O dia em que a loucura se juntou à alegria

A decisão do campeonato montenegrino deste ano foi um tanto quanto SURREAL. O título em si já estava relativamente encaminhado, afinal o Buducnost entrou na última rodada com 80 pontos, três a mais em relação ao vice-líder Rudar.

E ainda faria o jogo decisivo em casa, na capital Podgorica, contra o Lovcen, sexto colocado com apenas 37 pontos. Para quem reclama dos regulamentos aqui no Brasil, o campeonato em Montenegro tem uma particularidade muito conhecida do lado de baixo da linha do Equador, que é a de marcar jogos em diferentes horários.

Com isso, o Buducnost entrou em campo pela última rodada já sabendo que seria campeão. O Rudar perdeu o seu jogo, então a torcida da casa já estava em comemoração antes mesmo de a bola rolar.

E aí começaram os problemas. Diversas invasões de campo levaram o árbitro do jogo a dar insanos DOZE minutos de acréscimos. E, aos 57 minutos do segundo tempo, o placar apontava derrota do Buducnost por 1 a 0. E o time da casa tinha uma falta para cobrar na entrada da área.

Dois torcedores invadiram o campo. Um deles, com um sinalizador, correu por toda a área. O outro, com a cara pintada, foi em direção aos jogadores, os abraçando em sinal de alegria pelo título que não comemorava há quatro anos. A polícia, já DESENCANADA, não fez mais nada. E o torcedor com a cara pintada viu a bola posicionada para a falta ser batida e bateu ele mesmo. E FEZ o gol. Aí virou festa, com comemoração e mais invasão de campo.

O juiz, PROSTITUTO da vida, deu a partida como encerrada. Obviamente, sem validar o gol do torcedor. Mas para a torcida do Buducnost, já era só alegria.

Confusões à parte, o segundo título montenegrino do Buducnost foi justo. O time bateu recordes ao terminar a campanha com 80 pontos em 33 jogos, marcando 82 gols e sofrendo apenas 27. Com o resultado, o time irá disputar as fases preliminares da Champions League, já no mês de agosto.

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Buenos Aires em llamas

O jogo diante do Equador era importante para a Argentina por diversos fatores:
1- A liderança das eliminatórias
2- Voltar a vencer em casa, depois de um empate patético por 1 a 1 com a Bolívia
3- Recuperar a confiança da torcida, que anda meio DESCONFIADA do selecionado de Sabella.

Falando em Sabella, o treinador finalmente colocou em campo os craques que terminaram a temporada em alta na Europa. A linha ofensiva foi formada por Messi, Aguero e Higuain, com Di Maria vindo de trás.

E não poderia ser melhor. O quarteto precisou de apenas trinta minutos para resolver o jogo. Aguero fez o primeiro, em impedimento, depois de receber bom passe de Di Maria. Higuain fez o segundo e deu a assistência para Messi fazer o terceiro.

Com o jogo liquidado, a albiceleste voltou para o segundo tempo um pouco ACOMODADA. O Equador chegou a ter algumas chances para violar a meta de Romero e descontar o placar.

Mas aí Messi ganhou PELO ALTO de um zagueiro adversário, começou a driblar todo mundo e chutou. A bola rebateu na zaga e sobrou para Sosa, que cruzou no pé de Di Maria, que decretou o placar final. O Monumental de Nuñez estava em chamas e a Argentina finalmente assume a liderança das eliminatórias sul-americanas.

A revolução está em marcha

A grande surpresa do dia ocorreu no estádio Centenário, em Montevidéu. O esporte venezuelano escreveu mais uma página importante na sua história recente. Depois de ter um piloto vencendo na Fórmula 1, a seleção de futebol caminha para a disputa do seu primeiro mundial.

Os resultados deixam Hugo Chávez e companhia bem otimistas. Já venceram a Argentina em casa, agora passaram por uma das missões mais ESPINHOSAS com um resultado que poucos irão conseguir. Um empate contra o Uruguai em pleno Centenário.

