Futebol/Jogos Inesquecíveis

O início da mais complicada missão de Felipão

Durante toda a Copa das Confederações, a expectativa era para o grande jogo que seria a final entre Brasil e Espanha. Os donos de casa arrumando o time para a disputa de uma nova Copa do Mundo em seus domínios contra a melhor equipe do mundo, que não sabe o que é perder em jogos oficiais desde a estreia do último mundial, contra a Suíça.

Mas o duelo tão esperado não aconteceu. Jogando com intensidade, marcando muito a saída de bola e separando o meio de campo espanhol em três partes totalmente diferentes, o Brasil massacrou a Espanha. Logo a um minuto e meio de jogo, Fred mostrou que pode dizer que já fez de tudo na vida deitado, inclusive gol, aproveitando uma confusão com a zaga espanhola.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Com a vantagem no placar, a missão passou a ser não deixar a Espanha jogar. Para isso, a estratégia de Felipão era anular o meio de campo da Fúria. Colocou Luiz Gustavo grudado em Iniesta e Paulinho grudado em Xavi, separando os dois mentores intelectuais da seleção que conquistou o mundo e a Europa. Uma válvula de escape, as descidas do lateral Jordi Alba também estavam bem vigiadas pelo tão criticado Hulk, que não deixou ninguém notar a existência do lateral do Barcelona.

A Espanha escapou apenas uma única vez, quando Pedro apareceu livre nas costas de Marcelo e bateu na saída de Julio Cesar. Mas David Luiz colocou a canela no meio do caminho e evitou o empate.

Se a defesa estava bem vigiada e o toque de bola espanhol era inútil, Neymar se divertia ao fazer a vida de Arbeloa um inferno. No fim do primeiro tempo, tabelou com Oscar, deixando o pobre Arbeloa perdido, recebeu na ponta esquerda e mandou a sapatada no gol de Casillas, dando o seu primeiro cartão de visitas ao pessoal do Real Madrid.

Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

No segundo tempo, mais uma vez a forte concentração no começo dos jogos apareceu e Fred marcou o terceiro aos dois minutos, decretando o título. A partir daí, foi só fazer o tempo passar. A Espanha ainda teve um pênalti a seu favor, mas decidiram jogar fora a oportunidade de marcar ao colocar Sergio Ramos para bater.

Completamente derrotada, a Espanha ainda teve Piqué expulso após parar um contra-ataque de Neymar na base da falta. Mas o quarto título brasileiro na Copa das Confederações, o terceiro seguido, já estava sacramentado.

Foto: Wander Roberto/VIPCOMM

Foto: Wander Roberto/VIPCOMM

Com o título conseguido na base do espetáculo naquele que deveria ser o jogo mais difícil, Felipão ganha uma nova missão. Conter o oba-oba de jogadores, torcida e imprensa. Dos jogadores, parece fácil, afinal Felipão já mostrou ser mestre do vestiário e ter o total domínio das ações sobre o grupo de atletas. Só não pode cair na armadilha de que o time está pronto e nada precisa ser melhorado.

Fora isso, ainda há o tabu de nunca o campeão da Copa das Confederações ter vencido a Copa do Mundo seguinte.

Tabelinha com o Barba – Felipão está no caminho certo, mas terá muito trabalho até a Copa

Por Thiago Barbieri*

O tetracampeonato da Copa das Confederações abriu com chave de ouro a caminhada rumo à Copa do Mundo de 2014. Felipão e Parreira conseguiram montar uma base confiável e comprometida de verdade com a Seleção Brasileira, como há muito não se via. Neymar assumiu a lendária camisa 10 e não sentiu o peso, ao contrário, chamou a responsabilidade e desequilibrou em todos os jogos, principalmente na final contra os espanhóis, como esperado de um craque. Fred fez os gols que a torcida queria ver do camisa 9 (ainda está bem abaixo dos históricos centroavantes da seleção, mas resolve). A estrela de Paulinho brilhou mais uma vez. Isso sem falar na defesa: Thiago Silva e David Luiz jogaram muito e Júlio César pegou tudo.

A preparação para o mundial do ano que vem está bem encaminhada, mas o trabalho da comissão técnica a partir de agora será mais complexo. A missão é manter esse grupo motivado e, ao mesmo tempo com os pés no chão, para que a soberba não tome conta dos atletas. Parreira viveu de perto o ciclo da Copa de 2006, que teve o quadrado mágico brilhando nas Confederações de 2005, o time exaltado, mas que deu vexame no mundial, e não quer que a história se repita na Copa no Brasil. Felipão e companhia ainda terão manter a atenção ao desempenho de possíveis selecionáveis neste próximo ano para definir as pequenas dúvidas em relação aos 23 que serão convocados para a Copa. Mas o começo do trabalho, sem dúvida, é animador e enche o torcedor de esperança de ver o Brasil em mais uma final do Maracanã.

* Thiago Barbieri é jornalista e assina a coluna “Tabelinha com o Barba” no Fut ‘n’ Roll. No twitter, ele é o @ThBarbieri

2 pensamentos sobre “O início da mais complicada missão de Felipão

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