Blues/Entrevistas/Música

Bluseira, gaitista e Mulher, com muito orgulho

O Blues é um estilo musical apaixonante, envolvente. Conta histórias de sofrimento, de amor, de amizade, ou simplesmente brinda a vida, seja com “One Bourbon, One Scotch, One Beer”. Seus acordes, riffs, solos e letras deram origem ao Rock´n´Roll e ao Jazz. Ao longo dos anos revelou maravilhosos músicos e agora, uma mulher, brasileira, jovem, bonita e muito talentosa, vem construindo uma carreira sólida e promissora, sendo reconhecida pelos principais nomes do Blues no Brasil e no exterior. Hoje, prestes a completar 28 anos, a catarinense Tiffany Helga, nascida em Itajaí, e conhecida artisticamente como Tiffany Harp, vem colhendo os frutos plantados há mais de dez anos, quando descobriu o Blues e a arte de tocar gaita.

Uma das primeiras mulheres a se especializar na harmônica, Tiffany Harp tem como grandes influências nomes como Little Walter, Sonny Boy Willianson 1 e  2, Big Walter Horton,George Harmonica Smith e Big Mama Thorton. Escolheu seguir o estilo clássico do Blues nos anos 1950 e 1960. Com uma técnica invejável, Tiffany toca o Blues com paíxão e virtuosidade, honrando as tradições de seus “mentores”. Mesmo assim, ainda luta para vencer o preconceito e se firmar neste meio musical, predominantemente masculino. “Ainda há preconceito, infelizmente, e orgulho de músicos homens deixar uma mulher liderar uma banda”, afirma Tifffany em entrevista exclusiva ao Fut’n’Roll.

Tiffany já tocou com muitos músicos talentosos, inclusive fora do Brasil, e agora trabalha para lançar o seu primeiro CD, com produção de Tino Gonzáles. O álbum contará com músicas próprias da cantora e gaitista, e será finalizado na Alemanha, a partir de setembro.

Conheçam um pouco mais da trajetória de Tiffany Harp e confiram a entrevista na íntegra abaixo. Apreciem sem moderação, mas com muito Blues!

Fut’n’Roll: Como surgiu o seu interesse pelo Blues?

Tiffany Harp: Desde sempre a música fez parte de minha vida, desde criança, vivia cantarolando, e foi só na adolescência com 16 anos que conheci o Blues. Já ouvia outros estilos antes, o Rock n Roll logicamente, e dentro dele vi que havia muitas músicas que continham o conteúdo do Blues, como por exemplo os Rolling Stones.

FNR: Porque você escolheu tocar pela gaita?

TH: A história de meu interesse pela gaita foi bastante importante pra mim. Achei uma gaita na estante de minha casa, era apenas uma gaita Butterfly estilo – Chinesa — boa para tocar musicas alemãs e folclóricas, era de meu avô. Comecei com ela, mas como a sonoridade não batia bem o que eu tinha como objetivo e notei que os artistas usavam outro tipo de gaita. Na mesma semana, já havia conseguido uma gaita Diatônica na loja e comecei a tirar de ouvido algumas músicas.

Hoje, uso as gaitas Hohner da qual sou Endorser, e meu modelo favorito e Marine Band e a Crossover.

tiffany harp 3

Autoditada, Tiffany Harp toca gaita desde os 16 anos e segue os ensinamentos de Little Walter.
Foto: Divulgação

FNR: Você já tocava algum instrumento antes de conhecer a gaita?

TH: Sim. Por que meu pai toca. Eu tocava e digamos ainda toco … (arranho) no violão. risos.

FNR: Quais são suas maiores influências?

TH: Little Walter, Sonny Boy Willianson 1 e  2, Big Walter Horton,George Harmonica Smith, Big Mama Thorton.

FNR: Você mora no Brasil? Se não, onde mora, há quanto tempo e porque decidiu-se mudar?

TH: Sim, eu moro no Brasil. Só ainda não decidi me mudar para fora. Houve  algumas propostas, mas por questões pessoais e familiares, resolvi adiar.

FNR: Você consegue viver só de música hoje? Faltam incentivos no país para a prática musical e a descoberta de novos talentos?

TH: Sim eu consigo sobreviver da Musica hoje. Sou professora de gaita em algumas Escolas de música, e faço alguns shows com algumas parcerias do Blues em Pubs, festivais quando rola, e bares da região.