Os gols foram marcados aos 38 minutos, do primeiro e do segundo tempo. Diego Forlán abriu o placar para os atuais campeões da Copa América na primeira etapa. E Salomón Rondón causou a festa em Caracas no segundo tempo.

É bem verdade que a Venezuela não apresenta um futebol VISTOSO. O time de César Farias joga em duas linhas de quatro e torce para Rondón manter a boa fase que anda tendo no time em que atua na Espanha, o Málaga. Por enquanto, vem dando certo.

O Uruguai mantém a base campeã da Copa América. Mas parece ter atuado com o freio de mão puxado. Ainda assim, é um time muito bom, com uma defesa forte e um ataque veloz. Neste sábado, faltou inspiração a Cavani e Suárez.

E as duas equipes estão na zona de classificação para a Copa de 2014. Os uruguaios não devem ter problema para garantir uma vaga para tentar um novo Maracanazzo, mas os venezuelanos anseiam por isso. É a primeira chance real de a vinotinto estar em uma Copa do Mundo.

O Chile está de volta

O time comandado por Claudio Borghi não vivia dias tranquilos. Sofreu duas goleadas no começo das eliminatórias e alguns dos seus principais jogadores foram afastados do selecionado rojo por escândalos, baladas e afins.

A missão do fim de semana não era fácil. Tudo bem que a Bolívia é um time muito, mas muito ruim, mas jogar em La Paz é sempre complicado por causa daquele grande jogador, a altitude. Tanto que o melhor jogador em campo foi o goleiro chileno Cláudio Bravo.

Mas Aranguiz, um dos destaques do bom time da Universidad do Chile, abriu o placar. O gol, somado à expulsão do boliviano Gutiérrez, deixou o time visitante bem tranquilo.

E, com calma, Vidal, um dos afastados (mas um dos poucos perdoados), fez o segundo gol. E definiu uma vitória que pode recolocar no caminho um dos times com mais potencial do continente.

Classificação das eliminatórias sul-americanas

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ESPECIAL – Uma breve história de 50 anos (2001-2012)

O novo milênio veio com mudanças em todos os aspectos. O ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 é um marco dessa era tumultuada, assim como a consolidação da tecnologia. A internet se popularizou, assim como os telefones celulares e outros aparelhos.

E os Rolling Stones souberam muito bem se adaptar a essa era moderna. Shows cada vez maiores, participação no Superbowl, lançamento de DVDs e até um documentário dirigido por Martin Scorcese chegaram no novo milênio.

Novo milênio que começou com uma turnê gigantesca para celebrar os 40 anos da banda e divulgar a coletânea Fourty Licks, com 36 sucessos e quatro músicas inéditas. Para as rádios, foi “Don´t Stop”, que chegou a ser até usada nas transmissões da NBA.

Mas logo depois, um drama. O baterista Charlie Watts foi diagnosticado com câncer na garganta no meio de 2004. Felizmente, a doença ainda estava no estágio inicial e foi curada em 2005.

A tempo de o baterista gravar A Bigger Bang, um disco que fez os Stones voltarem à sonoridade mais crua e músicas mais fortes e diretas. Um dos melhores álbuns da história da banda.

E foi na turnê de A Bigger Bang que os Rolling Stones tocaram para sua maior plateia. O show realizado na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, na gloriosa noite de 18 de fevereiro de 2006 foi assistido por mais de um milhão e meio de pessoas.

Com o fim da turnê de A Bigger Bang, a mais recente aparição dos Rolling Stones foi no documentário Shine a Light, de Martin Scorcese, um fã declarado da banda. O cineasta registrou dois shows da banda em Nova York com dezesseis câmeras focadas apenas nos músicos. Ele ainda mesclou as imagens gravadas com registros antigos da década de 1960 e a participação de músicos como Jack White e Buddy Guy.

Agora é aguardar o que Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts vão armar para comemorar meio século de existência de uma das maiores bandas da história da música.

Discografia entre 2001 e 2012:

Forty Licks (2002)
Live Licks (2004)
A Bigger Bang (2005)
Rarities (2005)
Shine a Light (2008)

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ESPECIAL – Uma breve história de 50 anos (1991-2000)

Com a turnê Urban Jungle, os Rolling Stones descobriram que são uma máquina de fazer dinheiro. E a fórmula do sucesso foi bem aplicada a partir da década de 1990.

