuador da história, com 49.737 em 1.615 jogos como profissional, uma impressionante média de 30,7 pontos por partida, marcados em quase trinta anos de dedicação à bola laranja.  “O Oscar é uma unanimidade. Ou você gosta… ou você gosta muito… ou você respeita!”, resume Elias Awad.

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Seleção Brasileira venceu os Estados Unidos na final do Pan de 1987, em Indianápolis. Foto: Agência Estado

 

Na seleção brasileira disputou quatro Copas do Mundo e cinco Olimpíadas, além de protagonizar o “milagre de Indianápolis”, quando o Brasil venceu os Estados Unidos por emocionantes 121 a 120 e conquistou o Pan-Americano de 1987. Oscar é o maior cestinha da história da seleção, com 7.693 pontos em 326 jogos. Se aposentou da seleção após os Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, sendo ovacionado pelos jogadores do Dream Team. Os títulos e recordes também se acumularam ao longo dos anos no clubes. Entre 1974 a 2003, Oscar defendeu Palmeiras, Sírio, Caserta-ITA, Pavia-ITA, Valladolid-ESP, Corinthians, Bandeirantes, Bauru e Flamengo.

 

 

Oscar está no seleto grupo do Hall da Fama da FIBA e, recentemente, foi eternizado também no Hall da Fama do basquete de Springfield, em Massachusetts, nos Estados Unidos, e recebeu o prêmio das mãos de um de seus maiores ídolos no basquete, Larry Bird.

 

O lançamento do livro acontece na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, às 19h00. Acompanhe agora a entrevista exclusiva que o jornalista Elias Awad concedeu ao Fut’n’Roll:

Larry Bird e Oscar: duas lendas no Hall da Fama do Basquete Foto: NBA

 

FnR: Elias, como surgiu a ideia de fazer a biografia do Oscar?

Elias Awad: Surgiu numa parceria com a Novo Século Editora, que edita meus livros há 12 anos. Conversamos o Oscar, eu e o Luiz da Editora e batemos o martelo. Este é o meu 17º e mais um grande presente que recebo de Deus, afinal, biografei alguns dos principais nomes do cenário empresarial brasileiro.

 

FnR: Quanto tempo você dedicou para entrevistas com o Oscar e para colher os demais depoimentos do livro?

Elias Awad: O processo todo levou 1 ano.

 

FnR: Nesse período, como foi a relação no dia a dia com o Oscar?

Elias Awad: Sempre excelente! Embora não seja uma biografia, a  relação entre biógrafo e  biografado tem de ser profunda, para poder explorar e mexer com passagens antigas da trajetória.

Elias Awad e Oscar Schmidt

Oscar e Elias Awad Foto: Arquivo Pessoal

 

FnR: Qual a maior lição você aprendeu com o Oscar?

Elias Awad: Que sorte não existe! Ele treinava 1000 arremessos por dia e se tornou o maior cestinha do planeta! Ele treinou e se especializou em tecnologia de equipamentos de palestras e se tornou o melhor palestrante do Brasil! E digo isso porque também faço palestras no mundo corporativo e sei o que isso representa na forma de atuar como palestrante.

 

FnR: Você procurou focar mais a carreira como atleta, ou também abordou o  lado empresário do Oscar, que promoveu muitas parcerias envolvendo o Basquete?

Elias Awad: Sim… Falamos de tudo que ele fez e viveu. E a mensagem é como ele transforou tudo que fez e viveu e como o leitor pode tomar essas experiências como base.

 

FnR: Como corintiano, qual foi a sua sensação de ter o Oscar defendendo o Corinthians e conquistando o campeonato brasileiro de 1996? Eu tenho a camisa 14 até hoje no meu armário…

Elias Awad: rsrsrsrs Incrível! Eu até cobri um jogo internacional no Parque São Jorge em que o pau quebrou feio! O técnico era o Meléndez. Ele nasceu para defender camisas como Corinthians e Flamengo.

Oscar foi Campeão Brasileiro pelo Corinthians em 1996 Foto: Getty Images

No Flamengo, conquistou dois títulos cariocas e teve a camisa 14 eternizada Foto: Flamengo.com.br

 

FnR: Aliás, aquele projeto da parceria Corinthians/Amway poderia ter durado um pouco mais. Mesmo sendo campeão em 96 e vice-campeão da liga sul-americano no ano seguinte, o time logo foi desfeito. O que aconteceu?

Elias Awad: Acredito que talvez a própria empresa não tenha se desenvolvido no país como esperava. Isso aconteceu também com a Hicks Muse, que patrocinou Corinthians e Cruzeiro no futebol.

 

FnR: Impossível falar de Oscar sem falar de seleção brasileira.  O Pan de 1987 é a minha primeira grande lembrança esportiva. Qual a sua visão sobre o que aquele time do Oscar fez?

Elias Awad: A certeza de que o maior adversário e gigante está dentro de nós. Se vencermos nossos medos, alcançamos a vitória, mesmo que seja contra a equipe de basquete dos EUA.

 

FnR: A despedida de Oscar da seleção foi tão dramática quanto a carreira dele. Mas veio com um reconhecimento dos atletas da seleção dos Estados Unidos, aplaudindo o Mão Santa, na Olimpíada de 1996…

Elias Awad: Até hoje ele é motivo de emoção. No ano passado, ao ser eleito o melhor palestrante do ano para um público de 1500 pessoas, ao nome dele ser anunciado todos o aplaudiram de pé!

Oscar marca o astro Scottie Pipen em novo duelo com os americanos, em 1996 Foto: Getty Images

 

FnR: Você acha que ele poderia ter estendido um pouco mais sua vida na seleção, já que atuou até 2003 em alto nível pelo Flamengo?

Elias Awad: Se o Oscar tivesse motivação para continuar, estaria lá até hoje! Ele respeita muito os sinais que a vida dá! Se parou, é porque entendeu ter cumprido um ciclo.

 

FnR: Recentemente, Oscar foi personagem de uma discussão via imprensa com o Nenê, acusado de se omitir na hora de defender a seleção. Falta nos jogadores de hoje aquele tesão de vestir a amarelinha como tinha o Oscar?

Elias Awad: O Oscar é sincero! E a sinceridade dói! Ele abriu o coração e disse o que pensava. Realmente, ferir o nacionalismo dói no Oscar. Ele sempre priorizou a seleção em detrimento do dinheiro. Hoje, os interesses, certamente acima da vontade, determinam as atitudes.

 

FnR: Como foi a abordagem do tumor do Oscar em seu livro? A luta contra a doença, sem dúvida, é a mais dura de todas…

Elias Awad: Sim… Ele contou como tudo aconteceu e principalmente a grande transformação que isso provocou na forma de ser, pensar e agir dele.

 

FnR: Você acompanhou o Oscar na noite do Hall da Fama de Springfield? O que representa para o esporte brasileiro ter um atleta como o Oscar neste seleto time, mesmo sem ter jogado na NBA?

Elias Awad: Essa sua última frase diz tudo: é o reconhecimento mesmo sem ter atuado na NBA. O Oscar é uma unanimidade. Ou você gosta… ou você gosta muito… ou você respeita! Obrigado pela oportunidade. Abraço especial aos leitores!

 

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