Rock

O fim do bloqueio comunista aos Beatles

O comunismo na União Soviética não criou apenas problemas políticos e uma ameaça de uma nova Guerra Mundial por décadas. O regime também isolou sua população de conhecer mais profundamente ícones da cultura pop mundial.

No nem tão distante ano de 1986, os Beatles já tinham acabado há mais de uma década e John Lennon era um homem morto. Mas ainda era ilegal a venda de discos da banda no país. O Kremlim ainda era algo entre o escandalizado e o temeroso com o fenômeno que correu o mundo na década de 1960 e trataram de preservar a juventude soviética de uma praga como essa.

O regime não se conformava apenas em proibir a difusão e vendas das músicas dos Beatles. A Juventude Comunista aproveitava qualquer oportunidade para ridicularizar o grupo britânico.

Apesar das tentativas de proteger os cidadãos soviéticos da influência dos Beatles, a banda era tão popular na URSS como era na Grã-Bretanha.

Foto: Rex/Fotodom

Foto: Rex/Fotodom

A notícia de que John Lennon tinha sido assassinado em dezembro de 1980 chocou seus fãs por trás da Cortina de Ferro tanto quanto  os do Ocidente.

No fim das contas, a propaganda teve um efeito contrário. Quanto mais se perseguia a música dos Beatles, mais ela era difundida de maneira clandestina  e o número de fãs aumentava a cada dia.

Andar de cabelo comprido em Moscou poderia resultar em uma visita gratuita (e delicada) a um barbeiro da polícia da cidade. Mas a realidade é uma moça sem vergonha e cruel. E a música dos Beatles chegou à URSS no começo dos anos 1980, por meio de uma coletânea  de música ocidental. Claro que o regime disfarçou, traduzindo o nome da música em questão, “Girl”, para o russo, e não colocando o nome dos autores, creditando a canção como uma “música popular britânica”.

Até que, no dia 29 de março de 1986, o governo soviético acabou com o veto de comercialização dos álbuns dos Beatles e a população não precisaria mais recorrer aos marinheiros que contrabandeavam o material para o país.

Os russos só viriam ter acesso a um beatle ao vivo no ano de 2003, quando Paul McCartney foi enfiado goela abaixo de Vladimir Putin, o presidente da época.

Foto: Telegraph

Foto: Telegraph

 

No show, Paul vestiu a cor símbolo do comunismo para tocar na Praça Vermelha.

Hoje, na Rússia, a geração que cresceu em músicas dos Beatles está no poder. Entre os fãs, está o chefe da administração presidencial, Sergei Ivanov, que estava no show de Paul McCartney.

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