Futebol

Finalmente C.A.M.peão ou o fim da praga das penalidades

A campanha do Atlético Mineiro nesta libertadores teve dois fatores fundamentais para terminar da maneira sensacional como terminou nesta quarta-feira (26).

O primeiro foi o trabalho muito bem feito, começando pelo presidente Alexandre Kalil, que bancou o técnico Cuca nos momentos mais difíceis (por exemplo, perdeu as seis primeiras partidas no comando do clube) e trabalhou junto com o treinador para montar o elenco campeão. Se dependesse da paixão da torcida, por exemplo, Guilherme, autor do segundo gol na semifinal contra o Newell’s Old Boys, nunca teria vestido a camisa do Galo por ter sido revelado no rival Cruzeiro.

Depois o trabalho do próprio Cuca, que montou um time eficiente já em 2012, terminando com o vice-campeonato brasileiro. Com a base mantida para 2013, o Atlético soube trabalhar para começar bem a Libertadores.

Foto: AFP

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E começou bem demais. Atropelou todos os rivais na primeira fase, saindo derrotado apenas pelo São Paulo, no Morumbi, na última partida, quando já estava classificado e com a melhor campanha garantida. Ronaldinho Gaúcho chegou a dizer que estava em São Paulo apenas para brincar.

Mas a partir da fase de mata-mata, tudo foi provação. Nas oitavas, o Galo resistiu a uma meia hora avassaladora do São Paulo, novamente no Morumbi. Mas a expulsão de Lucio colocou os nervos atleticanos no lugar e iniciou a crise que o tricolor paulista não superou até hoje. Venceu os dois jogos até com certa tranquilidade.

Nas quartas, drama contra o Tijuana, se classificando após dois empates pelo critério de gols marcados fora e direito a MILAGRE de Victor em um pênalti aos 47 minutos do segundo tempo.

Os pênaltis, aliás, são um capítulo à parte na história do Atlético. Em 5 de março de 1978, o Galo sofreu o maior trauma de sua história após perder nas penalidades o título brasileiro de 1977 para o São Paulo. Até hoje, é o único vice-campeão brasileiro invicto.

Penalidades essas que foram necessárias para eliminar o Newell’s Old Boys na semifinal, após devolver o 2 a 0 sofrido em Rosario no Independência.

E, para encerrar de vez o trauma de 5 de março de 1977, apenas uma glória ainda maior conquistada nas penalidades. Foi assim que o destino quis que o Galo decidisse a Libertadores 2013 contra o Olimpia. Antes, precisava reverter mais uma vez um 2 a 0 sofrido fora de casa.

Aí entra o outro fator fundamental. Tanto Cuca como o Clube Atlético Mineiro tinha o estigma de azarados e supersticiosos. Acabar com os traumas era importante. O primeiro deles foi a perda do estádio Independência para a final. A partida foi para o Mineirão, a contragosto da direção do clube.

Mas em campo, o time não sentiu a diferença. E pressionou o Olimpia desde o início. Mas gol mesmo, só no segundo tempo, com os centroavantes Jô, no começo, e Leonardo Silva, zagueiro de origem, centroavante no espírito cumpridor, que balançou as redes do bom goleiro Martín Silva já após aos 40 minutos.

Foto: AFP

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Se engana quem achou que o Olimpia também não teve chances. O centroavante Ferreyra chegou a driblar Victor e esteve sozinho com o gol para marcar aquele que seria o gol do empate e, provavelmente, do título. Mas o gramado do Mineirão quis mostrar que o estádio também queria a alegria a atleticana e fez o centroavante paraguaio escorregar.

A prorrogação tinha tudo para ser um épico drama sobre redenção e desespero. O Olimpia já tinha um homem a menos, após a expulsão de Manzur, mas o Atlético já não tinha tantas pernas assim. Colocou uma bola na trave com Réver e nada mais. O título teria que vir nos pênaltis, para encerrar aquela noite chuvosa de março de 1978.

E assim se fez a história. Victor defendeu a primeira cobrança após quase dividir a bola com Miranda. E viu Gimenez acertar a trave na quarta cobrança. O desaparecido Ronaldinho Gaúcho nem precisaria bater o seu pênalti.  Galo, finalmente, campeão da Libertadores.

Ronaldinho terá sua chance de redenção em dezembro, no Mundial de Clubes. No seu outro título continental, pelo Barcelona em 2006, o meia foi mal na decisão continental e na do Mundial, saindo derrotado para o Internacional de Porto Alegre de ADRIANO GABIRU.

Agora o desafio para esta equipe se chama Bayern, o mesmo que derrotou o Cruzeiro na sua primeira disputa de mundial, em 1976.

Mas o momento é de comemoração. Parabéns Atlético Mineiro.

Foto: AFP

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3 pensamentos sobre “Finalmente C.A.M.peão ou o fim da praga das penalidades

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