A banda se consolidou como uma verdadeira empresa. Agora, a cada novo disco, vem uma turnê e um longo período de férias, o que permite aos seus integrantes trabalharem suas carreiras paralelas (disco solo já não é mais um palavrão).

Tanto que a produção de discos ficou mais escassa. Foram apenas dois álbuns de estúdio, dois ao vivo e uma coletânea com uma regravação e versões raras acústicas.

Apesar disso, nunca os Stones ganharam tanto dinheiro. As turnês alcançaram o mundo todo, pela primeira vez desceram até a América do Sul, por exemplo.

E os sucessos não pararam. Em 1994, saiu Voodoo Lounge, que gerou a primeira turnê verdadeiramente mundial do grupo e que durou mais de dois anos. Tudo por causa da quantidade de hits saídas deste álbum, como “You Got Me Rocking”, “Love is Strong”, “Sparks Will Fly” e “Blinding by Rainbows”.

No embalo dos grandes shows, eles voltaram com tudo em 1995, com o lançamento de Stripped, uma compilação de versões acústicas de músicas menos conhecidas do grande público da banda e a regravação de “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan.

Depois da longa e cansativa turnê, os agora tiozinhos do rock tiraram boas férias. E voltaram no fim de 1997 com Bridges to Babylon, um álbum mais experimental com pitadas até de música eletrônica. Apesar da pegada mais modernosa, ainda surgiram dois hits: “Anybody Seen My Baby” e “Saint of Me”. E dá-lhe turnê mundial com palcos gigantescos.

Da turnê de Bridges to Babylon, saiu o último lançamento da década, o ao vivo No Security. E ninguém mais questiona a longevidade dos Rolling Stones.

Discografia entre 1991 e 2000:

Flash Point (1991)
Voodoo Lounge (1994)
Stripped (1997)
Bridges To Babylon (1997)
No Security (2000)

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ESPECIAL – Uma breve história de 50 anos (1981-1990)

A década de 1980 começou com boatos do fim dos Rolling Stones. As brigas entre Mick Jagger e Keith Richards estariam insustentáveis e parecia que tudo ia se acabar. Mas a resposta veio em grande estilo.

Em 1981, os Rolling Stones lançaram Tatto You, mais um dos grandes clássicos da banda. Bem pop e consistente, trouxe hits como “Start Me Up” e “Waiting on a Friend”.

No mesmo ano, também lançaram o ao vivo Still Life, para afastar de vez qualquer boato de rompimento.

Mas o clima realmente não era bom. E isso se refletiu nos álbuns seguintes, Undercover e Dirty Work. Os discos eram tão meia boca e a coisa tava tão feia que Mick Jagger não quis nem fazer turnê com a banda em 1986 para se dedicar ao seu álbum solo. Lembrando que álbum solo, na época, era mais forte do que um PALAVRÃO.

Pelo menos, os Stones mostraram que sabiam capitalizar até em momentos de CRISE. O clipe de “One Hit To The Body”, música de trabalho de Dirty Work, aproveitou a rixa entre Jagger e Richards e mostrou os dois em uma coreografia em que ambos parecem dizer um pro outro que “chamou o pai de coxinha, a mãe de galinha e falou que ia comer os dois”.

Quando tudo parecia fadado ao fim, sai Steel Wheels em 1989. Não é uma Brastemp, mas quebrava um galho. Eram os Rolling Stones de volta com a turnê Urban Jungle, a primeira na qual usaram palcos faraônicos e se tornaram fonte de inspiração para as megaturnês do U2.

Discografia entre 1981 e 1990:

Tatto You (1981)
Still Life (1981)
Undercover (1983)
Dirty Work (1986)
Steel Whells (1989)

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Uma violeta no caminho dos grandes

O ano de 2012 começou com o futebol uruguaio em alta. A seleção celeste foi campeã da Copa América com sobras. O Peñarol resgatou o orgulho manya sendo vice-campeão da Libertadores e o Nacional respondeu beliscando o Apertura também com certa facilidade.