Acho que incentivo não falta. Quando você quer muito uma coisa você corre atrás com muita dificuldade e suor mas, infelizmente em certas regiões não há tanto incentivo da parte governamental.

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Tiffany se prepara para lançar o primeiro CD. Fãs do Blues, se preparem…
Foto: Divulgação

FNR: Hoje você é reconhecida internacionalmente e foi citada aqui mesmo no Fut´n’Roll pelo Flávio Guimarães, do Blues Etílicos, como um dos grandes talentos do Blues no Brasil. É muita responsabilidade hein…

TH: Fico muito contente e lisonjeada pela citação, pois ainda tenho muita estrada pela frente. Flávio Guimarães foi sempre um modelo  excelente de gaitista e o pioneiro no Blues do qual eu respeito e tenho grandessíssima admiração.

FNR: O Blues Brasileiro tem alguns ícones, como o Celso Blues Boy, o Blues Etílicos e o André Cristovam, que foram os grande precursores do Blues por aqui. Como você enxerga essa nova geração, da qual você pertence?

TH: Essa geração foi o começo da abertura de portas pro Blues no Brasil, foi graças a eles que o Blues esta tão ampliado por aqui e esta cada vez mais reconhecido. Eu sempre ouvi muito o  Blues Etílicos. Gosto muito  e ainda ouço os Cds e suas letras.

FNR: Fala um pouco da sua banda, projetos futuros, apresentações, discos, enfim.

TH: Estou trabalhando com diferentes músicos no momento. Não montei uma banda fixa por aqui, mesmo por que fiquei alguns meses fora do país, mas trabalho com músicos com muita competência e excelência na região como guitarristas Leo Maier e Decio Caetano.

Estou com o projeto de meu primeiro CD, que já esta em andamento e irei concluir na Alemanha, quando estiver voltando em setembro deste ano. Estou muito ansiosa e trabalhando muito no nele com musicas próprias, com Tino Gonzáles como produtor.

tiff

FNR: Não podia deixar de abordar esse assunto, principalmente porque temos visto constantes manifestações preconceituosas no Brasil e no mundo. Você sente ou já sentiu preconceito por ser uma das primeiras mulheres do país a tocar gaita?

TH: Estou trabalhando com diferentes músicos no momento por essa razão na realidade. É muito difícil ser uma mulher no mundo de músicos grande parte  homens, e o  que me dificulta realmente pelo fato do estereótipo de ser uma mulher de boa aparência, sendo que não tenho culpa que nasci mulher. Ainda há preconceito, infelizmente, e orgulho de músicos homens deixar uma mulher liderar uma banda.

FNR: Para quebrar essa ideia ridícula de que “homem só pode fazer isso, e mulher aquilo”, o Vasco Faé, um dos grandes nomes do Blues no Brasil te convidou para participar do Projeto Mulheres Bluseiras. Conta como foi essa experiência, qual foi a reação do público?

TH: Foi sensacional! O projeto, os encontros dele ajudou bastante as mulheres do Blues no Brasil serem reconhecidas em outros Estados e Cidades, no Sesc n Blues, Mulheres Bluseiras e Bluseiros do Brasil. O publico foi adorou, por ver um projeto tão diferente e tanta mulher aí talentosa dividindo o palco.

FNR: Vocês já estão pensando em um novo encontro?

TH: Vasco sempre foi cheio de ideias, e acredito que futuramente haverá mais Encontros sim.

FNR: Para terminar, peço que deixe uma mensagem para quem acredita na música e no Blues especificamente e gostaria de seguir uma carreira artística no Brasil.

TH: Pratique, pratique e pratique mais. Ouca os velhos Mestres, beba da fonte do Blues. Seja forte lute pelo o que quer, esteja sempre ligado à música em geral e se informe do que está acontecendo atualmente na música. Divulgue bastante o trabalho e lute pelo  seu sonho.

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4 pensamentos sobre “Bluseira, gaitista e Mulher, com muito orgulho

  1. Pingback: Samsung Blues Festival reúne gerações de ícones blueseiros | Fut 'n' Roll

  2. Como você escreve bem!!!!!
    As matérias são muito bem escolhidas!,,,,,
    Viva a música!,,,,,,
    Beijos,voza!!!,,,,,,,,

    Curtir

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