Europeu/Futebol

O futuro é hoje

Dois dos times mais importantes da Europa anunciaram seus novos comandantes nesta segunda-feira (19). Barcelona e Manchester United farão mudanças importantes nas respectivas estruturas com o objetivo de se recuperar da decepcionante temporada 2013/2014.

No Barcelona, apesar de ter chegado perto do título espanhol, o cenário parece ser de terra arrasada. Mal terminou o jogo contra o Atlético de Madrid, que deu o vice-campeonato espanhol aos culés, o técnico Tata Martino confirmou sua saída do clube catalão. O presidente Josep Bartomeu prometeu mudanças profundas após uma temporada sem títulos.

Dois dias depois, essas mudanças começaram a ser anunciadas. Primeiro, a confirmação de Luis Enrique como técnico, ex-ídolo do Barcelona que, como treinador, levou o Celta de Vigo a uma digna nona posição no último Campeonato Espanhol.

Foto: Getty Images

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O elenco também já começou a ser afetado. O goleiro Victor Valdés já havia confirmado que não renovaria seu contrato em 2013. Seu reserva, Pinto, não correspondeu às expectativas e também não vestirá mais a camisa do Barcelona. O clube já confirmou a contratação do alemão Marc-André Ter Stegen, destaque do Borussia Moenchengladbach nas duas últimas temporadas.

Para as posições de linha, a lista de dispensa parece ser grande. Encabeçada por Cesc Fabregas, que interessa a Manchester United e Arsenal, também tem Mascherano, Dani Alves, Tello, Pedro, Alexis Sanchéz e outros. Rafinha Alcântara, que estava com Luis Enrique no Celta, e Gerard Deulofeu, que estava no Everton, voltam de empréstimo e serão aproveitados na temporada 2014/2015. Rumores na imprensa espanhola ainda apontam que o Barça vai atrás dos brasileiros David Luiz, no Chelsea. Mas não deve ficar só nisso, o time precisa de reforços em todos os setores, para montar um time sólido que dê liberdade a Messi e Neymar.

Luis Enrique terá muito trabalho para se manter como ídolo do Barcelona. Teve duas passagens como jogador, entre 1996 e 1997 e 2003 e 2004, e foi técnico da base do clube quando Pep Guardiola assumiu o time principal. Após se destacar nas inferiores do Barça, saiu para treinar a Roma, onde fracassou. Voltou a fazer um bom trabalho no Celta de Vigo. Se não conduzir o time a bons resultados, deve sofrer com a sombra de Xavi Hernandez, cada vez mais próximo da aposentadoria e com a certeza de que será um grande treinador.

No Manchester United, o processo foi mais longo. A paciência com David Moyes acabou ainda em abril e o treinador escocês foi substituído por Ryan Giggs, que abandonou a carreira pelo cargo. Para o seu lugar, foi anunciado o holandês Louis Van Gaal, campeão holandês no Ajax (onde também ganhou uma Champions League) e no AZ Alkmaar, alemão no Bayern e espanhol no Barcelona. Esteve na seleção da Holanda, mas não conseguiu classificar a Laranja Mecânica para a Copa do Mundo de 2002.

Foto: HITC Sports

Foto: HITC Sports

Giggs, seguirá na comissão técnica, mas como auxiliar.

Van Gaal será o primeiro não-britânico a ser técnico do Manchester United. O holandês terá a árdua missão de conduzir a renovação de um clube que, pela primeira vez desde 1989, fica de fora das competições europeias. Seu principal trabalho será fazer com que o grupo de jogadores acredite na sua visão de futebol, tida como muito radical e inflexível.

Van Gaal é tido como alguém direto e disciplinador. Por isso, é amado por uns e odiado por outros. Rivaldo tem ótimas lembranças. Oscar, ex-jogador do Barcelona, também.

Mas o holandês também tem sua qualidades, claro. Van Gaal tem tradição de lançar vários jovens, como Seedorf e os irmãos De Boer no Ajax de 1995. No Barcelona, foi o responsável pela descoberta de Victor Valdés. No Bayern, subiu Thomas Müller, Badstuber e Alaba. No United, terá como destaques Januzaj, que já atua no time de cima, e a dupla Thomas Lawrence e James Wilson.

Ainda assim, vai precisar ir ao mercado. Além de Giggs, que se aposentou, o United vai perder a dupla de zaga Ferdinand e Vidic. E a torcida vai precisar ter paciência. Até porque a história de Van Gaal nunca teve resultados imediatos.

Paciência que Van Gaal nunca teve, especialmente no trato com a imprensa.

A dimensão do Manchester United aliada à urgência de vitórias pelo passado recente podem aumentar a pressão. Em conjunto com a imagem negativa de Van Gaal junto da imprensa, que já resultou em confrontos nada simpáticos, o grande desafio do holandês é conciliar o trabalho com possíveis críticas.

Se o conseguir, muito provavelmente ganhará o tempo necessário para ter aprovação de clube, imprensa e torcedores e, desse modo, tentar ser campeão, tal como aconteceu em todos os outros clubes que passou.

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