A seleção de Óscar Tabarez segue o caminho das vitórias. Lidera as eliminatórias sul-americanas com tranquilidade e caminha a passos largos para garantir uma vaga para tentar um novo MARACANAZZO em 2014.

Mas algo aconteceu com os clubes. Peñarol e Nacional fracassaram miseravelmente na Libertadores, sendo eliminados na primeira fase com requintes vexaminosos, com goleadas sofridas para adversários com uma história menor e camisas muito mais leves.

O que abriu o campeonato nacional para os outros times. E mesmo com a recuperação dos gigantes (na última rodada, o Peñarol fez 7 a 1 no Rampla Juniors fora de casa e o Nacional bateu o Wanderers por 2 a 0), não teve como parar o Defensor Sporting.

Os violetas foram o primeiro time pequeno a ser campeão uruguaio, em 1976. E, neste domingo, voltou a conhecer a glória ao bater o El Tanque Sisley por 3 a 0 e erguer a taça que não via desde 2009.

O título é incontestável. O Defensor é campeão com uma rodada de antecedência, tendo doze vitórias e dois empates em 14 jogos. Uma equipe com muitos juvenis, uma aposta do treinador Gustavo “Chavo” Díaz, que conseguiu um time coeso, com consciência da posse de bola, mas com muita velocidade para atacar.

Os gols do time na partida que garantiu o campeonato foram marcados por Federico Pintos, Nicolás Oliveira e Diego Ferreira.

O resultado deixou os violetas com 38 pontos, abrindo quatro de vantagem para o Liverpool. Nacional e Peñarol completam os quatro primeiros, num primeiro semestre que os dois gigantes não vão querer se lembrar.

Com o título do Clausura garantido, o Defensor fará a final do campeonato uruguaio contra o Nacional, campeão do Apertura.

Classificação do campeonato uruguaio – Clausura 2012

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ESPECIAL – Uma breve história de 50 anos (1971-1980)

O início dos anos 1970 trouxe vários funerais: Jim Morrison, Jimi Hendrix e Janis Joplin. Os Beatles haviam anunciado o seu fim. Nesse cenário caótico, os Rolling Stones passaram a reinar soberanos.

Mas, com a mudança de década, também veio a mudança de gravadora. Os Rolling Stones foram para a Atlantic Records. Ainda assim, o grupo se mostrou revitalizado depois da perda de Brian Jones. Mick Taylor trouxe um tempero apimentado ao som e ainda dava espaço para Keith Richards brilhar.

Tanto que em 1971 e 1972, a banda lançou duas das suas OBRAS-PRIMAS: Sticky Fingers e Exile on Main Street. Sticky Fingers foi uma coleção de hits: “Wild Horses”, “Brown Sugar”, “Dead Flowers”, “Bitch”, entre outros grandes sucessos, estão neste álbum.

Além disso, a capa é assinada por Andy Warhol, que é um zíper que podia ser aberto e mostrava uma figura de cueca. Também foi neste álbum que o famoso logotipo da boca com a língua de fora apareceu pela primeira vez.

Exile on Main Street não teve a enxurrada de hits do seu antecessor, mas é tido como o álbum mais CULT da banda. De sucesso mesmo, só “Tumblind Dice”. Mas o álbum tem muita música boa, como “Shine a Light” e “Happy”, com Keith Richards nos vocais.

Depois dos álbuns Goat´s Head Soup e It´s Only Rock n Roll, Mick Taylor deixa a banda. Em seu lugar entra Ron Wood, que havia conhecido a fama com o Faces. Mas seu álbum de estreia é o pouco inspirado Black and Blue.

E aí veio o surgimento do movimento punk em 1977 e as bandas de sucesso do início da década foram rotuladas de JURÁSSICAS. Modismos, como a disco music também ajudaram com a decadência de várias bandas. Algumas, como o Led Zeppelin, não resistiram. Os Stones responderam lançando Some Girls, que colocou a banda de volta ao topo com um som modernizado, com influências punk, vista em “Shattered”, e disco, com “Miss You”.

A década se encerra no embalo da disco music, com o lançamento de Emotional Rescue, deixando claro que ser jovem não tem a ver com idade, mas com atitude.

Discografia entre 1971 e 1980:

Sticky Fingers (1971)
Exile On Main Street (1972)
Goat´s Head Soup (1973)
It´s Only Rock n Roll (1974)
Metamorphosis (1975)
Black and Blue (1976)
Love You Live (1977)
Some Girls (1978)
Emotional Rescue (1980)

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ESPECIAL – Uma breve história de 50 anos (1962-1970)

Neste dia 25 de maio, uma das maiores bandas de todos os tempos completa meio século de existência. Mas um post só é pouco para falar da carreira dos Rolling Stones. Por isso, o Fut n Roll começa hoje um especial de cinco partes para contar a história desses caras que rivalizaram com os Beatles na década de 1960, reinaram soberanos na década de 1970, sobreviveram aos anos 1980,  ressurgiram para o sucesso na década de 1990 e estão mais fortes do que nunca no século XXI.

Nesta primeira parte, o início da banda, representando uma época de transformação na sociedade na qual os Stones foram os responsáveis pela trilha sonora dos REBELDES do planeta.

Como todos sabem, Mick Jagger e Keith Richards se conheceram na infância e se reencontraram em 1960 em uma estação de trem em Datford, nos arredores de Londres, em 1960. Lá, descobriram ter gostos musicais parecidos, especialmente pelo blues e pelo rock n roll.

Dois anos depois, foram convidados por Brian Jones a integrar uma banda que faria o legítimo Rythim n Blues branco. Batizaram a banda de The Rolling Stones em homenagem a música homônima de Muddy Waters.

O primeiro show foi no Marquee Club, na capital inglesa, no dia 12 de julho de 1962. Com o tempo, eles ficaram populares no circuito de bares, sendo convidados a tocar no popular Festival de Jazz de Richmond. A boa repercussão levou a banda a ser contratada pela Decca Records, que estava atrás de um novo talento depois de ser motivo de CHACOTA ao recusar os Beatles no ano anterior.

Os Rolling Stones foram promovidos exatamente para ser um contraponto aos Beatles. Se os quatro rapazes de Liverpool eram bons moços, o então quinteto londrino seria formado pelos bad boys. Tanto que cartazes dos shows vinham com a seguinte pergunta: “Você deixaria sua filha se casar com um Rolling Stone?”.

Apesar de tentarem vender uma imagem que rivalizava com os Beatles, a verdade era que havia amizade entre os integrantes. Tanto que o primeiro sucesso dos Rolling Stones, “I wanna be your man”, é uma composição assinada por Lennon/McCartney.

Aliás, as covers foram a especialidade dos Stones nos primeiros álbuns. O primeiro disco a ter só composições próprias foi Aftermath, de 1966. Até então, os discos eram formados por regravações e poucas músicas assinadas por Jagger/Richards.

Ainda assim, ambos já começavam a se consolidar como compositores maduros. Tanto que o maior sucesso do grupo, “Satisfaction”, foi lançado no álbum Out Of Our Heads, de 1965, com uma letra que era uma crítica ácida a sociedade de consumo que explodia num refrão violento e um riff de guitarra que acertou a todos bem no meio da testa.

O mundo sofria com as ameaças à paz geradas pela Guerra Fria e pela Guerra do Vietnã. De quebra, os assassinatos de Martin Luther King e dos irmãos Kennedy tornaram o planeta uma espécie de barril de pólvora.

Foi nesse contexto que os Rolling Stones tomaram de vez a ponta no quesito rebeldia. Fizeram convites à luxúria em Between the Buttons e saudaram o capeta em Beggar´s Banquet, além de dois álbuns em resposta aos Beatles: Their Satanic Majesties Request (versão stoniana de Sgt Peppers) e Let it Bleed (resposta a Let it Be).

Mas a década de 1960 acabou com a banda em CRISE. Os problemas com drogas fizeram com que Mick Jagger e Keith Richards mandassem Brian Jones embora. Poucos dias depois, em 3 de julho de 1969, Jones apareceu morto na piscina da sua casa em circunstâncias misteriosas. Para o seu lugar, foi recrutado o guitarrista Mick Taylor, então com 19 anos.

Discografia entre 1962 e 1970:

The Rolling Stones (1964)
12×5 (1965)
The Rolling Stones Now (1965)
Out Of Our Heads (1965)
December´s Children (1965)
Aftermath (1966)
Got Live If You Want It (1966)
Between the Buttons (1967)
Their Satanic Majesties Request (1967)
Beggar´s Banquet (1968)
Let It Bleed (1969)
Get Yer Ya-Ya´s Out (1970)

Nos próximos dias, o restante dessa história.

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Homens da Vila

O Santos entrou em campo na noite desta quinta-feira nervoso. Não precisava ser nenhum gênio para saber que o Vélez Sarfield se armaria com mais atenção ainda do que teve na Argentina. Especialmente com Neymar, bem marcado no jogo de ida.

E bem marcado no jogo de volta. Para não falar que o primeiro tempo do melhor jogador santista foi NULO, ele protagonizou a jogada que causou a expulsão do goleiro Barovero, que foi obrigado a sair da área e dar um pontaté em Neymar para evitar o primeiro gol santista.

Com o goleiro expulso, o técnico Ricardo Gareca fez o digno para uma boa retranca. Colocou o arqueiro reserva no lugar do centroavante Óbolo. E o Vélez seguiu trancadinho na Vila.

No segundo tempo, o Santos tentou pressionar. Ainda assim, o goleiro ameaçado em campo foi Rafael, que quase tomou um gol do meio de campo de Fernandéz.

E o tempo passou. O Santos criou poucas chances para desvirginar as redes do Vélez. Alan Kardec perdeu uma chance que lembrou Diego Souza contra o Corinthians.

Mas no lance seguinte, o mesmo Kardec recebeu uma bola na entrada da área e, ao contrário de Diego Souza, se redimiu.

O problema é que o Vélez manteve a calma e a retranca. E a decisão só saiu nas penalidades máximas.

Lá, brilhou a estrela de Rafael. O questionado goleiro santista parecia argentino ao pular de um lado pro outro na linha e apontar para um canto e pular para o outro. Confundindo o adversário, ele defendeu o pênalti de Papa e viu Canteros isolar sua cobrança.

Pelo segundo ano seguido, o grupo de garotos imberbes passa por uma prova de fogo e mostra maturidade. E COJONES. Mais do que futebol-arte, esse time do Santos também sabe comer grama para conseguir as vitórias.

E o sonho de ganhar o título mais importante que disputa no ano do seu centenário segue cada vez mais vivo. Para temperar um pouco mais, o adversário da semifinal será o maior rival, o Corinthians. Pacaembu e Vila Belmiro vão estremecer.

No outro jogo da noite, parecia que tudo ia dar certo para La U. Os chilenos começaram pressionando o Libertad e conseguiram o gol logo aos 17 minutos de jogo, depois de uma falta “a la Ronaldinho” cobrada por Díaz.

Mas cinco minutos depois, Gonzalez se atrapalhou com a bola e empurrou para as próprias redes. E o Libertad armou aquela retranca marota para segurar o resultado e especular nos contra-ataques.

No fim das contas, conseguiram. Apenas um. Quase fatal. Aos 46 do segundo tempo, em uma cobrança de escanteio, Gamarra cabeceou e Johnny Herrera, sim, JOHNNY HERRERA, fez milagre. E, assim como na Vila Belmiro, a vaga para a semifinal de La Copa seria decidida nos pênaltis.

E, de novo, brilhou a estrela surreal de Johnny Herrera. O goleiro e dublê do Jorge Campos defendeu a penalidade batida por Ayala enquanto seus companheiros não erraram uma cobrança (apesar da batida de cavadinha e com EMOÇÃO de Ruidíaz). E a Universidad do Chile está nas semifinais.

Com isso, tudo definido. Uma semifinal será brasileira, entre Santos e Corinthians. O brasileiro que passar enfrentará o vencedor entre Boca Juniors e Universidad do Chile.

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Coperos y peleadores

O velho Boca Juniors não é mais o mesmo. Fato. Riquelme não tem a constância de grandes atuações de 2007. Santiago Silva não é Palermo. Schiavi é o mesmo de 2003, literalmente. Está com quase 40 anos, com a mobilidade de um bicho-preguiça. Os outros jogadores são bons coadjuvantes, nada além disso.

Mas o Boca é um time eficiente. Que sabe o que precisa ser feito. E faz. Tanto que a frase mais dita por João Guilherme na transmissão do Fox Sports foi “o Boca não treinou pênaltis”.

E o MANTRA, que era uma torcida para os jogadores xeneizes perderem as penalidades quase inevitáveis, terminou no principal bordão do narrador carioca: “que desagradável”.

Desagradável para o Fluminense, que no último minuto de jogo viu Mouche arrancar sozinho pela ponta direita e chutar na saída de Diego Cavalieri. A bola beijou o poste e voltou para a outra trave. Cavalieri ainda espalmou para o meio da área, mas a bola ficou quicando esperando um pé para chutá-la.

E veio o pé de Santiago “El Tanque” Silva, decretando o empate e a classificação do Boca Juniors a mais uma semifinal de Libertadores.

Até aquele momento, o jogo estava 1 a 0 para o Fluminense. O resultado levava a decisão para as penalidades. Assim como o Boca na Argentina, o tricolor carioca poderia ter feito mais no Rio de Janeiro. Especialmente no primeiro tempo, quando o rival só queria saber de se defender e aceitava a pressão dos comandados de Abel Braga.

Mas apenas Thiago Carleto balançou as redes, ainda no começo do jogo, depois de bater uma falta que desviou na barreira e fez a bola morrer no canto de Orión.

Até os 44 minutos do segundo tempo, quando Riquelme, que esbanjava mais RAÇA do que técnica no Engenhão, tocou a bola para Mouche, livre, leve e solto na ponta direita. Marcado por THIAGO NEVES, o atacante conseguiu chutar para o gol. A bola foi na trave, no braço de Diego Cavalieri e ficou quicando na área esperando já citado pé de Santiago Silva.

E o Boca Juniors segue sendo o PRETO VELHO da Libertadores. Enquanto todos duvidam, lá está a camisa azul y oro mostrando como é ser copero y peleador nas canchas de Sudamérica.

Drama e delírio no Pacaembu

No Pacaembu, a emoção foi igual. Corinthians e Vasco se estudaram por um jogo e meio. Muita marcação, pouca criatividade, nervos à flor da pele. Mas o segundo tempo compensou os 135 minutos iniciais do confronto.

O Corinthians partiu para o ataque como um predador parte para cima de sua caça. Tentou fazer o gol nem que tivesse que empurrar Fernando Prass junto com a bola pra dentro das redes.

E abriu espaços para o Vasco. A chance mais clara da partida foi perdida por Diego Souza, que, sozinho, tirou a bola de Cássio, que desviou de leve.

E, caprichosamente, tirou também do gol, com a bola passando perto da trave, mas pra fora. Na cobrança do escanteio, Nilton acertou a trave. A resposta veio na sequência, com Emerson também acertando os postes vascaínos.

Quando a decisão por pênaltis parecia inevitável, Paulinho subiu sozinho na área adversária. E deu a cabeçada fatal, no canto de Fernando Prass.

Delírio no Pacaembu. Tite, já na arquibancada, comemorava com a torcida e como a torcida. Paulinho estava pendurado no alambrado abraçado com o primeiro torcedor que viu na frente.

E o Corinthians volta às semifinais da Libertadores depois de 12 anos. Espera o resultado do jogo do Santos para saber se terá mais um clássico brasileiro ou se vai conhecer o Chile ou o Paraguai. Se o time de Muricy passar, mais um duelo brasileiro. Se der Vélez, na Vila Belmiro, os TITE BOYS podem treinar o espanhol.

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